Uma mudança histórica para o Como

"Sempre fui muito exigente comigo mesma, então um esporte individual não era para mim", contou Tessa Wullaert ao lembrar os primeiros anos, quando dividia seu tempo entre o futebol, o tênis e um estágio na área de turismo. Anos depois, essa mesma cobrança e determinação a levaram ao topo do futebol mundial. Em julho de 2026, a capitã das Red Flames, de 33 anos, voltou a fazer história ao deixar a Inter de Milão para assinar um contrato de dois anos com o Como 1907, tornando-se oficialmente a jogadora mais bem paga da história do futebol feminino italiano.

A diretora de futebol feminino do Como, Heather O’Reilly, comemorou a chegada da atacante: "A Tessa é uma contratação muito importante para nós. É uma goleadora e líder comprovada, e o fato de ela ter escolhido o Como como o próximo passo da carreira diz muito sobre o nosso projeto." Depois de assinar, Wullaert deixou suas intenções claras: "Estou muito feliz por estar aqui e espero contribuir com gols e assistências para esta equipe. Estou aqui para ganhar jogos. Dou sempre o meu melhor e estou sempre pronta para melhorar e me tornar a melhor versão de mim mesma."

Uma lenda muito além dos números

A carreira de Wullaert parece uma coleção de recordes. Ela estreou pela seleção principal da Bélgica em agosto de 2011, contra a Rússia, e depois ultrapassou Aline Zeler como a maior artilheira da história das Red Flames. Mais tarde, também superou a marca histórica de gols de Romelu Lukaku pela seleção belga. Em março de 2026, Wullaert alcançou mais um feito histórico ao marcar um hat-trick contra Israel, chegando aos 100 gols pela seleção e se tornando apenas a sétima jogadora europeia da história a atingir essa marca.

Sua trajetória pelos clubes também impressiona, com passagens de destaque por diferentes países da Europa. Wullaert defendeu SV Zulte Waregem, Standard de Liège e Anderlecht, na Bélgica; VfL Wolfsburg, na Alemanha, onde conquistou títulos nacionais; Manchester City, na Inglaterra, onde levantou a Copa da Inglaterra; Fortuna Sittard, na Holanda; e Inter de Milão, na Itália. Em janeiro de 2026, conquistou sua sexta Chuteira de Ouro do futebol feminino belga, estabelecendo um novo recorde e superando até a marca de quatro Chuteiras de Ouro masculinas de Paul Van Himst.

Liderança, mentalidade e impacto

Muito além dos números, a personalidade e a liderança de Wullaert também fazem parte de seu legado. Como capitã das Red Flames, ela encara o peso das expectativas com tranquilidade. "Ser capitã é uma grande responsabilidade, claro. As jogadoras contam com você em todos os momentos importantes", afirmou Wullaert. Fora de campo, ela também usa sua visibilidade para defender a igualdade de gênero no esporte e atua como embaixadora dos Jogos Olímpicos Especiais.

Agora reconhecida entre a elite mundial com a sua nomeação para o prémio «Ballon d'Or» de 2026, Wullaert chega a Como no auge da sua forma, pronta para liderar o ambicioso projeto da Série A com o seu lema característico: Sorrir, Concentrar-se, Trabalhar.