Em conversa exclusiva com a France Football, Rodri contou, com total sinceridade, como foi a experiência de receber o Ballon d'Or 2024. Ele descreveu a montanha-russa de emoções durante a viagem a Paris, o impacto de ouvir seu nome num teatro dividido e a sensação de subir ao palco mesmo de muletas.
Durante a entrevista, o espanhol detalhou por que se considera um vencedor justo do prêmio, destacando seu papel na "sala de máquinas" e como o médio moderno evoluiu. Sem fugir das polêmicas sobre a ausência do Real Madrid na gala ou das comparações com Vinícius, Rodri ressaltou que seu sucesso é uma vitória para toda uma geração de jogadores espanhóis, como Xavi e Iniesta, que marcaram época.
Um relato honesto sobre glória, maturidade e o orgulho de ser o herdeiro de Luis Suárez Miramontes, o último espanhol a vencer um Ballon d'Or - nada menos que 64 anos atrás.
Para começar, parabéns por ter ganhado um Ballon d'Or da France Football. Em março de 2024, você nos contou o orgulho que sentiu ao ficar em quinto lugar na edição anterior. Sete meses depois, o veredito saiu: você é o melhor. O que sente?
Já foi enorme estar na lista anterior e terminar em quinto. Era minha primeira cerimônia e pensei que talvez fosse a única. A temporada tinha sido quase perfeita: ganhei quase tudo (Liga dos Campeões, Premier League, FA Cup) e, nesses casos, dá pra pensar que foi a temporada definitiva da carreira. Sei o quanto custou chegar a esse nível e, naturalmente, surge a dúvida: será que dá pra repetir? No final do Euro, com a vitória da Espanha e o título de melhor jogador do torneio, percebi que podia mesmo repetir temporadas de alto nível. E hoje, ser escolhido entre tantos jogadores incríveis é simplesmente surreal.
O que passou pela sua cabeça antes de George Weah abrir o envelope com o vencedor de 2024?
Muitas coisas ao mesmo tempo. Diferente do ano passado, desta vez talvez tivesse uma chance real, e eu queria ouvir meu nome. Além disso, foi um momento tenso porque parte do público gritava outro nome (Vinícius Júnior). Quando ouvi George Weah dizer meu nome, levei as mãos ao rosto, não podia acreditar. Olhei para minha família, meus amigos, meus colegas, e depois tentei, do jeito que pude, chegar ao palco com minhas muletas.
Nesses últimos segundos antes do veredito, teve medo de não ser o escolhido?
Não, não senti medo de perder porque, na minha opinião, um troféu individual é sempre um ganho, uma recompensa, algo positivo. Não dá pra ficar triste por não receber uma distinção individual, já que é uma decisão que não depende só de você, é fruto de uma votação. Procuramos reconhecimento pelo nosso trabalho, é humano, mas esse reconhecimento começa por nós mesmos. Eu mesmo avalio meu progresso e desempenho, e consigo me orgulhar do que conquistei.
No palco, estava emocionado como poucas vezes se viu um vencedor...
Quando recebi o Ballon d'Or, segurei ela junto ao peito, quase como um bebê. Ao mesmo tempo, revia toda a minha trajetória desde a infância: os bons momentos, os períodos difíceis, quando ninguém acredita em você, quando se sente sozinho... E ali, com este troféu, eu estou no topo do mundo. Este Ballon d'Or vem de muito longe, e só eu sei todo o caminho que percorri.
É o resultado de uma jornada longa. Aqueles primeiros dez ou quinze segundos no palco, segurando o troféu, são pra você mesmo, para a eternidade. Depois, vou ser sincero, você precisa encontrar o fôlego, controlar o medo de falar em voz alta enquanto o mundo inteiro te observa. E então você se vira e agradece a quem te acompanhou nesse caminho. Queria que minhas palavras de agradecimento fossem espontâneas, nada ensaiado. Porque aquele momento precisa sair do coração.
Rodri, sobre a ausência do Real Madrid na gala
Durante muito tempo, os rumores apontavam Vinícius Jr. como vencedor. Estando lesionado, hesitou em comparecer à gala?
De forma alguma. Quando o seu valor é reconhecido em um nível tão alto, seja você o vencedor final ou não, vale a pena ir. Além disso, o lado coletivo também conta muito pra mim. Por exemplo, no ano passado, Erling [Haaland] estava muito mais perto de ganhar do que eu poderia estar. Eu quis ir para apoiá-lo naquele momento especial.
Saber ganhar, mas também saber perder, é importante. E, além disso, este ano, depois da minha longa lesão e da reabilitação, o evento foi como uma lufada de ar fresco. Então, quando decidi ir, foi principalmente pra aproveitar essa noite incrível. E de repente, tudo acelerou e virou uma loucura. (Sorri)
Sabia de antemão que ia ganhar o Ballon d'Or?
Não, de jeito nenhum. Na verdade, me surpreendeu todo mundo me perguntar isso. Ninguém me contou nada antes da cerimônia. Sabia há muito tempo que esse seria o procedimento este ano. E funcionou, porque até o fim, ninguém sabia quem era o vencedor. Pra mim, essa decisão de não revelar nada até o veredito final foi excelente.
Pra ser exato, ao meio-dia, enquanto nos preparávamos pra embarcar, recebemos várias mensagens de amigos dizendo que o Real Madrid não iria. Minha primeira reação foi: não acredito, devem ser fake news. Ao aterrissar em Paris, chegaram ainda mais mensagens me parabenizando. Aí comecei a pensar: uau! Peguei o avião só pra participar da cerimônia e aterrei quase como vencedor. (Risos) Foi uma montanha-russa de emoções num só voo Madrid-Paris, então disse: “Vamos parar de ouvir tudo isso, vamos curtir a noite e ver o que acontece.” Mas, bem, foi difícil. (Risos)
Sente que todas essas polêmicas roubaram um pouco do seu momento?
O que quer que eu diga? Que eu queria que todos estivessem presentes? Claro que sim. Faltavam o segundo, o terceiro, o quarto, e assim por diante. Todo mundo quer que os melhores jogadores do planeta estejam numa noite assim. A melhor equipe do ano (o Real Madrid) não veio à cerimônia, mesmo com a consagração do melhor treinador (Carlo Ancelotti) e do melhor marcador (Kylian Mbappé). Tenho que respeitar a decisão de cada um, embora eu não tivesse agido da mesma forma. Mas eles fazem o que quiserem.
Sente algum tipo de amargura por esse episódio?
Sinceramente? De jeito nenhum. Era o meu momento. Acima de tudo, queria aproveitar com meus entes queridos que estavam lá, não com quem estava ausente.
Como foi a comemoração de Rodri
Voltemos ao seu momento então: como comemorou?
Depois de passar pela imprensa, fomos para o meu restaurante favorito em Paris, o mesmo que já tínhamos reservado no ano passado. Ali foi incrível: risos, cânticos, foi realmente demais. Ter as pessoas que fazem parte da minha vida celebrando comigo, dividindo um dos melhores momentos da minha carreira, o que mais se pode pedir?
Quantas mensagens de felicitação recebeu desde que ganhou o prêmio?
Mais de 700... Eu mal estava terminando de responder a todos que me desejaram uma rápida recuperação e, de repente, chegaram outras 700 mensagens, desta vez de felicitação! (Risos) Vai levar dois ou três meses pra conseguir responder a todos. Mas, claro, respondi imediatamente a alguns, como Andrés Iniesta. Ele foi o primeiro. Para mim, é o melhor jogador espanhol de todos os tempos, que mereceu um Ballon d’Or (segundo em 2010 e terceiro em 2012). Que orgulho!
Já viu o histórico de vencedores? Tem algum favorito?
Claro! Brinquei com meus amigos dizendo que eu seria o primeiro vencedor da era pós-Messi-Ronaldo. (Risos) Bem, dizemos isso, mas vai saber se eles não vão ganhar mais algum, o que seria uma loucura total. (Risos) Mas, olhando para essa lista incrível de vencedores, preciso falar de Messi. Oito vezes vencedor... sério, é inacreditável. (Risos) Ele é, sem dúvida, o melhor jogador de todos os tempos.
Agora faz parte da família do Ballon d'Or. Recebeu mensagens de antigos vencedores?
Deixa eu ver... Nem de Messi, nem de Cristiano, nem de Modrić, nem de Benzema. (Risos)
Já que menciona Karim Benzema, ele disse que preferia ver Vinícius ganhar antes de você. Isso lhe parece ofensivo?
Não, de jeito nenhum. É a opinião dele, ele tem o direito de pensar assim. Também não posso agradar a todo mundo. Já fui escolhido por um júri de cem votantes, o que já é enorme. Além disso, ouvi Paul Scholes dizendo o contrário, que achava meu jogo muito bonito e inteligente, e vindo de um meia como ele (ex-Manchester United), isso significa muito pra mim. E sei também que Karim Benzema foi um Ballon d’Or de nível incrível, e bem sei o quanto nos fez sofrer naquele ano. (Risos)
Declarou que, ao felicitá-lo, os amigos disseram que o futebol tinha ganhado...
Sim, porque o prêmio reconheceu outro lado do futebol. Estar na “sala de máquinas”: controlar o jogo por 90 minutos, cumprir o que o treinador pede, atacar e defender, organizar a equipe, equilibrar o time, dar personalidade à equipe… é isso que o futebol precisa valorizar.
A reflexão de Rodri: Por que ganhou a Ballon d'Or?
O que significa este prêmio?
Deve ser visto como um reconhecimento de outra faceta do futebol. Talvez não seja tão chamativo como marcar gols, correr atrás da bola ou driblar um a um, mas é o trabalho na “sala de máquinas”: controlar o jogo durante noventa minutos, não apenas em uma jogada isolada. É ser o garantidor em campo do que o treinador pede, atacar e defender, organizar a equipe, equilibrar o time, dar personalidade... Essa é a perspectiva que meus amigos quiseram destacar ao dizer que era uma boa notícia para o futebol.
Na nossa entrevista anterior, disse que a vitória de um volante seria uma boa notícia para os mais jovens. A que se referia?
Simplesmente para mostrar que o futebol vai muito além de marcar gols. Pode inspirar os jovens a serem jogadores coletivos, sem pensar que por isso vão ficar sempre na sombra ou que não terão reconhecimento. Alguém como Dani Carvajal poderia perfeitamente ter sido Ballon d’Or. Ele também merecia, especialmente por influenciar o jogo a partir da lateral, ou seja, com teoricamente menos chances que um médio como eu.
Já que menciona Carvajal, a mídia espanhola impulsionou mais a candidatura de Vinícius Jr. do que a de dois espanhóis como ele ou você. Não acha estranho?
Bem-vindo à Espanha! (Risos) Talvez seja por aqui existir mais cultura de clubes do que de seleção. Mas concordo, quando há dois jogadores da seleção competindo pelo prêmio, parece lógico apoiá-los. Talvez em outros lugares funcione diferente, não sei. Lembro que no ano passado, quando Kylian [Mbappé] entrou no Théâtre du Châtelet, houve um clamor impressionante do público francês.
Não está em nenhuma rede social. Ainda assim, consegue dimensionar a magnitude do seu título?
É curioso, porque meus colegas diziam: “Rodri, você merece este prêmio individual, mas por não estar nas redes sociais, não vai ganhar.” Eu respondi: “Pode até ser, mas sou assim.” E ganhei. Sei como funciona: para conquistar títulos individuais, precisa desse toque de marketing, comunicação, imagem, popularidade. Eu não tenho tudo isso comparado a outros.
Me reconhecem pelos meus valores, pelo meu comportamento, coisas normais, mas que pouca gente valoriza. Atitude e comportamento são critérios de votação. Não faço nada para criar imagem, simplesmente sou assim: gosto de ser uma boa pessoa, um bom colega. E acredito que a maioria valoriza isso. Veja Iniesta, aplaudido em todos os estádios da Espanha, e isso não é pouca coisa. (Risos)
O Ballon d’Or consagra jogadores muito especiais. O que tem de especial?
É uma boa pergunta. Se pensar bem, não sou o mais rápido, nem o mais técnico, não tenho o melhor passe do mundo, etc. Mas sou especial na compreensão do jogo. Entendo onde posso melhorar e onde posso contribuir mais para a equipe. Sei quando pressionar junto com meus colegas, quando recuar, quando acelerar ou desacelerar, quando parar a jogada adversária, até quando fazer a falta no momento certo (15 cartões amarelos e 1 vermelho nesta temporada).
Acima de tudo, minha força está na regularidade. Não ter altos e baixos de 9/10 a 3/10, mas manter pelo menos 7 o tempo todo, sem decair. Essa constância se constrói dia a dia, estando sempre presente mentalmente para manter um nível estável em cada momento de cada jogo. É o mais difícil no futebol. Por isso considero Messi e Cristiano os maiores, porque ninguém manteve excelência jogo após jogo por quinze anos.
No meu nível, essa exigência me permitiu, por exemplo, ficar invicto por 73 jogos consecutivos (entre clube e seleção, de março de 2023 a maio de 2024). E isso sabendo o quão difícil é cada partida. Pep Guardiola já me disse que um bom médio defensivo não aparece nos resumos. Mas tenho certeza: se eu tivesse continuado como médio defensivo tradicional, não teria ganho este prêmio.
Essa sequência faz você se sentir quase invencível?
Não. Quando comecei no Villarreal, talvez perdêssemos um em cada dois jogos. Depois, no Atlético [de Madrid], um pouco menos. E depois cheguei ao Manchester City, que já era uma máquina. Adaptei-me ao nível desta equipe, que já era incrível. Cada semana é ganhar, ganhar e ganhar. Ou, no mínimo, não perder. Exige uma concentração constante que as pessoas não imaginam.
O que pensa Pep Guardiola sobre o seu Ballon d'Or?
O seu treinador, Pep Guardiola, não parece ser muito fã de troféus individuais…
Totalmente. (Risos) Ele até já me disse que um bom médio defensivo não aparece nos resumos dos melhores lances. Mas tenho certeza de que, se eu tivesse continuado a jogar como o médio defensivo tradicional de alguns anos atrás, não teria ganhado o Ballon d'Or. A sua influência precisa ser ainda mais visível, com impacto nos últimos 30 metros. Não é algo que me peçam, mas eu mesmo busco isso para dar um algo a mais à equipe. E é a evolução do futebol que exige.
Hoje em dia, os meias são mais verticais, mais incisivos, causam mais estragos. De certa forma, me vejo como a versão moderna de [Sergio] Busquets, especialmente porque jogo num clube que pressiona muito o adversário, que muitas vezes recua bastante. Se o adversário percebe que os médios do City chegam em segunda linha por trás de Erling Haaland, não sabe mais o que fazer: recuar para bloquear Haaland ou subir para conter os médios?
Esse Ballon d'Or é de todas as pessoas envolvidas nas minhas equipes. É fruto das nossas vitórias das últimas temporadas, então não quero destacar ninguém mais que outro. Isso é ainda mais verdade para mim, porque um médio como eu só pode aspirar a ser reconhecido se a equipe conquistar muitos troféus - e é assim que vejo o futebol. Voltando ao Pep, ele é o melhor. Foi o meu mentor para eu me tornar a melhor versão de mim mesmo.
Que aspecto do seu jogo acha que ainda pode melhorar agora que está no topo?
Sei o que precisei fazer para evoluir, desde quando só precisava manter posição no meio-campo no Atlético, até me tornar muito mais polivalente no City. Mas sei que ainda posso melhorar no controle emocional, principalmente quando estamos perdendo. Posso ser um pouco temperamental… preciso manter mais a cabeça fria.
Qual a diferença entre o Rodri do City e o da seleção espanhola?
No City, vejo um grupo mais maduro, com jogadores que sabem exatamente como lidar com as situações. Então meu papel de líder é mais dentro de campo. Na seleção, com jogadores mais jovens, eu e outros líderes, como Carvajal ou [Álvaro] Morata, precisamos acompanhar mais, agir quase como um pai.
Tenho sorte de que as duas equipes jogam de forma parecida, diferente de outros casos em que o estilo da seleção é oposto ao do clube. Por exemplo, os portugueses me dizem que jogam de um jeito totalmente diferente na seleção. (Risos) Mas, digamos que no City eu tenho mais liberdade e projeção ofensiva, enquanto na seleção preciso ser mais conservador na minha posição.
Você marcou o único gol na primeira Liga dos Campeões do Manchester City (em 2023) e agora é o primeiro jogador do clube a ganhar um Ballon d'Or. Imaginou que seria você a escrever a história dos Citizens dessa forma?
Não, de jeito nenhum. E nunca joguei com esse objetivo, aconteceu naturalmente. É uma loucura quando penso nos jogadores que o City teve e tem. Alguns, como David Silva, eu via na TV quando tinha uns doze anos. E hoje temos Kevin De Bruyne, Erling Haaland e tantos outros… realmente é surreal.
E seguindo essa linha, você é o terceiro espanhol a ganhar o Ballon d'Or, o primeiro desde Luis Suárez em 1960. O que acha disso?
Pfff… a Espanha dominou o futebol mundial por muito tempo e teve a melhor liga do mundo por anos e anos… Xavi (terceiro em 2009, 2010 e 2011) e Iniesta chegaram muito perto de ganhar. Para mim, eram os melhores médios da história, jogando em duas das equipes mais dominantes de todos os tempos, Espanha e Barça. A gente se perguntava: se esses caras não ganharam, quem vai conseguir? Obviamente, não quero me comparar a eles nem me apresentar como herdeiro, ainda mais porque são épocas diferentes.
E confesso que ainda não consigo colocar meu Ballon d'Or em perspectiva. Talvez daqui a dez ou vinte anos eu entenda melhor o que ela representa na história. Hoje, sou só um garoto olhando para o Ballon d'Or e pensando: "O que eu fiz?" (Risos).
Você recebeu a Ballon d'Or de muletas, uma imagem triste do que denunciava sobre o calendário. Espera que as autoridades prestem atenção?
Sim, claro, é algo que precisa ser refletido. Mesmo levantando a questão do ritmo das competições, penso também em jogadores como [Lamine] Yamal (Troféu Kopa 2024), Gavi (2022) e tantos outros. Quantos jogos eles terão jogado tão jovens, quando eu mal estava começando? A reflexão precisa envolver os próprios jogadores. Desde cedo, falam sobre resiliência, sobre dar tudo, e na cabeça deles isso vira: "É preciso jogar todos os jogos".
Quando cheguei à Premier League, dizia a mim mesmo: "Joga, joga, joga". E, em apenas quatro meses, me esgotei pro resto da temporada. Além das lesões, é importante estar pronto quando realmente importa. Perder um jogo aqui ou ali antes de janeiro não é o fim do mundo, não é aí que tudo se decide.
Costuma dizer que o futebol não mudou quem você é. Mas um Ballon d'Or pode mudar algo?
Meus amigos vão garantir que não. (Risos) Já me avisaram que só por eu ter ganhado o Ballon d'Or nada vai mudar nas nossas brincadeiras ou nos planos de férias. (Risos) Falando sério, meu círculo sempre se preocupou em me manter equilibrado, sem me deixar subir demais depois de uma vitória e sem me afundar demais depois de uma derrota. Essa capacidade de seguir firme nos bons e maus momentos me ajudou a construir uma confiança real. Não exagerada, a certa.
Sou o mesmo de antes de ganhar o troféu. O que talvez mude é a forma como os outros me veem, porque agora ganhei o prêmio individual mais prestigiado do futebol. Pra mim, talvez sirva nos momentos difíceis, quando eu puder me lembrar: "Ei, não se esqueça, você ganhou o Ballon d'Or!"