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Aitana Bonmatí sobre o Terceiro Ballon d’Or: "Estou vivendo um sonho no clube da minha vida"

16/03/2026
Aitana Bonmatí sobre o Terceiro Ballon d’Or: "Estou vivendo um sonho no clube da minha vida"

Após garantir um inesperado, mas histórico, terceiro Ballon d’Or consecutivo, a meia espanhola do Barcelona, Aitana Bonmatí, reflete sobre sua jornada da Catalunha até a cerimônia de 2025.

Escolheu nos encontrar no estádio que leva seu nome, no Club Deportiu Ribes, onde começou a jogar. Por quê aqui?

"Lembro que em 2023 fizemos a entrevista na minha casa, de forma bem discreta, porque foi antes da cerimônia. No ano passado, foi no Estádio Johan Cruyff, perto do centro de treinos do Barça, minha 'segunda casa'. Desta vez, quis fazer algo especial porque esse prêmio é diferente. Pensei que seria bonito voltar às minhas origens, onde comecei a jogar futebol. Na época, era um campo de terra batida (agora é um campo sintético, em parte financiado pelo meu patrocinador). Hoje, leva meu nome, o que é uma grande honra. É importante nunca esquecer de onde viemos."

Quando era criança, a equipe feminina do Barça ainda não era profissional...

"Me sinto privilegiada. Demoro cerca de meia hora para ir e voltar dos treinos. Nunca precisei sair de casa. Tenho a sorte de poder jogar aqui, perto dos meus amigos e família. Estou vivendo um sonho no clube da minha vida. Já estou aqui há quatorze anos."

Agora você tem três Ballons d’Or. Consegue guardar todos aí na sua casa?

"(Sorri) Nem tanto. Ainda tô processando tudo que tá acontecendo... Se alguém me dissesse, quando eu tinha 7 anos e tava começando a jogar, que em 2025 estaríamos fazendo uma entrevista com minhas três Ballons d’Or… Eu nunca teria imaginado. Por isso, tô muito feliz e grata. Também vem com uma responsabilidade: ser um exemplo pras pessoas."

O terceiro Ballon d’Or foi entregue por Andrés Iniesta. Como foi esse momento?

"Mais uma vez, todo mundo foi bem discreto. Foi totalmente inesperado receber esse histórico terceiro Ballon d’Or do Andrés Iniesta, que foi meu ídolo de infância, junto com Xavi. Eles nunca ganharam um Ballon d’Or, mas me ensinaram muito sobre futebol. De certa forma, esse é um Ballon d’Or que compartilho com os jogadores que me inspiraram com sua magia. Andrés só me deu os parabéns. Ele e Xavi sempre me escrevem quando ganho títulos, mas também quando perco. Me sinto próxima deles, algo que nunca imaginei."

"Lionel Messi é um exemplo. Admiro a mentalidade que ele tem desde o começo da carreira; é uma coisa que também vejo em mim."

É a primeira mulher a ganhar três Bolas de Ouro. Entre os homens, junta-se a Johan Cruyff (1971, 1973, 1974), Michel Platini (1983, 1984, 1985) e Marco van Basten (1988, 1989, 1992). O que isso significa para si?

"Esses nomes parecem distantes porque não me lembro de ter visto eles jogando (nasci em 1998). Mas são lendas, gente que marcou o futebol, todo mundo sabe quem são. Especialmente o Cruyff. Ele é, claro, um modelo pra mim também. Por isso uso o número 14 no Barça, por tudo que ele representa. Entrar nessa lista é único, principalmente sendo a primeira mulher a fazer isso. E também me orgulho porque o caminho nem sempre foi fácil. Tive que lutar pelo meu lugar como menina quando jogava com meninos. As pessoas não imaginam tudo que é preciso pra ganhar um prêmio assim."

Na sua biografia, você diz que prefere não ficar no que já conquistou, mas focar no que ainda pode alcançar. Está aproveitando esse momento ou já está de olho no futuro?

"Eu sempre tento aproveitar, mas não é fácil; somos muito exigidas. Esse prêmio é tão grande que os dias passam voando. Mas eu sempre arranjo um tempo para celebrar com minha família e amigos. E dessa vez não vai ser diferente."

Você acha que as 5 Ballons d’Or de Cristiano Ronaldo e as 8 de Lionel Messi estão ao seu alcance?

"(Ri) Não é algo que eu pense. Cada um segue seu próprio caminho, e não preciso me comparar com eles. São jogadores incríveis. Messi é o maior futebolista da história, e duvido que alguém consiga repetir o que ele conquistou. O difícil não é chegar no topo, é se manter lá por muitos anos. Isso é complicado, com toda a pressão que vem junto. Nesse sentido, Messi é um exemplo."

Tem 27 anos. O melhor de Aitana Bonmatí ainda está por vir?

"Não sei quando vou chegar no meu auge; não consigo prever o futuro. (Ela sorri.) Me vejo veterana, mas ainda jovem. Já joguei em muitas competições importantes, mas minha mentalidade e ambição continuam fortes como sempre. Ainda tem muito mais vindo de Aitana!"

O que te motiva?

"Adoro a mentalidade que tenho desde que comecei. Ela me define, mesmo que seja cansativo sempre dar tudo para ser a melhor, sem nunca ceder. Vivo o futebol com paixão. Foi isso que me trouxe até aqui, e vou continuar assim porque tem dado certo."

Esta é o quinto Ballon d'Or consecutivo para uma jogadora espanhola, e do Barça, seguindo Alexia Putellas em 2021 e 2022. Dá para falar em uma era de domínio?

"Quando você coloca assim, sim. Mostra que o Barça e a seleção espanhola fizeram um trabalho incrível. Se olharmos para as finais recentes, tanto de clube quanto de seleção, quase sempre estivemos lá. Às vezes ganhamos, às vezes perdemos. O importante não é só levantar o troféu; é chegar nesse nível e se manter consistente. O futebol se decide por pequenos detalhes. No Europeu, não perdemos nenhum jogo em campo aberto; a final foi decidida nos pênaltis (1-1, 1-3 nos pênaltis contra a Inglaterra). Na Liga dos Campeões, enfrentamos times de ponta como Wolfsburg (4-1, 6-1 nas quartas de final) e Chelsea (4-1, 4-1 nas semifinais) e vencemos de forma convincente. Mas basta um dia ruim para tudo mudar. O Arsenal aproveitou sua única chance contra nós na final (0-1)."

O que você aprendeu com essas derrotas?

"Nos últimos anos, me acostumei a ganhar de tudo, tanto coletivamente quanto individualmente. Perder faz a gente colocar as coisas em perspectiva e reavaliar. Esses momentos difíceis nos dão força para voltar mais fortes e motivadas. Também lembram que qualquer time pode nos vencer. Faz parte do aprendizado."

Quando perde uma final, você costuma mostrar sua medalha de prata na TV ou nas redes sociais. Qual mensagem quer passar?

"Como jogadoras profissionais, temos uma responsabilidade, não só na vitória, mas principalmente na derrota. Perder não é fracasso. Vencemos grandes times para chegar lá. O adversário também merece reconhecimento. É importante aceitar a derrota, admitir que não jogamos nosso melhor naquele dia, ser humilde e parabenizar o outro. Tem que valorizar o caminho, não só a vitória."

Antes do Europeu, você teve um grande susto de saúde com meningite viral, mas voltou rápido e ainda foi eleita a melhor jogadora do torneio. Onde encontrou essa força?

"É principalmente questão de cabeça, mas o físico depende muito da mentalidade. Muita gente se surpreendeu com a rapidez do meu retorno, mas eu sabia o que queria: estar 100% para ajudar o time. Não queria preocupar ninguém. Trabalhei duro para voltar o mais rápido possível. Foi um teste difícil, mas fico feliz de ter conseguido ajudar nos momentos importantes."

O seu gol contra a Alemanha na semifinal (1-0 depois da prorrogação) foi inesquecível. Como foi esse momento?

"Assim como estudamos os jogadores de linha, também analisamos a goleira (Ann-Katrin Berger): seus movimentos, hábitos, se tende a dar um passo para a direita ou para a esquerda. Estávamos na prorrogação, e eu tinha uma imagem na cabeça que já tinha visto e discutido com nossa treinadora de goleiras. É muito preparação, resultado de trabalho duro. Mas também tem um pouco de instinto, espontaneidade."

Perfil da Jogadora Aitana Bonmati

Idade: 27 (Nascida a 18 de janeiro de 1998, em Vilanova i la Geltru, Espanha)
Posição: Médio
Altura/Peso: 1,62m / 51kg
Clube: FC Barcelona (desde agosto de 2016)
Internacional: 78 internacionalizações pela Espanha, 30 golos
Títulos internacionais: Campeonato do Mundo (2023), Liga das Nações (2024), Europeu Sub-17 (2015), Europeu Sub-19 (2017)
Títulos de clube: Liga dos Campeões (2021, 2023, 2024), La Liga (2020-2025), Copa de la Reina (2017, 2018, 2020, 2021, 2022, 2024, 2025), Supertaça Espanhola (2020, 2022, 2023, 2024, 2025)
Títulos individuais: Bola de Ouro (2023, 2024, 2025)
Estatísticas da Época 2024-2025: 58 jogos, 20 golos, 16 assistências.

"Foi instintivo, então decidi finalizar de um ângulo apertado, mirando o poste mais próximo", explicou ela. "Não acredito em coincidência; é trabalho duro e estudo do adversário. Claro que tem o elemento da espontaneidade, mas a base é sempre preparação. O gol 'folha seca' que fiz outro dia contra o DUX Logroño foi diferente - foi pura improvisação, não treino."

Uma Visão de Mundo Moldada pela Família e pelos Livros

Quando perguntaram sobre sua curiosidade pelo mundo, que ela tinha citado numa entrevista anterior à France Football, ela disse que tudo vem da educação: "Com certeza. O que você vive em casa quando é criança te forma. Meus pais sempre me ensinaram valores como compromisso social, igualdade de gênero e lutar por justiça. Sempre vi eles muito envolvidos nessas causas, atentos à desigualdade e aos conflitos no mundo."

"É triste ver que no século XXI ainda existem tantas guerras", continuou. "Gosto de ler sobre a Segunda Guerra Mundial para entender o que aconteceu, e às vezes sinto que a humanidade não aprendeu nada e continua repetindo os mesmos erros. Tudo isso vem deles. A casa deles parecia uma biblioteca, cheia de livros. Graças a eles, aprendi a amar a leitura, a cultura e o desejo de entender o mundo."

Frustração com a Estagnação da La Liga

Há um ano, Aitana foi bem crítica em relação à liga espanhola. Quando perguntaram se as coisas melhoraram, ela respondeu direto: "Infelizmente, não. É uma pena, porque com tudo que conquistamos nos últimos anos, este era o momento de tornar nossa liga uma das melhores do mundo: atrair patrocinadores, investir em marketing... Mas falta vontade política de verdade. Não dá para deixar tudo só nas mãos das organizações. Hoje, não acredito que a La Liga seja a melhor liga do mundo."

"Há muito tempo defendo reduzir o número de times para deixar o campeonato mais competitivo e atraente", acrescentou. "Se as melhores jogadoras se juntarem aos melhores clubes, também terão melhores condições de trabalho. Hoje em dia, alguns times jogam em estádios pequenos e com poucos recursos, e isso atrapalha o desenvolvimento do futebol feminino. Claro que fazemos nossa voz ser ouvida, mas se nada muda, significa que não há vontade real de melhorar. É desanimador. Por outro lado, com a seleção nacional, finalmente estamos vendo progresso, e isso é motivador."

"As jovens jogadoras de hoje são mais impacientes. No entanto, tudo o que vale a pena leva tempo."

Sobre a Nova Geração e a Busca por Motivação

Trabalhar com jovens talentos como Vicky Lopez, a primeira vencedora do Troféu Kopa, dá a ela uma perspectiva única sobre a nova geração: "As jovens jogadoras de hoje são mais impacientes; querem resultados rápidos e às vezes não entendem que existe um processo. Mas tudo que vale a pena leva tempo e esforço. Ao mesmo tempo, elas são confiantes, destemidas, cheias de autoestima. Quando eu entrei no time principal pela primeira vez, era mais cautelosa, tinha mais medo. Elas chegam com ousadia e talento, e isso é incrível."

Depois de conquistar quase todos os títulos possíveis, alguns poderiam dizer que ela “completou o jogo”. Então, o que mantém Aitana motivada? "Teve momentos em que me senti meio vazia, pensando: 'E agora?' Jogar nos mesmos campos, fazer as mesmas viagens - às vezes parece repetitivo. Mas o desejo sempre volta. O que me motiva são os grandes eventos: a Liga dos Campeões, o Campeonato do Mundo (o próximo é no Brasil, em 2027). Esses são os desafios que me fazem continuar melhorando."

Um Futuro no Barça e um Quarto Ballon d'Or?

Recentemente, Aitana renovou seu contrato com o Barça até 2028, marcando sua décima temporada profissional no clube. Sobre o futuro: "Não gosto de pensar muito à frente. Muito depende do momento, de como me sinto. Não dá para saber o que vou querer daqui a quatro ou cinco anos. Por enquanto, estou muito feliz aqui. Espero que o clube continue investindo na gente, porque acho que temos um bom desempenho todos os anos, como mostram as indicações para o Ballon d’Or (6 em 30 em 2025, incluindo eu, Putellas, Guijarro, Pajor, Pina e Graham Hansen)."

Quando perguntaram se ela vai voltar para um quarto Ballon d’Or no próximo ano, ela riu: "Estarei sempre aqui, ganhando ou não. Estarei esperando por ela."

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