Lionel Messi acabou de fazer história mais uma vez. O jogador de quase 39 anos foi titular contra a Argélia na Copa e chegou à marca de 200 jogos com a camisa da Seleção Argentina, nem mais nem menos.

E como se isso já não bastasse, o capitão argentino marcou um hat-trick na vitória por 3-0 sobre a Argélia, na estreia da "Albiceleste" na Copa.

E como se ainda fosse pouco, com esses três gols, Messi igualou Miroslav Klose como o maior artilheiro da história das Copas, com 16 gols.

Tudo isso aconteceu na noite de 16 de junho de 2026, em Kansas City. Uma data que vai ficar na memória dos torcedores argentinos, que mais uma vez puderam ver o seu ídolo brilhar.

200 jogos de glória

Chegar à marca de 200 jogos pela Seleção Argentina pode dar a falsa impressão de que o caminho foi linear ou simples. E ainda mais quando isso acontece num jogo como este... No entanto, nada poderia estar mais longe da realidade.

A trajetória de Messi na Albiceleste não foi fácil. Por isso, para entender a dimensão desse novo marco, é preciso revisitar uma história cheia de altos e baixos, quase como uma montanha-russa.

A montanha-russa: a dor que forjou a lenda

A jornada começou de forma inusitada. Agosto de 2005. Um Messi adolescente estreou em um amistoso contra a Hungria e foi expulso 40 segundos depois de entrar em campo por ter dado uma pancada em um adversário. Um começo digno de filme.

Um ano depois, na Alemanha 2006, disputou sua primeira Copa com apenas 18 anos, marcando seu primeiro gol em Copas contra a Sérvia e Montenegro. A Argentina já conseguia enxergar o potencial de um jogador de época.

Quatro anos depois, na África do Sul 2010, o destino lhe reservou mais um capítulo digno de novela: foi treinado pelo próprio Diego Maradona. Um encontro de lendas que alimentou a esperança de todo um país, mas que também trouxe uma enorme frustração após uma eliminação dura para a Alemanha.

A partir daí, a Seleção Argentina passou a ser seu maior orgulho e, ao mesmo tempo, sua maior dor. Vieram os anos de críticas pesadas e finais perdidas em sequência: a Copa do Brasil de 2014 e as Copas América de 2015 e 2016.

O peso das expectativas de uma nação inteira caiu sobre seus ombros, transformando o prazer em pura pressão. E, justamente, o ponto de ruptura definitivo aconteceu em Nova Jérsei, em 2016, após a derrota para o Chile na final da Copa América.

Com a alma despedaçada após mais uma derrota, o capitão desabafou diante dos microfones: "Para mim, acabou a seleção". Parecia o fim mais injusto e doloroso para o jogador mais importante que a Argentina teve nos últimos anos.

Mas o futebol sempre dá uma segunda chance. Messi voltou porque o amor pela camisa foi mais forte que a frustração. Esse retorno curou as feridas do passado e abriu as portas para uma era dourada sem precedentes, onde a glória eterna e os recordes históricos passaram a ser protagonistas.

O Olimpo albiceleste: títulos, recordes e alívio

No entanto, antes de tocar o céu com as mãos, foi preciso passar por uma última tempestade. A Copa da Rússia de 2018 foi um cúmulo de caos que terminou com uma eliminação nas oitavas de final para a França.

Parecia que a história de frustrações não tinha fim, mas, no meio da tristeza daquela decepção, nasceu de forma quase inesperada a semente da fase mais gloriosa da Seleção Argentina: o reencontro de Messi com Lionel Scaloni.

Scaloni, que tinha viajado para a Rússia como parte da comissão técnica de Jorge Sampaoli, assumiu o comando da Seleção pouco tempo depois e entendeu perfeitamente o que o "10" precisava. Montou uma equipe renovada, que protegeu seu capitão e lhe permitiu, acima de tudo, voltar a desfrutar do futebol.

O ponto de virada definitivo chegou em 2021, no mítico Maracanã. Ali, contra o Brasil, Messi levantou a Taça América e quebrou um jejum sufocante de 28 anos sem títulos para a Seleção Principal.

Aquele grito de alívio, ao cair de joelhos no gramado enquanto os companheiros corriam para abraçá-lo, foi uma libertação total. Foi assim que se sentiu, tanto para os jogadores quanto para o povo que comemorava por todo o país.

Já sem aquele peso nas costas, o que veio depois foi um desfile de glórias. A conquista da Finalissima contra a Itália, em 2022, serviu de prólogo para a obra mais esperada: a Copa do Catar.

No Oriente Médio, Messi levantou o troféu que mais o obcecava, conseguiu bordar a terceira estrela no escudo argentino e fechou de vez qualquer ferida. "Acabou, acabou", dizia à própria família depois de conquistar o título mundial.

Depois, como se não bastasse, a consagração na Copa América dos Estados Unidos de 2024 reafirmou a hegemonia esmagadora dessa geração da Seleção Argentina, servindo de impulso ideal para chegar a esta Copa de 2026.

Mas essa jornada épica de 200 batalhas não se resume apenas a medalhas e voltas de honra. O peso da figura de Messi na "Albiceleste" também domina as estatísticas. Por trás do líder, do capitão e do ídolo popular, há uma máquina de quebrar recordes.

Os recordes de Lionel Messi na Seleção Argentina

  • Maior número de jogos disputados: líder histórico após ultrapassar a barreira das 200 presenças oficiais.
  • Maior artilheiro de todos os tempos: dono absoluto do ataque da Seleção com 120 gols.
  • Maior assistente de todos os tempos: o jogador com mais assistências na história da "Albiceleste" (61).
  • Copas do Mundo disputadas: primeiro argentino da história a disputar 6 Copas do Mundo (2006-2026).
  • Maior número de jogos em Copas: recorde histórico da FIFA ao ultrapassar 27 jogos disputados.
  • Maior artilheiro de Copas do Mundo: divide o topo da competição com Miroslav Klose, com 16 gols.
  • Maior número de jogos na Copa América: o jogador com mais participações na história do torneio (mais de 39).
  • Maior número de gols nas eliminatórias sul-americanas: o maior artilheiro de todos os tempos da fase de qualificação da CONMEBOL.
  • Único jogador a ser eleito duas vezes MVP de Copa do Mundo: eleito o melhor jogador do torneio no Brasil 2014 e no Catar 2022.
  • Mais gols oficiais em um único jogo: único argentino a marcar 5 gols em uma partida (contra a Estônia).
  • Mais hat-tricks com a Albiceleste: levou a bola para casa em 10 ocasiões, marcando três ou mais gols.
  • Maior número de gols em um ano civil: seu ano mais letal foi 2022, com uma marca impressionante de 18 gols.
  • O artilheiro mais veterano: o jogador mais velho a marcar com a camisa da Argentina.

Haverá espaço para mais algum recorde de Messi nesta Copa de 2026?

Só o tempo e o destino sabem.