O futebol feminino está em plena expansão, com recordes de público em todo o mundo, uma cobertura da mídia cada vez maior e um crescimento significativo da participação nas categorias de base.

A oitava edição do Ballon d’Or feminino celebra esse movimento e, ao mesmo tempo, reconhece 30 jogadoras de destaque.

No entanto, nenhuma dessas atletas de elite, celebradas em 2026, chegou ao topo apenas com talento. Foi preciso resiliência e força de caráter para enfrentar preconceitos ultrapassados. Elas também tiveram de confiar em si mesmas para superar obstáculos que nem deveriam existir.

Algumas chegaram a recorrer ao ativismo para lutar por justiça em um esporte que amam e pelo qual tanto se dedicam.

Para reconhecer tudo isso, reunimos sete citações inspiradoras de jogadoras que fizeram muito mais do que marcar gols, conquistar títulos e aproveitar a glória que veio depois. Ao longo do caminho, elas ajudaram a tornar melhor o mundo ao seu redor.

Caroline Graham Hansen - A voz da verdade

"Infelizmente, vivemos em um mundo que está longe de ser igualitário. Isso significa que, seja jogando futebol ou tendo um emprego comum, você precisa provar seu valor como mulher, enquanto os homens podem simplesmente ser quem quiserem ser."

Considerada por muitos uma das maiores talentos ofensivas de sua geração, Hansen estreou pela seleção aos 16 anos e, até hoje, soma 127 jogos pela Noruega.

Pelo Barcelona, marcou 64 gols em 120 partidas, ajudando o clube catalão a conquistar a Europa quatro vezes e a levantar sete títulos da Liga F.

Ela ficou em segundo lugar no Ballon d’Or de 2024.

Dois anos antes, a SoccerBible perguntou a Hansen sobre os obstáculos que enfrentou para entrar em um "esporte dominado pelos homens".

Apesar de admitir que não se sente confortável quando os holofotes estão voltados para ela, as palavras de Hansen tiveram tanto impacto quanto um de seus chutes.

Pernille Harder - A pioneira

"Depois, ficamos orgulhosas por termos nos posicionado e ajudado a promover a mudança."

No outono de 2017, a seleção dinamarquesa entrou em greve para reivindicar direitos trabalhistas básicos comparáveis aos da seleção masculina.

Poucos meses antes, a equipe havia brilhado na final da Euro daquele verão, inspirada por Harder, uma jogadora cuja fama estava crescendo rapidamente.

A brilhante meia-atacante terminou em segundo lugar no Ballon d’Or feminino no ano seguinte e foi indicada mais três vezes desde então.

A presença desse talento de nível mundial na disputa pelo prêmio chamou muita atenção e, posteriormente, as partes chegaram a um acordo, melhorando o apoio financeiro e as condições oferecidas à seleção nacional.

A postura de Harder e de suas companheiras de equipe serviu de catalisador para que outras seleções femininas passassem a exigir um tratamento mais justo.

Wendie Renard - A caçadora de sonhos

"É importante acreditar nos nossos sonhos, porque, se não acreditarmos em nós mesmas, ninguém jamais acreditará em nós."

Quando a seis vezes indicada ao Ballon d’Or tinha sete anos, costumava jogar futebol no recreio, como todas as crianças da ilha da Martinica. Ela jogava apenas por diversão.

Um ano depois, seu pai faleceu.

Essa tragédia serviu de motivação para Renard e despertou uma determinação inabalável, que a levou a somar 168 jogos pela seleção francesa, além de conquistar impressionantes 18 títulos de liga e oito troféus da Liga dos Campeões com o OL Lyonnes.

Quando a lendária zagueira fala sobre sonhos e sobre realizá-los, ela sabe exatamente do que está falando.

Alexia Putellas - A perfeccionista

"Meu principal objetivo é melhorar dia após dia e superar meus limites."

Na escola, Putellas era chamada de "Maradona do recreio" por driblar os meninos como se fossem cones.

O futebol surgiu naturalmente para ela. Era um dom.

No entanto, mesmo uma enorme quantidade de talento inato só leva uma jogadora até certo ponto. Certamente, não é apenas isso que impulsiona alguém até as alturas que a catalã alcançou, conquistando uma Copa do Mundo com a Espanha, inúmeros títulos com o Barcelona e dois Ballon d’Or consecutivos.

É preciso, ainda, ter um desejo insaciável de melhorar, cuja natureza e intensidade só quem alcança grandes feitos consegue compreender de verdade.

Khadija Shaw - O espírito resiliente

"O conselho que daria para a minha versão mais jovem é que tempos difíceis estão por vir, mas você vai conseguir superá-los. Os tempos difíceis não duram para sempre... as pessoas fortes, sim."

Uma goleadora prolífica tanto por seu clube quanto pela seleção, as estatísticas de "Bunny" Shaw desafiam a lógica convencional, com 86 gols em 95 jogos pelo Manchester City e 66 em 45 partidas pela Jamaica.

Pode ser tentador imaginar, portanto, que sua carreira e sua vida seguiram uma trajetória direta e constante até o topo.

Esse pensamento, porém, ignora o fato de que ela precisou lutar por atenção em uma família muito numerosa, sendo a mais nova de 13 irmãos.

Ou que se mudou para os Estados Unidos aos 16 anos, sem ter nada além de uma reputação em ascensão para justificar cada vez que entrava em campo.

Isso exige resiliência. Isso exige coragem.

Vivianne Miedema - A heroína empática

"Cuidar dos seus sentimentos é a coisa mais importante e corajosa que você pode fazer; seja gentil consigo mesma."

Em 2025, durante o Mês da Conscientização sobre a Saúde Mental, a meia do Manchester City usou o Instagram para publicar a mensagem acima.

Junto de uma foto em que aparece caminhando por um cais pitoresco, ela também compartilhou abertamente que estava se sentindo "sobrecarregada" naquele momento, enquanto lidava com lesões e "assimilava a temporada".

A duas vezes indicada ao Ballon d’Or costuma usar as redes sociais para inspirar outras pessoas. Em outras publicações, afirmou que o futebol é mais do que um jogo, proporcionando a ela uma comunidade e um propósito.

Mariona Caldentey - A construtora do futuro

"Temos que tentar deixar o futebol melhor para as próximas gerações do que ele está hoje."

Em uma frase curta, a atacante espanhola resume perfeitamente a atitude predominante, tanto nos pensamentos quanto nas ações, de tantas jogadoras de elite da era moderna.

Há altruísmo e ativismo. Compaixão e uma compreensão intuitiva de que ser uma referência para outras pessoas significa algo muito maior.

Isso é importante porque dá a essas grandes jogadoras uma voz e a capacidade de inspirar.