As técnicas de visualização estão cada vez mais presentes em clubes e academias de futebol, sendo vistas como um complemento importante ao treino físico.
Como parte essencial da psicologia esportiva, elas podem aumentar a atividade cognitiva e melhorar a coordenação muscular. Inclusive, já foi comprovado que ajudam o jogador a voltar mais forte e preparado depois de uma lesão.
O mais interessante, quando se olha mais a fundo para essa prática, é como ela muda dependendo de quem a usa: jogadores já consagrados ou jovens que estão começando no esporte.
Para os mais experientes, o principal objetivo da visualização é trazer calma e clareza mental em jogos de alta intensidade e muita pressão.
Esse tipo de cenário é recriado na mente, com jogadas sendo imaginadas. Isso ativa caminhos neurais parecidos com os de uma situação real em campo.
Simplificando, quando um jogador se depara depois com certas situações em campo, não é como se fosse a primeira vez. O passe certo já foi pensado antes, o problema já tinha sido resolvido.
No caso dos jogadores de base, porém, a abordagem é diferente. O que mais ajuda não é visualizar o próximo jogo, mas sim os próximos anos - projetar o sucesso e conquistar um espaço relevante em um ambiente tão competitivo quanto o futebol.
Pensamento de longo prazo: imaginando o futuro
Desde cedo, o Birmingham City sabia que tinha um talento muito especial em Jude Bellingham e, para mérito do clube, tomou todas as medidas para garantir que esse potencial fosse ao máximo aproveitado.
Uma coletiva de imprensa simulada, realizada no centro de treinamento do Birmingham em Kings Norton quando Bellingham tinha 15 anos, ilustra perfeitamente essa ideia. Ela mostra o quanto o jogador já era valorizado e como estava preparado, ainda muito jovem, para lidar com tudo isso.
Só o fato de o clube ter decidido organizar esse evento já diz muita coisa - a equipe sabia que os holofotes estavam a caminho. “Não queríamos deixar nada ao acaso”, relembra um dos seus antigos treinadores, Mike Dodd.
Depois vêm as respostas do adolescente, cada uma tão bem articulada e pensada quanto a outra. Ele deixou claro que estava pronto para coisas grandes. Queria se testar contra os melhores.
Esse exercício diferente organizado pelo clube incentivava justamente a visualização do que estava por vir: as perguntas sem fim, as cobranças constantes, o escrutínio.
Ganhos em várias áreas: os benefícios da visualização
Nesse caso específico, o processo funcionou como um ensaio, preparando melhor para o que viria depois. Mas essa prática traz muitos outros benefícios. Pode ajudar a aprender habilidades mais rápido, melhorar o desempenho e reduzir a ansiedade. Não é à toa que as academias estão cada vez mais usando técnicas multissensoriais para ajudar seus jovens talentos a dar o próximo passo.
John Walker é analista de desempenho e trabalha com alguns dos principais jovens talentos do futebol escocês. Para ele, a visualização é uma ferramenta importante na “construção da base de jogadores de elite”.
“A visualização pode dar aquele 1% a mais para um jogador, mesmo que alguns achem isso meio diferente, fora do padrão. Se você olhar para estrelas da NFL ou lendas como Michael Jordan, todos falam da importância disso. Se olhar para o Conor McGregor dizendo que vai nocautear um adversário cedo - isso é visualização, isso é manifestação.
Todos esses pequenos detalhes podem fazer a diferença entre chegar ao topo, como o Jude Bellingham indo para o Dortmund e depois para o Real Madrid.”