Um dos destaques do Ballon d’Or deste ano é o número de clubes que terão um jogador indicado pela primeira vez em sua história.
Embora isso seja positivo em qualquer edição, o número chama ainda mais a atenção desta vez: seis clubes terão representantes inéditos na premiação.
Três deles disputam a Liga Profissional Saudita, um sinal do crescimento expressivo do futebol na região, tanto em visibilidade quanto em qualidade.
Outro é um dos destaques da NWSL, liga feminina de futebol dos Estados Unidos, apesar de ter sido fundado há apenas nove anos.
Os outros dois estão na Europa. Um deles, inclusive, conseguiu um feito notável ao ter um jogador indicado ao Ballon d’Or enquanto disputava a segunda divisão de seu país.
Vamos conhecer cada um deles!
Al-Nassr (Sadio Mané)
As 16 participações em gols do ponta na temporada 2025-26 ajudaram o Al-Nassr a conquistar seu primeiro título do Campeonato Saudita em sete anos. O ex-jogador do Liverpool também foi capitão da seleção de Senegal na campanha até a final da Copa Africana de Nações e brilhou na Copa do Mundo, na qual os Leões de Teranga chegaram às oitavas de final.
Esta é a quinta indicação de Mané ao Ballon d’Or. O senegalês ficou em segundo lugar em 2022, mas esta é a primeira vez que um jogador do Al-Nassr aparece na lista.
Al-Qadsiah (Julián Quiñones)
Jogadores que atuavam na Liga Saudita já foram indicados ao Ballon d’Or, mas, em todos esses casos, eles haviam se transferido para o país na janela de verão europeia, e boa parte das conquistas que justificaram o reconhecimento tinha sido alcançada pelo clube anterior.
Mané e Quiñones têm algo em comum: são os primeiros jogadores a receber uma indicação ao Ballon d’Or com base exclusivamente em suas atuações na Arábia Saudita e pela seleção nacional.
No caso de Quiñones, foram 33 gols pelo Al-Qadsiah na temporada 2025-26, desempenho que lhe garantiu a Chuteira de Ouro do Campeonato Saudita.
O atacante manteve o bom momento na Copa do Mundo de 2026, marcando quatro gols pela seleção mexicana.
Ao saber da indicação, o jogador de 29 anos afirmou:
"Estou muito orgulhoso por ter chegado até aqui. Trabalhei muito para viver esse momento, e agora ele se tornou realidade."
Al-Ahli (Edouard Mendy)
Esta é a terceira indicação do goleiro ao prêmio de Melhor Goleiro do Ano. Em 2021, ele ficou em segundo lugar, atrás de Gianluigi Donnarumma.
Nas duas primeiras ocasiões, Mendy defendia o Chelsea. No entanto, uma temporada 2022-23 abaixo das expectativas fez o senegalês perder espaço na equipe principal e buscar novos desafios.
A transferência para o Al-Ahli naquele verão marcou uma retomada na carreira do goleiro, que passou a acumular jogos sem sofrer gols. Foram 15 partidas sem ser vazado no Campeonato Saudita em sua primeira temporada e outras 12 na seguinte. Em 2025-26, ele manteve a meta intacta em 14 jogos, enquanto o Al-Ahli voltava a brigar pelas primeiras posições da tabela.
O grande destaque, porém, foram suas atuações na Liga dos Campeões da Ásia, que o colocaram novamente na disputa pelo Ballon d’Or.
Na final de abril contra o Machida Zelvia, o goleiro de 34 anos teve uma atuação brilhante. E essa não foi a primeira vez que ele se destacou na competição.
Johan Manzambi (SC Freiburg)
Uma sequência de grandes atuações pela Suíça na Copa do Mundo, incluindo dois gols marcados depois de sair do banco contra a Bósnia, chamou a atenção do mercado e levou o jovem talento a se transferir para o Aston Villa por uma quantia milionária no verão europeu.
O destaque no cenário mundial também contribuiu para que o meia nascido em Genebra fosse indicado ao prêmio de Jovem Talento do Ano em setembro.
Mas sua excelente temporada 2025-26 pelo SC Freiburg também merece reconhecimento. Manzambi marcou sete gols e deu nove assistências, ajudando a equipe alemã a terminar a Bundesliga em sétimo lugar e chegar à final da Liga Europa. Por ironia, o adversário na decisão foi justamente o Aston Villa, que acabou ficando com o título.
Ao longo de seus 122 anos de história, o Freiburg contou com jogadores de destaque, como Vincenzo Grifo e Christian Günter. Ainda assim, esta é a primeira vez que um jogador do clube é indicado ao Ballon d’Or.
Vozinha (GD Chaves)
Desafiando a idade e encarando alguns dos melhores jogadores do mundo, Vozinha protagonizou grandes momentos na Copa do Mundo, especialmente no confronto contra a Espanha, que ficará marcado na memória dos torcedores.
Com sete defesas para parar jogadores como Pedri e Oyarzabal, o goleiro veterano ergueu orgulhosamente a bandeira de Cabo Verde após o apito final, emocionado e exausto.
Foi uma cena digna de cinema.
A atuação contribuiu para que o jogador de 40 anos recebesse uma merecida indicação ao Ballon d’Or, além de abrir caminho para sua transferência ao Colo-Colo, do Chile.
Na temporada 2025-26, Vozinha disputou 19 partidas pelo GD Chaves na segunda divisão portuguesa e não sofreu gols em seis delas.
Manaka Matsukubo (North Carolina Courage)
O sucesso chegou rapidamente ao North Carolina Courage. Apenas um ano após sua fundação, em 2017, o clube conquistou o título da NWSL e o NWSL Shield, prêmio concedido à equipe com a melhor campanha na temporada regular.
Desde então, o time conquistou mais dois NWSL Shields, consolidando-se como uma das principais forças do futebol feminino profissional dos Estados Unidos.
Agora, após uma temporada excepcional de Matsukubo, o clube também conta com uma indicada ao Ballon d’Or. A camisa 10 da seleção japonesa marcou 11 gols na temporada 2025-26, incluindo um hat-trick contra o Bay FC pela NWSL.
As grandes atuações renderam à meia de 22 anos o prêmio de Melhor Meio-Campista da NWSL, antes de sua transferência para o Chelsea no verão europeu.