O Ballon d'Or e a Copa do Mundo da FIFA são os dois maiores objetivos individuais e coletivos que um jogador profissional pode alcançar. Levantar qualquer um desses troféus já é suficiente para garantir um lugar eterno na história do futebol.
Mas o grupo de atletas que conseguiu conquistar ambos durante a carreira é extremamente restrito. Apenas 13 jogadores tiveram o privilégio de exibir essas duas honrarias em suas galerias de troféus.
Por isso, às vésperas da Copa do Mundo de 2026, relembramos a trajetória das lendas que fazem parte desse clube exclusivo. De defensores que revolucionaram suas posições a atacantes que marcaram gerações com seus gols.
Vencedores do Ballon d'Or e da Copa do Mundo
- Bobby Charlton (Inglaterra)
- Franz Beckenbauer (Alemanha)
- Gerd Müller (Alemanha)
- Paolo Rossi (Itália)
- Lothar Matthäus (Alemanha)
- Zinedine Zidane (França)
- Ronaldo (Brasil)
- Rivaldo (Brasil)
- Ronaldinho (Brasil)
- Fabio Cannavaro (Itália)
- Kaká (Brasil)
- Lionel Messi (Argentina)
- Ousmane Dembélé (França)
Bobby Charlton
Sir Bobby Charlton foi o primeiro jogador da história a conquistar os dois títulos. Em 1966, liderou a Inglaterra na campanha que resultou no único título mundial da seleção até hoje. Sua participação foi decisiva ao longo do torneio, com três gols importantes na caminhada rumo à conquista.
No mesmo ano, recebeu o Ballon d'Or.
Além do sucesso pela seleção, Charlton construiu uma trajetória histórica pelo Manchester United. Sobrevivente da tragédia aérea de Munique, em 1958, tornou-se um dos símbolos da reconstrução do clube inglês. Com enorme capacidade física, inteligência tática e um poderoso chute de média distância, inaugurou a lista dos jogadores que conquistaram os dois maiores troféus do futebol.
Franz Beckenbauer
Franz Beckenbauer entrou para esse grupo seleto ao comandar a Alemanha Ocidental na conquista da Copa do Mundo de 1974.
O defensor já havia conquistado seu primeiro Ballon d'Or em 1972, reconhecimento que refletia sua qualidade técnica, visão de jogo e inteligência tática. Com essas características, revolucionou a função do líbero e ajudou a redefinir o papel dos defensores no futebol moderno.
Em 1976, conquistou seu segundo Ballon d'Or, consolidando seu domínio no cenário internacional. Pelo Bayern de Munique, também liderou uma das equipes mais vitoriosas da época, conquistando três títulos consecutivos da Copa dos Campeões da Europa.
Até hoje, Beckenbauer é lembrado como um dos maiores líderes da história do futebol e como o primeiro defensor a combinar um título mundial com o prêmio mais prestigiado do esporte.
Gerd Müller
Gerd Müller passou a integrar esse seleto grupo durante a década de 1970.
O lendário atacante alemão conquistou o Ballon d'Or em 1970 após uma Copa do Mundo brilhante no México, na qual terminou como artilheiro da competição com dez gols marcados.
Quatro anos depois, alcançou a consagração máxima ao conquistar a Copa do Mundo de 1974 com a Alemanha Ocidental. Na final contra a Holanda, marcou o gol da vitória que garantiu o título para sua seleção.
Müller construiu sua reputação graças a uma capacidade quase única de decidir jogos dentro da área. Tanto pela seleção alemã quanto pelo Bayern de Munique, tornou-se sinônimo de eficiência e poder de finalização.
Sua habilidade para encontrar espaços mínimos e transformar oportunidades em gols fez dele um dos maiores artilheiros da história do futebol. O impacto de sua carreira foi tão grande que hoje existe um prêmio com seu nome, destinado justamente aos principais goleadores da temporada.
Paolo Rossi
Paolo Rossi protagonizou um dos anos mais memoráveis da história do futebol em 1982. O atacante foi o grande nome da campanha que levou a Itália ao título da Copa do Mundo disputada na Espanha, torneio em que terminou como artilheiro e foi eleito o melhor jogador.
No mesmo ano, recebeu o Ballon d'Or.
Seu hat-trick contra o Brasil nas quartas de final permanece como uma das atuações individuais mais marcantes da história das Copas do Mundo. Rossi era um atacante extremamente oportunista, conhecido pela inteligência nos movimentos, pela leitura das jogadas e pela capacidade de finalizar com rapidez e precisão.
Lothar Matthäus
Lothar Matthäus entrou para esse grupo seleto em 1990 como a principal referência da seleção alemã.
Capitão da Alemanha na conquista da Copa do Mundo da Itália, Matthäus comandou o meio-campo da equipe com uma combinação rara de intensidade física, inteligência tática e liderança.
Seu desempenho ao longo daquela temporada foi recompensado com a conquista do Ballon d'Or.
Além do sucesso pela seleção, Matthäus construiu uma carreira marcada pela longevidade e pela regularidade. Disputou cinco Copas do Mundo e brilhou em gigantes do futebol europeu, como Inter de Milão e Bayern de Munique.
Zinedine Zidane
Zinedine Zidane garantiu seu lugar nesta lista em 1998, ano em que a França sediou e conquistou sua primeira Copa do Mundo.
O meio-campista foi o grande protagonista da final disputada no Stade de France, marcando dois gols de cabeça na vitória sobre o Brasil.
A conquista do principal torneio do futebol mundial foi acompanhada pelo reconhecimento individual: naquele mesmo ano, Zidane recebeu o Ballon d'Or.
Dono de uma elegância rara com a bola nos pés, o francês combinava técnica refinada, visão de jogo e uma extraordinária capacidade de controlar o ritmo das partidas. Qualidades que exibiu ao longo de sua passagem por clubes como Juventus e Real Madrid.
Seu impacto dentro de campo transformou Zidane em um dos maiores camisas 10 da história e em uma das principais referências de sua geração.
Ronaldo
Ronaldo é um dos nomes mais emblemáticos desta lista, já que conquistou a Copa do Mundo e o Ballon d'Or em diferentes momentos de sua trajetória.
O atacante fez parte da seleção brasileira campeã mundial em 1994 e conquistou seu primeiro Ballon d'Or em 1997, consolidando-se como o principal jogador de sua geração.
A consagração definitiva, porém, aconteceu na Copa do Mundo de 2002.
Depois de superar graves lesões que colocaram sua carreira em dúvida, Ronaldo brilhou no torneio disputado na Coreia do Sul e no Japão. Marcou oito gols ao longo da competição, incluindo os dois da vitória sobre a Alemanha na final, conduzindo o Brasil ao pentacampeonato.
O desempenho lhe garantiu também seu segundo Ballon d'Or naquele mesmo ano.
Conhecido mundialmente como "O Fenômeno", Ronaldo encantou torcedores com uma combinação única de velocidade, força física, habilidade e poder de finalização. Suas passagens por Barcelona, Inter de Milão, Real Madrid e pela seleção brasileira o transformaram em um dos maiores centroavantes de todos os tempos.
Rivaldo
Rivaldo conquistou a combinação perfeita entre sucesso individual e coletivo na virada do século.
O brasileiro recebeu o Ballon d'Or em 1999 após liderar o Barcelona na conquista de La Liga e ajudar a seleção brasileira a levantar o título da Copa América.
Sua consagração definitiva em Copas do Mundo veio três anos depois, no torneio disputado na Coreia do Sul e no Japão. Com cinco gols marcados, Rivaldo foi peça fundamental na campanha que levou o Brasil ao pentacampeonato mundial.
Canhoto de técnica refinada, destacava-se pela qualidade no drible, pelos chutes potentes de média distância e pela capacidade de criar oportunidades para os companheiros. Ao lado de Ronaldo e Ronaldinho, formou em 2002 um dos ataques mais temidos da história das Copas do Mundo.
Ronaldinho
Ronaldinho entrou para essa lista dourada depois de encantar o mundo com seu futebol criativo e imprevisível.
A conquista da Copa do Mundo veio em 2002, quando o craque fez parte da seleção brasileira campeã aos 22 anos. Mesmo jovem, teve papel importante ao longo da campanha e protagonizou um dos momentos mais marcantes do torneio com o histórico gol sobre a Inglaterra nas quartas de final.
O reconhecimento individual máximo chegou em 2005, quando conquistou o Ballon d'Or graças às atuações extraordinárias pelo Barcelona.
Sua carreira ficou marcada pela alegria dentro de campo, pela improvisação constante e por uma habilidade técnica capaz de transformar jogadas comuns em lances inesquecíveis. Poucos jogadores conseguiram unir espetáculo e eficiência da maneira como Ronaldinho fez durante o auge de sua trajetória.
Kaká
Kaká fecha o ciclo da histórica geração brasileira dos anos 2000 presente nesta lista.
O meia integrou o elenco da seleção que conquistou a Copa do Mundo de 2002, ainda no início de sua carreira internacional.
Cinco anos mais tarde, alcançou o ponto mais alto de sua trajetória individual ao conquistar o Ballon d'Or de 2007. Naquela temporada, liderou o Milan rumo ao título da Liga dos Campeões, terminando como artilheiro da competição e sendo o grande destaque da equipe italiana.
Kaká se diferenciava pela velocidade em condução, pelas arrancadas em campo aberto, pela visão de jogo e pela capacidade de decidir partidas com gols e assistências. Sua combinação de elegância e eficiência o transformou em um dos maiores meio-campistas de sua geração.
Fabio Cannavaro
Fabio Cannavaro representa uma das maiores exceções da história deste grupo seleto.
Zagueiro de origem, o italiano conquistou seu lugar na lista em 2006 ao liderar a Itália rumo ao título da Copa do Mundo disputada na Alemanha.
Capitão da Azzurra, foi o principal símbolo de uma defesa que sofreu apenas dois gols durante toda a competição. Sua atuação ao longo do torneio foi tão dominante que lhe rendeu o Ballon d'Or daquele mesmo ano.
Além do sucesso com a seleção italiana, Cannavaro também se destacou em grandes clubes europeus, como Juventus e Real Madrid.
Mesmo sem possuir a altura considerada ideal para a posição, compensava com uma leitura de jogo excepcional, excelente tempo de antecipação, impulsão impressionante e uma liderança constante dentro de campo. Qualidades que o transformaram em um dos maiores defensores de sua geração.
Lionel Messi
Lionel Messi passou a integrar esse grupo seleto após conquistar a Copa do Mundo do Catar em 2022, quando liderou a Argentina rumo ao terceiro título mundial de sua história.
Capitão e principal referência da equipe, o atacante foi eleito o melhor jogador do torneio após marcar sete gols e protagonizar uma das campanhas individuais mais marcantes já vistas em Copas do Mundo.
A conquista completou uma trajetória praticamente sem paralelos no futebol e abriu caminho para que Messi conquistasse seu oitavo Ballon d'Or em 2023.
Diferentemente da maioria dos integrantes desta lista, o argentino já havia construído uma carreira histórica antes de erguer a Copa do Mundo. Quando finalmente alcançou o título mundial, já era o maior vencedor da história do Ballon d'Or, prêmio que havia conquistado em 2009, 2010, 2011, 2012, 2015, 2019 e 2021.
A taça levantada no Catar serviu como o capítulo final que faltava para consolidar seu legado como um dos maiores jogadores de todos os tempos.
Ousmane Dembélé
O último integrante deste clube exclusivo é Ousmane Dembélé.
O francês entrou para a lista ao conquistar o Ballon d'Or de 2025, coroando uma trajetória que já contava com o maior título do futebol mundial desde 2018.
Naquele ano, Dembélé fez parte da seleção francesa campeã da Copa do Mundo da Rússia. Aos 21 anos, contribuiu com sua velocidade, capacidade de drible e poder de desequilíbrio para ajudar a França a conquistar sua segunda estrela.
O reconhecimento individual máximo chegou sete anos depois.
Após uma temporada brilhante pelo Paris Saint-Germain, Dembélé atingiu o auge de sua carreira. Sob o comando de Luis Enrique, evoluiu em diversos aspectos do jogo, tornou-se mais decisivo na definição das jogadas e terminou a temporada com 35 gols marcados.
Além do desempenho individual, foi peça fundamental na campanha que levou o PSG à conquista do tão sonhado título da Liga dos Campeões.
Com a conquista do Ballon d'Or, Dembélé passou a integrar um dos grupos mais exclusivos da história do futebol: o dos jogadores que conseguiram levantar tanto a Copa do Mundo quanto o prêmio individual mais prestigiado do esporte.