“Minha próxima tatuagem? A taça da Liga dos Campeões!”: Raphinha fala do desejo de conquistar seu primeiro título na competição
O ponta brasileiro Raphinha recebeu a France Football em sua casa, em Barcelona, para falar sobre suas ambições, sua trajetória e seu novo status, conquistado mais tarde, aos 28 anos: o de um dos melhores atacantes do mundo. (Artigo original de fevereiro de 2025.)
Sua história começa na Restinga, a favela de Porto Alegre, no sul do Brasil, onde você cresceu. Que lembranças você guarda da sua infância?
Cara, crescer em uma favela é sempre complicado. As pessoas têm dificuldades financeiras e poucas oportunidades para sair dessa situação. Ao mesmo tempo, é muito gratificante quando você consegue, como foi o meu caso. Tenho orgulho de escrever uma bela história, sabendo de onde eu vim. Me tornei quem sou hoje por tudo o que vivi dentro da minha comunidade. Isso me fez crescer pessoalmente e profissionalmente. Da minha infância na Restinga, o que mais me marcou foram as peladas com meus amigos e primos, o tempo com meus avós e toda a família aos domingos.
Na favela, alguns acabam entrando no caminho das drogas…
As duas principais formas de sair dessa realidade são o futebol e a música, embora existam exceções, claro. Alguns conseguem virar advogado, professor ou médico, mas é mais raro. Então, tem gente que procura formas mais rápidas de ganhar dinheiro e isso, infelizmente, leva a escolhas erradas, como o tráfico de drogas. É uma realidade no Brasil e acho que existe um pouco no mundo todo. Mas, para quem trabalha duro, é possível vencer, não importa de onde você venha.
Você era bem desenrolado, pelo que dizem. Principalmente quando o assunto era pegar ônibus…
É verdade, e inclusive um dos amigos que andava comigo naquela época está aqui comigo hoje. (Ele aponta para um dos amigos de infância que o acompanha no dia a dia em Barcelona.) A gente tinha um cartão de ônibus que compartilhava entre nós. Dávamos um dinheiro para quem estava com o cartão e usávamos o que sobrava para comprar comida depois do treino. Às vezes não tínhamos nem cartão nem dinheiro, então tentávamos convencer o motorista a deixar a gente entrar de graça. Às vezes dava certo, às vezes não. Depois do treino, também acontecia de pedir dinheiro para pessoas na rua para comprar um lanche e voltar para casa com algo no estômago.
“A verdadeira pressão, para mim, é quando você sai de casa às 6h da manhã, volta às 20h e não sabe se vai ter comida na mesa para seus filhos”
Naquela época, você participava dos “torneios de várzea”, competições locais de futebol bem intensas… Em que esses jogos moldaram o jogador que você se tornou?
Nos torneios de várzea, os jogadores têm o hábito de ameaçar os adversários para tentar desestabilizar, independentemente da idade. O que importa é ganhar a qualquer custo. É preciso viver isso para entender de verdade.
Esses torneios te ensinaram a lidar com a pressão?
A verdadeira pressão, para mim, é quando você sai de casa às 6h da manhã, volta às 20h e não sabe se vai ter comida na mesa para seus filhos. Como jogador de futebol, claro que passamos por momentos difíceis, mas é preciso encarar isso com leveza. Nosso papel é jogar futebol e levar alegria para as pessoas. Não dá para ver isso como pressão. Ainda assim, reconheço que os torneios de várzea me ajudaram a me adaptar mais rápido ao mundo profissional e às suas exigências.
Jogar com frequência em campos improvisados te ajudou a aprimorar sua técnica?
Grande parte dos melhores jogadores do mundo vem de comunidades, mas eu vejo isso mais como um dom que a gente tem desde o nascimento. Para ter sucesso no futebol, é preciso trabalho, boa condição física, dedicação, mas a qualidade técnica, na minha opinião, é algo natural. É um dom que você recebe, e cabe a cada um aproveitar isso da melhor forma possível.
Quando criança, você teve um encontro inesperado. Pode contar mais?
Fui convidado para uma festa na casa do Ronaldinho porque meu pai conhecia um pouco a família dele. Não lembro direito se era o aniversário da irmã dele ou uma festa antes de ele voltar para a Europa. Tirei uma foto com ele que guardo até hoje, isso me ajuda a acreditar que realmente aconteceu! Porque, sinceramente, minhas lembranças são meio vagas, eu era muito novo… Na época, eu não tinha noção do que ele representava. Só fui entender isso depois, quando cresci.
Apesar do seu talento, seus testes no Grêmio e no Internacional não deram certo. O que diziam para justificar o fato de você não ter sido escolhido?
Diziam que o elenco já estava completo, que não tinha mais espaço para inscrever outros jogadores. Também falavam que eu era muito baixo e muito magro, que não ia aguentar a intensidade dos jogos e dos treinos. Mas tudo isso me motivou. Eu queria provar meu valor, mostrar que era capaz de me tornar profissional. No futebol, tamanho não quer dizer nada. Olha o Lionel Messi, que para mim é o melhor jogador do mundo. O que importa é talento e trabalho. Eu sabia o que queria e lutei por isso.
“Hoje, se eu gosto tanto de marcar gols, é um pouco graças ao Thierry Henry”
Seu ex-companheiro do Leeds, Adam Forshaw, te descreveu uma vez como um “jogador de rua com raiva”. O que você acha disso?
Acho que combina bastante comigo. Eu não gosto de perder, não importa o jogo. Seja futebol, xadrez, videogame ou até uma disputa entre amigos, perder é algo que me incomoda muito. Isso faz parte de mim. No futebol, é a mesma coisa. Sou muito competitivo e, às vezes, quando perco, posso explodir. É uma característica que vem das minhas origens. Mesmo que hoje eu me controle um pouco melhor, ainda tenho esse ódio de perder.
Dizem que você admirava muito o Thierry Henry, na época em que ele fazia gols atrás de gols com a camisa do Arsenal. Em que ele te inspirou?
Quando eu era criança, gostava de assistir à Premier League e os jogos do Arsenal passavam bastante no Brasil. Era a melhor fase do Henry, e eu também acompanhava o que ele fazia na seleção francesa. Lembro bem das quartas de final da Copa do Mundo de 2006, quando a França eliminou o Brasil com um gol dele (1-0)… Apesar dessa lembrança dolorosa, eu admirava o estilo dele e essa vontade constante de fazer gols. Foi uma grande inspiração para mim. Hoje, se eu gosto tanto de marcar gols, é um pouco graças a ele.
Antes de chegar ao mais alto nível, você jogou vários anos em Portugal. Que lembranças guarda desse período?
Eu sempre digo que, depois do Brasil, Portugal é a minha segunda casa. Foi a etapa mais importante da minha carreira, a que me permitiu me adaptar ao futebol europeu. Portugal tem muitas semelhanças com o Brasil: a língua, a cultura, a comida… Claro que levei um tempo para me adaptar ao estilo de jogo, mas entender a língua e conhecer uma cultura parecida facilitou muito as coisas. Meus companheiros também me ajudaram bastante. Sou muito grato ao Vitória [Guimarães] e ao Sporting [CP]. Esse país sempre vai ter um lugar especial no meu coração.
Em 2019, você foi para o Rennes. O que você guarda da sua passagem pela Ligue 1?
Eu estava começando minha segunda temporada no Sporting quando o clube me falou do interesse do Rennes. O que me convenceu foi a ambição do clube, o projeto que tinham para mim e a sinceridade que senti do presidente (Olivier Létang, na época). Não me arrependo nem um pouco da decisão, mesmo tendo ficado só um ano. Para mim, é um grande clube, com uma estrutura espetacular. Naquela temporada, conseguimos a classificação direta para a fase de grupos da Liga dos Campeões. A crise da COVID ajudou um pouco (a temporada foi interrompida em março de 2020 e a tabela congelada), mas fizemos uma grande campanha, chegando também à semifinal da Copa da França (eliminação por 1-2 para o Saint-Étienne). Assim como em Portugal, todas as pessoas que conheci na França tentaram me ajudar ao máximo na adaptação, mesmo eu não dominando a língua, o que dificultava um pouco. Sou muito grato por ter vestido essa camisa e por ter ajudado o clube a jogar a Liga dos Campeões pela primeira vez na sua história. Rennes é especial para mim, continuo acompanhando o time.
Hoje, o que a França representa para você?
Eu lembro que fazia muito frio, isso é inesquecível (risos). Eu gostava muito de ir ao Mont-Saint-Michel. Sempre que tinha um dia livre, tentava ir até lá. Também tive a chance de conhecer Paris pela primeira vez. E provei alguns pratos típicos franceses. Alguns eu gostei bastante, outros nem tanto… Mas gostei muito de descobrir uma culinária diferente!
Sua carreira até aqui foi muito progressiva, passando primeiro por Portugal, depois França, antes de chegar à Premier League e, por fim, ao Barça… Era importante para você não pular etapas?
Cada etapa da minha carreira foi essencial, tanto profissionalmente quanto pessoalmente, para eu chegar onde estou hoje. Tudo o que vivi foi necessário para me preparar para a etapa seguinte. Cada lugar por onde passei e cada decisão que tomei correspondiam ao que eu precisava naquele momento. Ir do Brasil para Portugal me permitiu focar no futebol sem me preocupar tanto com a língua ou a cultura. Depois, ir para a França foi uma nova fase, em que o principal desafio era o idioma. O futebol francês também me preparou para a Premier League. Era um sonho jogar nesse campeonato e, quando cheguei lá (no Leeds), eu estava pronto tanto mentalmente quanto fisicamente graças à minha passagem pela França.
“Muitos brasileiros ajudaram a escrever a história desse clube: Ronaldinho, Romário, Rivaldo, Neymar… Agora é a minha vez de seguir esse caminho e escrever minha própria história com essa camisa."
Em 2022, você assina com o Barça. O que sentiu na primeira vez que vestiu essa camisa?
Sempre sonhei em vestir a camisa do Barça. Era um sonho distante, mas eu sabia que, com trabalho e determinação, podia chegar lá. Cada etapa que passei foi importante para realizar esse sonho. Muitos brasileiros ajudaram a escrever a história desse clube: Ronaldinho, Romário, Rivaldo, Neymar… Agora é a minha vez de seguir esse caminho e escrever minha própria história com essa camisa. Estou convencido de que posso fazer isso.
Nas suas duas primeiras temporadas na Catalunha, dava a impressão de que você ainda não tinha mostrado todo o seu potencial… Você concorda com essa análise?
Na primeira temporada, tive algumas dificuldades para me adaptar ao estilo de jogo da equipe e para entender de verdade a grandeza do clube. Claro que eu sabia que era um grande clube, mas é só quando você está lá dentro que percebe o quanto ele é gigante. A adaptação a um novo método de trabalho era normal, até inevitável. Era um processo necessário e, mesmo assim, acho que fiz um bom trabalho e tive um bom desempenho, algo que as pessoas acabam esquecendo. Na segunda temporada, meus números foram bons (12 gols e 13 assistências em todas as competições pelo Barça), ainda mais considerando que tive várias lesões (duas musculares, somando cerca de dois meses fora), o que me afetou. Coletivamente, terminamos a temporada sem títulos, o que a torna mais difícil. Individualmente, talvez não tenha sido o que esperavam de mim, mas, sempre que estive em campo, dei o meu melhor.
No último verão, falou-se muito sobre uma possível saída, especialmente para a Arábia Saudita. Você pensou em deixar o Barça?
Nas últimas quatro janelas de transferências, me colocaram em não sei quantos destinos diferentes… Mas eu sempre mantive o foco no Barça. Além disso, tenho um contrato que pretendo cumprir (até junho de 2027). As especulações vão e vêm. O que importa para mim é a confiança que as pessoas dentro do clube têm em mim. Se quem trabalha com você no dia a dia está satisfeito, isso é o principal. Eu sabia o meu valor, o que podia oferecer, e não me arrependo nem um pouco de ter ficado.
Você está em grande fase nesta temporada, com mais gols em seis meses (23 até 3 de fevereiro) do que o total das suas duas primeiras temporadas na Catalunha (20). O que você mudou para chegar a esse nível?
A confiança é fundamental para fazer bem o seu trabalho, não só no futebol, mas em qualquer área. Mesmo com rumores de saída na temporada passada, o Xavi sempre dizia que contava comigo. Ele foi decisivo para a minha chegada ao Barça. Se não fosse por ele, eu não estaria vestindo essa camisa. Só posso agradecer. Eu tinha certeza de que, com trabalho, acabaria me tornando um jogador importante para o time. Depois, quando a chegada do Hansi Flick foi oficializada, ele me ligou e disse que eu fazia parte dos jogadores com quem ele queria contar, sem nem me conhecer ou ter me visto treinar. Isso pesou muito na minha decisão de ficar. Eu sabia que seria um jogador importante para a equipe. O Flick me deu tranquilidade para trabalhar e alcançar o meu melhor nível.
“Com o Robert [Lewandowski] e o Lamine [Yamal], cada um de nós tem qualidades diferentes e, quando a gente mistura tudo, funciona bem!"
Então o principal “clique” foi mais mental?
Para estar no nível máximo, a gente precisa ser forte mentalmente. Qualquer pessoa que trabalha em uma área exigente, física e mentalmente, precisa buscar apoio se precisar, e foi isso que eu fiz. Foi muito importante para mim trabalhar esse aspecto, em um momento em que eu estava passando por dificuldades e começando a baixar um pouco os braços. Esse trabalho mental me ajudou muito a recuperar a calma e a confiança necessária para fazer as coisas bem.
Você foi escolhido como um dos capitães do Barça nesta temporada. Isso também aumentou sua confiança?
Ser capitão não é só usar a braçadeira, é também ter uma postura dentro do vestiário. Um capitão precisa lutar, no bom sentido: pelo clube, pela camisa que veste, pelos companheiros. Precisa buscar a excelência, ajudar os mais jovens e os mais experientes, e também aprender com eles. Por onde passei, sempre procurei fazer com que todo mundo se sentisse bem dentro do grupo. Faço o meu melhor para receber bem os novos, sejam da base ou de fora.
Com Robert Lewandowski e Lamine Yamal, vocês formam um trio muito forte no ataque. Como você descreveria essa sintonia?
A gente começou a jogar junto mais ou menos na mesma época (durante a temporada 2022-2023). A gente se conhece bem. Já faz quase dois anos que trabalhamos juntos todos os dias. Sabemos como nos posicionar uns em relação aos outros, como o outro vai se movimentar, como gosta de receber a bola... São detalhes que ajudam o time a ganhar. Sem contar que são jogadores de altíssimo nível, com um talento excepcional, o que torna tudo muito mais fácil. cada um de nós tem qualidades diferentes e, quando a gente mistura tudo, funciona bem!
A ascensão do Lamine Yamal fez você jogar mais pela esquerda, e isso tem sido positivo para você...
Tudo ainda passa pela confiança: a minha e a do treinador, que entendeu que eu podia dar o meu melhor independentemente da posição em campo. O fato de ele ter aceitado que eu poderia ajudar o time em outra função também contribuiu para o meu bom desempenho. Hoje, eu sei que posso jogar tanto pela esquerda quanto pela direita, sou mais versátil e, portanto, mais útil para a equipe.
Do lado do Real Madrid, seus dois amigos da Seleção, Vinícius Júnior e Rodrygo, também formam um trio forte com Kylian Mbappé. Qual é a sua opinião sobre essa parceria?
Para mim, não é só um trio, mas um quarteto espetacular com Jude Bellingham. Os quatro fazem parte dos melhores jogadores do mundo, pelas características individuais e pelo que entregam tanto no clube quanto na seleção. A rivalidade que a gente tem com eles é espetacular. Isso dá mais visibilidade para a La Liga e para os clubes espanhóis, então é algo positivo.
“O futebol é imprevisível. Na La Liga, vamos tentar brigar pelo título até o fim”
Nesta temporada, vocês venceram eles com autoridade duas vezes, 4 a 0 na La Liga e 5 a 2 na final da Supercopa da Espanha, mas eles estão à frente no campeonato (com 4 pontos de vantagem). Como você imagina o desfecho da temporada?
Com a gente como campeão! (Ele sorri.) O futebol é imprevisível, muita coisa pode acontecer até maio. Fizemos grandes jogos nesta temporada, principalmente na Liga dos Campeões. Na La Liga foi um pouco menos o caso. Vamos tentar brigar pelo título até o fim.
Apesar do talento da seleção brasileira, vocês não serão necessariamente favoritos para a próxima Copa do Mundo nos Estados Unidos, Canadá e México... O que falta para a Seleção voltar ao topo?
A eliminação em 2022 (nas quartas de final contra a Croácia, 1 a 1, 2 a 4 nos pênaltis) foi um verdadeiro choque para mim. Levei mais de dois meses para lidar com a decepção. Todas as equipes passam por um processo de renovação, com novos jogadores, jovens. Acho natural que, em determinado momento, a seleção passe por uma fase ruim. Não será a primeira, nem a última. Mas tenho certeza de que estaremos muito bem preparados para a próxima Copa do Mundo e vamos lutar.
Deco, seu diretor esportivo, declarou recentemente que você é “um dos melhores jogadores do mundo atualmente”. Você acha que já atingiu seu limite ou ainda tem margem para evoluir?
Eu gosto de sempre me desafiar. Nesta temporada, tento ser melhor do que na anterior, e na próxima vou buscar subir ainda mais um nível. É assim que eu vejo as coisas. Foi assim que construí toda a minha carreira e vou continuar dessa forma.
No ano passado, você não esteve entre os indicados ao Ballon d’Or...
Tive dificuldades individuais no ano passado, com várias lesões musculares e uma suspensão (dois jogos de La Liga). Não jogava sempre, menos do que nesta temporada. Isso acabou influenciando a decisão do júri. Neste ano, já superei meus números da temporada passada e vou fazer de tudo para alcançar os objetivos que tracei no início da temporada.
Os bastidores da entrevista
Local: sua casa em Barcelona, no bairro nobre de Pedralbes.
Duração: uma hora e meia, incluindo fotos.
Bebidas consumidas: chá para ele, café para nós.
Idioma utilizado: português.
Outras pessoas presentes: vários amigos de infância, sua esposa, além de seus dois cães, um São Bernardo e um Golden Retriever.
A pergunta que esquecemos de fazer: "Quem é o melhor atualmente entre você e Lamine Yamal?"
O título que ele teria escolhido: "É preciso sempre buscar se superar."
Seu vício de linguagem: "Cara."
As três próximas entrevistas que ele gostaria de ler na France Football: "Meus amigos Neymar, Lamine Yamal (FF de setembro de 2024) e Vinícius Júnior (FF de outubro de 2023).
Você se considera este ano um candidato sério ao Ballon d’Or?
Só posso dizer que vou continuar lutando para estar entre os melhores jogadores do mundo. Sabendo de onde eu vim e tudo o que vivi na minha carreira, só de estar na disputa pelo Ballon d’Or já seria uma vitória enorme. Meu objetivo é me superar no dia a dia, temporada após temporada. Se, um dia, eu estiver na lista ou for premiado, será uma vitória pessoal imensa.
Você tem muitas tatuagens dedicadas à sua família, ao seu bairro, aos títulos que conquistou... Qual será a próxima?
(Ele pensa.) A taça da Liga dos Campeões!