Quando Khadija "Bunny" Shaw entra em campo, não existe espaço para acomodação. Indicada ao Ballon d’Or de 2026 depois de uma temporada histórica com o Manchester City, a atacante jamaicana já deixou de ser apenas uma goleadora excepcional. Hoje, ela é uma das principais líderes de uma equipe acostumada a disputar títulos.

Uma trajetória marcada por resiliência e paixão

Nascida em Spanish Town, na Jamaica, caçula de 13 irmãos, Shaw ganhou o apelido de "Bunny" ainda na infância, dado por um dos irmãos por causa de seu amor por cenouras. Sua caminhada até o topo do futebol mundial foi marcada por determinação e muita versatilidade. Depois de chamar atenção na St. Jago High School, ela se mudou para os Estados Unidos, onde se destacou no Eastern Florida State College antes de seguir para a Universidade do Tennessee. Foi com o técnico Brian Pensky, nos Tennessee Volunteers, que Shaw deu uma guinada importante na carreira: deixou o meio-campo para se tornar uma atacante central implacável e, em 2018, foi eleita Jogadora Ofensiva do Ano da SEC.

Em vez de entrar no Draft da NWSL, Shaw decidiu se testar no futebol europeu e assinou com o Bordeaux, da França, em 2019. Seu impacto na Division 1 Féminine foi imediato: na temporada 2020-21, terminou como artilheira da competição, com 22 gols. O desempenho impressionante abriu as portas do Manchester City, que a contratou em julho de 2021 e deu início a uma nova fase de domínio da jamaicana no futebol inglês.

Reescrevendo os recordes no Manchester City

Aos 29 anos, os números de Shaw na Women’s Super League impressionam. Ela é a maior artilheira da história do Manchester City e também a maior goleadora da história da Jamaica, entre homens e mulheres. Dona do recorde de mais hat-tricks na história da WSL, ela aumentou ainda mais seu legado na temporada 2025-26 ao marcar quatro gols contra o Aston Villa e superar a marca de 100 gols pelo City. A conquista rendeu homenagens em vídeo de nomes como Usain Bolt e Ian Wright.

Pouco depois, em 21 de março de 2026, Shaw estabeleceu outro recorde ao marcar o hat-trick mais rápido da história da WSL: foram três gols em apenas 12 minutos e 37 segundos na vitória por 5 a 2 sobre o Tottenham Hotspur. Sua regularidade foi decisiva ao longo da temporada: com 21 gols em 22 jogos na campanha da liga de 2025-26, ela conquistou sua terceira Chuteira de Ouro consecutiva e ajudou o City a conquistar uma histórica dobradinha nacional, com os títulos da WSL e da Copa da Inglaterra Feminina.

A mentalidade de uma vencedora

O que realmente diferencia Shaw, porém, é sua busca constante pela excelência. "Continuo elevando meus próprios padrões porque, ao longo dos anos, percebi que isso acaba contagiando todo mundo", contou Shaw depois de receber o prêmio da PFA. "As meninas dizem que sou exigente comigo mesma. Mas quero ser melhor e ajudar a equipe a chegar o mais longe possível."

Essa mentalidade também ajudou a transformar o ambiente do City sob o comando da técnica Andree Jeglertz. "Se conseguirmos fazer tudo certo em campo, podemos ser implacáveis. Podemos ser imparáveis se prestarmos atenção aos detalhes", afirmou Shaw. Sua liderança dentro e fora de campo também levou o City a garantir sua permanência com um novo contrato de quatro anos, afastando o interesse de clubes rivais. Agora, com o City se preparando para voltar à Liga dos Campeões Feminina da UEFA, a combinação de humildade, ambição e mentalidade vencedora de Shaw deixa claro que ela e sua equipe não estão dispostas a se contentar com pouco.