Bernardo Silva: “Ser versátil é uma forma de inteligência”
Elogiado por Pep Guardiola, Bernardo Silva, o meio-campista português de 28 anos, muitas vezes na sombra, é peça fundamental para o equilíbrio do Manchester City. A France Football conversou com um jogador raro, simples, com QI de futebol elevado e que tem tudo para ser o companheiro de time ideal. (Artigo original de maio de 2023).
Primeira pergunta, muito simples: qual é a sua posição?
Pffft… eu nem lembro mais. (Ele ri.) Na verdade, minha posição natural é como camisa 8 ou 10. Mas nos últimos anos, já joguei como falso 9 e ponta-direita. Nesta temporada, até já joguei como lateral-esquerdo. Mas a posição que ainda me sinto mais à vontade continua sendo a 8 ou a 10.
De onde vem essa versatilidade?
É preciso ter a cabeça aberta para aprender e perguntar para os outros jogadores como eles jogam. Por exemplo, falo muito de futebol com o Rúben Dias, que é zagueiro. Tenho muita curiosidade de saber o que ele faz durante o jogo, e ele sente o mesmo. Se um dia eu tivesse que jogar de zagueiro... (Ele faz uma pausa, sorri.) É só uma suposição, claro, porque não tenho altura (1,73 m) nem força para isso. Mas saberia o que fazer. Gosto de entender o que os jogadores fazem nas suas posições, seja na defesa, no meio-campo ou no ataque. É importante se interessar pelo que os outros fazem e aprender para ter uma visão melhor do todo.
Qual foi a posição mais difícil que já jogou?
"Gosto de tocar na bola, de estar no centro do jogo."
Lateral-esquerdo... (Ele suspira.) É muito difícil! E, além disso, não sou rápido. Tinha que ficar de olho na profundidade quando enfrentava um ponta mais veloz que eu. Precisava de uns dois metros de vantagem para não ser pego. E ao mesmo tempo tinha que manter a linha para não dar impedimento. Depois de fazer três jogos nesta posição, passei a respeitar muito mais os defensores. (Ele sorri.) Se eles relaxam um segundo, é gol. Quando o João Cancelo foi para o Bayern (neste inverno), o Pep queria alguém que jogasse por dentro. Como o Kyle Walker não estava acostumado, ele me colocou lá. Quando saímos jogando, o Pep quer que um dos quatro defensores se junte ao Rodri. E como não tínhamos ninguém, ele me colocou na esquerda. Mas, sério, é muito difícil.
E qual foi a posição que menos se sentiu à vontade?
Depois, foi a de falso 9. Também é muito complicado jogar na frente. Não se toca tanto na bola. É preciso ser muito forte mentalmente, porque pode tocar duas vezes e tem que ser decisivo nessas duas. Não gosto dessa posição. É muito difícil. Gosto de tocar na bola, de estar no centro do jogo. Quando você é atacante, tem que ser paciente. Depois, a 6. Joguei muitos jogos nessa posição ao lado do Fernandinho ou do Rodri. Também não é fácil, mas gosto de jogar ao lado de alguém mais defensivo.
Pedem pra você jogar em tantas posições por ser inteligente no futebol?
Ser versátil é, com certeza, uma forma de inteligência. Mas, com o tempo, você passa a entender melhor o jogo. Vai ganhando experiência e percebendo o que precisa fazer em cada posição. No Mônaco, joguei no meio e na direita. Quando cheguei em Manchester, o Pep me colocou primeiro no meio, depois na direita e, mais tarde, como falso 9. No começo, é difícil, mas quando você joga dez, vinte, trinta jogos nessas posições, vai melhorando. Agora entendo muito melhor cada posição.
Há alguma posição onde nunca conseguiria jogar?
Além da defesa, a posição que mais odeio é a ponta-esquerda. Na direita, consigo driblar para dentro. Na esquerda, não gosto nada. Não tenho pé direito. Se pudesse, voltaria para quando tinha 10 anos. Naquele tempo, jogava sempre com o pé esquerdo. Meus treinadores diziam: "Tenta um pouco com o pé direito." Mas eu não dava ouvidos. Hoje sinto falta do pé direito. Não sei fazer nada com ele.
Então, para que serve?
Só para correr. (Ele sorri.)
Como te ajuda a jogar em várias posições?
Se você está no meio e seu lateral não está no lugar, você pode ocupar a posição dele para compensar. Vai saber o que fazer. Se tiver que jogar dez segundos como atacante, é a mesma coisa. Quando jogo na direita, sei como quero que meu lateral, meu meio ou meu atacante se movam. E como já joguei em várias posições, sei o que meus colegas esperam de mim. Posso colocar isso em prática. E sei, mais ou menos, o que eles vão fazer, o que estão pensando. Isso é uma vantagem enorme.
“Gostaria de ter a explosão do Erling Haaland. Já viram aquele monstro? É incrível.”
Você consegue adaptar seu jogo a qualquer adversário e a qualquer situação?
Essa é complicada... Na Liga dos Campeões às vezes é um caos. Você joga mais com o coração do que com a tática. Nesse tipo de jogo, muitas vezes é sua calma e suas decisões que fazem a diferença. No campeonato é diferente, falamos de tática. Quando você joga 40 jogos, a melhor equipe vence. Mas na Liga dos Campeões não é assim. Nem no Mundial. É mais emocional. Jogadores que controlam as emoções e os momentos, mesmo sem a melhor equipe, acabam ganhando. É uma qualidade que pouco se comenta.
Tem algo que você não gosta de fazer em campo?
O que menos gosto é, na verdade, o que mais faço. Os jogos mais chatos são contra times que se fecham com dez jogadores atrás, todos defendendo. Contra nós, é quase sempre assim. Os jogos que gostamos são contra Arsenal, Liverpool, Manchester United, Liga dos Campeões. Jogos abertos. Fora isso, gosto de defender, atacar, correr, lutar. Gosto demais de futebol.
Em que área ainda quer evoluir?
No pé direito, como já disse. Também queria ser um pouco mais rápido. Sinto falta disso no meu jogo, especialmente na ala. No meio não é tão importante, mas na linha, precisa de velocidade para atacar a profundidade. Gostaria de ter a explosão do Erling Haaland. Já viram aquele monstro? (Ele ri.) Ele é incrível.
Guardiola mudou você como jogador?
Sim, claramente. Mas o Leonardo Jardim também me mudou. Meu treinador em Portugal também. Cada experiência, cada clube, te ensina algo novo. Com o Pep é diferente. Já estou aqui há seis anos. É o treinador com quem mais trabalhei e é especial na forma de ver futebol e de sempre mudar as coisas. Ele está sempre pensando. Quando ganhamos três títulos numa temporada, você acha que vai jogar igual na próxima, mas não, ele muda de novo pra ninguém saber o que vamos fazer. E como ele muda sempre, você aprende todo ano. Ele realmente mudou minha visão de jogo.A forma simples de jogar, para Pep, é o mais importante. Se você quer tempo de jogo, tem que jogar assim. Um toque, dois toques. E joga pro time, senão não joga.
É difícil assimilar o “software” do Guardiola?
No começo, sim, mas depois de uma ou duas temporadas, você pega. As bases estão lá. Todos que estão com ele há mais de uma temporada já sabem. Ele é apaixonado. Às vezes chega no treino tranquilo e deixa a gente treinar. Noutra hora chega e "mata": "Tá cansado? Não quero saber, tem que correr e trabalhar." (Ele ri.) Ele exige muito, nos jogos e treinos. Todo mundo tem que estar concentrado, e se ele sentir que você não está 100%, não joga.
Qual é a parte mais difícil de assimilar?
No Mônaco eu driblava mais do que agora. O Riyad [Mahrez] no Leicester também. Hoje todos jogamos de forma mais simples. Claro que é preciso saber driblar, chutar, mas para o Pep o mais importante é jogar simples. Um toque, dois toques. Joga para o time, senão não joga.
Às vezes sente que joga mais com a mente do que com os pés?
Com certeza. Tem que trabalhar muito, porque o Pep cobra todo dia. Trabalhamos sério, todos nós. Não existe jogador que não corra. Ele sempre diz: "Defendendo, corram; atacando, sejam pacientes." Todo mundo pressiona e corre para recuperar a bola. Quando você tem a bola, respeita sua posição. Não pode se mover feito louco. Respeita sua posição e confia nos colegas, que farão de tudo pra bola chegar até você.Assim todo mundo sabe que a posição está ocupada. Eu sempre sei onde estão meus colegas, porque todos respeitam suas posições. Com o Pep, isso é muito importante.
Dizem que você é indispensável no vestiário. Qual é o seu papel?
A gente gosta de rir, criar um bom ambiente. Quando os jogadores estão unidos, fica mais fácil ganhar títulos. Já estive em vestiários onde a galera não se dava bem, não tinha respeito. Dá pra ganhar, mas é difícil. Tento ser o animador. Falo espanhol, francês, inglês e português, então consigo me comunicar. E gosto de brincar. O Riyad também é assim. Adoro ele, estamos sempre juntos. Tentamos criar espírito de grupo, até jogar com a bola no vestiário. Se o ambiente é bom, você rende mais em campo. O Jack [Grealish] também é brincalhão. O Kyle Walker, o [John] Stones, o Riyad, eu… temos um vestiário ótimo.
Poderia assumir a braçadeira de capitão?
Eu rio muito. Os caras não me veem como capitão. (Ele sorri.) Ser competitivo, trabalhar, dar exemplo em campo e ajudar os outros, acho que faço bem. Mas no vestiário eu sou o palhaço. Estou lá pra ajudar os colegas o máximo possível. Já temos cinco capitães no City e são todos incríveis: [İlkay] Gündogan, Kyle Walker, Rúben Dias, "Kev" [De Bruyne] e Rodri. Estamos bem servidos.
Pep Guardiola também disse que você é um jogador “especial” e um dos “mais fortes” que já treinou. Como reage a isso?
Fico muito feliz. O Pep está no top 3 dos melhores treinadores da história. Treinou grandes jogadores, em grandes times: [Lionel] Messi, [Andrés] Iniesta, [Sergio] Busquets, Xavi, [Philipp] Lahm, [Arjen] Robben, [Robert] Lewandowski, [Franck] Ribéry, [Joshua] Kimmich, David Silva, [Sergio] Agüero, [Vincent] Kompany, De Bruyne… É um prazer ouvir isso. E quando ele diz, é porque acredita mesmo. Fico ainda mais feliz. Também gosto muito dele. Temos ótima relação.
“Se as pessoas falam muito ou nada de mim, sinceramente, não me importo. Eu quero é ganhar títulos”
Então, por que falam tão pouco de você, mesmo tendo ficado entre os 30 indicados ao último Ballon d’Or? Não sente que é subvalorizado?
No futebol hoje, falam mais de quem marca gols e dá assistências. É normal. Tenho meu papel, minha função no time. Jogo no meio com Rodri e Kev De Bruyne. Sei que o Kevin arrisca muito e faz passes finais. Não vou tentar tirar isso dele, senão a equipe perde equilíbrio. O que faço é me manter próximo do Rodri, que recupera as bolas, e criar a ligação entre Kev e Rodri, entre defesa e Kev, meio-campo e ataque. Se eu tentasse fazer o que Kevin faz, não daria certo. Ele faz melhor. Eu desempenho meu papel. Quando jogo na direita, sei que não sou jogador pra atacar a profundidade, então venho pra dentro. Não vou atacar a linha e cruzar. Independente da posição, tento ajudar o time. O importante é terminar a temporada e comemorar com os caras. Ganhar a Premier League, a Liga dos Campeões e a FA Cup com eles.
A opinião dos outros não importa, então?
Se as pessoas falam muito ou nada de mim, sinceramente, não me importo. Eu quero é ganhar títulos e terminar a carreira pensando: "Ganhei quarenta títulos, comemorei, aproveitei o futebol, me diverti e adorei o que fiz."
Mesmo sendo um jogador diferenciado?
Todos os jogadores são especiais, cada um com suas qualidades. O Erling é especial. Não precisa tocar muito na bola. Toca três vezes e faz dois gols. Eu preciso tocar muito. Kevin é sempre decisivo, tenta sempre algo, dá profundidade, cria jogadas com chances. Rodri protege muito a bola com o corpo. Juntos, com qualidades diferentes, formamos um time ótimo.
Fora de campo, também nunca ouvimos nada de você…
Porque eu faço as coisas direito. (Ele cai na risada.) Não, falando sério, eu sou uma pessoa discreta. Ainda mais agora, porque vou ter minha filhinha e estou me casando. E, além disso, estou começando a ficar velho (28). Não saio mais. Fico relaxando na frente da Netflix com minha futura esposa. Eu adoro passar tempo com minha família e meus amigos. Eu realmente adoro.
Você assiste muito futebol?
Sim. Eu assisto quase todos os jogos do Benfica, meu ex-clube. Este ano, estou acompanhando bastante o Arsenal porque eles estão perto de nós. Também sigo muito o Mônaco, claro, assim como o PSG, o Real Madrid, o Barcelona e o Bayern de Munique. Gosto de observar os times contra os quais posso jogar. Quero saber como eles jogam. Isso pode me ajudar. E assistir pela TV te dá uma perspectiva diferente para entender os movimentos. A câmera fica mais alta, o que é interessante.
Quando criança, com o que o Bernardo Silva sonhava?
“Ganhar o título com o Mônaco em 2017 é uma das lembranças mais fortes da minha carreira. Foi uma loucura.”
Minha mãe ficava maluca. Eu comia com uma bolinha de futebol, dormia com ela, passava o dia inteiro com ela. Eu sonhava em ser jogador do Benfica. Meu sonho não era ganhar a Liga dos Campeões, era jogar pelo Benfica. Joguei lá dos 7 aos 19 anos, mas atuei em apenas três partidas (na temporada 2013–2014). O treinador (Jorge Jesus) queria me colocar no time B. Enquanto isso, o Mônaco queria me contratar. O clube ia disputar a Liga dos Campeões, e eu tive a oportunidade de me juntar a um time com o Ricardo Carvalho, [João] Moutinho, um treinador português (Leonardo Jardim), um diretor esportivo português (Luis Campos), e jogadores como [Jérémy] Toulalan, [Yannick] Carrasco, [Anthony] Martial, [Geoffrey] Kondogbia e Fabinho. Eu sabia que seria uma grande oportunidade. Mas sair do Benfica foi a coisa mais difícil da minha carreira.
Quais são as suas lembranças da Ligue 1?
Magníficas. Ganhar o título com o Mônaco em 2017 é uma das lembranças mais fortes da minha carreira. Foi uma loucura. No começo, a gente não acreditava. Em janeiro, estávamos em segundo, atrás do PSG. O Nice também estava na briga. A gente pensava: “Caramba, isso é ótimo, vamos lutar por uma vaga na Liga dos Campeões.” Depois passamos para o primeiro lugar e começamos a pensar: “Será que dá? Não, não muito. O PSG é difícil.” Em seguida, era: “Caramba, ainda estamos em primeiro. A gente realmente vai conseguir!” E vencemos. Foi magnífico. Tenho muitas boas lembranças da minha passagem pela Ligue 1.
É um campeonato que costuma ser criticado…
(Ele interrompe.) Não, não. Pessoas que não entendem de futebol e não sabem nada têm o hábito de dizer que o campeonato alemão, fora o Bayern de Munique, não vale nada. Que a Ligue 1, fora o PSG, não vale nada. Isso não é verdade. A Ligue 1 é um campeonato competitivo. Claro que o PSG, com o dinheiro e os jogadores que tem, vai ganhar muito mais do que os outros. Mas se você olha para o Lyon, o Mônaco, o Lille, o Nice, o Marseille, são bons times, com muitos jovens muito talentosos. Também acho que foi mais difícil jogar na França do que na Inglaterra. É mais físico. Talvez também porque no City a gente sempre tem a posse de bola. Mantemos a bola, dominamos o jogo. Mas no Mônaco não era assim. Havia mais jogos disputados, mais físicos. No começo foi até difícil para mim. Eu precisei me adaptar.
Parece que você sempre evitava o contato físico quando era jovem. Isso é verdade?
Sim, e isso foi um problema real para mim. Aos 12 ou 13 anos, a diferença de tamanho entre eu e meus companheiros era grande demais. Eu atingi meu auge físico aos 18. Ainda não sou muito alto, mas naquela época eu era muito, muito pequeno. Ganhei muito fisicamente graças à Ligue 1, um campeonato que exige bastante e me ensinou muito. Nos duelos, saber fazer um desarme, ser agressivo.
Como você joga na Inglaterra se não gosta de duelos físicos?
Como eu era realmente bem pequeno, tive que desenvolver outras qualidades. Tentei pensar mais rápido, evitar melhor o contato. Mas a Ligue 1 me preparou bem. A coisa mais difícil para mim na Inglaterra foi a forma como o City joga. Era muito diferente do Mônaco. No Mônaco, jogávamos muito mais em transição, com [Kylian] Mbappé, [Thomas] Lemar e eu. Aqui, a gente controla o jogo. Foi isso que eu precisei aprender e me adaptar.
Existe algum jogador que você não gosta de enfrentar?
O lateral que eu acho muito forte quando jogo pela direita é o Luke Shaw (Manchester United). Ele é rápido, usa bem os braços e é muito inteligente. O N’Golo Kanté (Chelsea) também. Um jogador magnífico. Ele é físico, forte nos duelos, nas transições e nas recuperações de bola. Também estou pensando no [Giorgio] Chiellini (Los Angeles FC). Na Liga dos Campeões, perdi duas vezes com o Monaco contra ele (contra a Juventus, 0–2, 1–2). Ele era realmente duro, um verdadeiro defensor.
Qual é o seu sonho hoje?
Ganhar a Copa do Mundo com Portugal. Talvez eu jogue em mais uma (2026), ou até duas (2030). Mas eu terei 36 anos. Além disso, também tem a Liga dos Campeões. Eu quero ganhá-la.
Você ainda tem dois anos de contrato com o City. O que você vai fazer na próxima temporada?
Sinceramente, neste momento, eu só penso no City. Temos um título da Premier League, uma FA Cup e uma Liga dos Campeões para disputar
E se olharmos daqui a 10 anos?
Eu terei 38 anos. Já terei me aposentado aos 37. Vou sentir muita falta do futebol. Talvez eu já esteja pensando em voltar como treinador. Mas terei ganhado a Liga dos Campeões. Também terei jogado pelo Benfica. Isso é certo. Eu penso demais em não ter me consolidado no meu clube. E poderei olhar para trás e dizer: “Eu aproveitei ao máximo e fiz tudo pelas minhas equipes, meus companheiros e meus torcedores.”
E você terá tentado outras posições também?
Ha, ha. Isso não depende de mim.
“Hoje, os vencedores do Ballon d'Or são os jogadores que fazem gols.”
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