Em setembro passado, no Théâtre du Châtelet, em Paris, Viktor Gyökeres subiu ao palco com orgulho para receber o Troféu Gerd Müller, depois de marcar 63 gols naquele ano.
Foi um número fora da curva, que acabou ofuscando vários nomes consagrados do futebol mundial, atacantes conhecidos pela capacidade de fazer gols. Erling Haaland, Kylian Mbappé, Harry Kane e Robert Lewandowski também tiveram ótimas marcas, mas todos ficaram na casa dos quarenta.
Só entre o início de março de 2025 e o fim de abril, o jogador de Estocolmo marcou 17 gols em 10 jogos pelo Sporting CP, com uma média de um gol a cada 52 minutos.
Nesse mesmo período, Gyökeres também estava em grande fase pela Suécia: os nove gols na Liga das Nações em seis jogos garantiram a promoção da "Blågult" da Liga C e deixaram claro que o país tinha encontrado um atacante temido, capaz de levar a equipe a um nível que raramente tinha alcançado antes.
Era o melhor nome ofensivo que a Suécia tinha produzido desde Henrik Larsson e, com uma Copa no horizonte, era difícil não imaginar até onde isso podia chegar.
Foi justamente aí que veio uma certa calmaria - se é que dá para chamar isso de calmaria.
Uma calmaria que vira renascimento
Quando o atacante recebeu o prêmio na França - além de demonstrar um orgulho natural por ter ficado em 15.º lugar na categoria principal -, Gyökeres tinha acabado de assinar uma transferência de 63,5 milhões de libras para o Arsenal e, segundo todos os relatos, estava com dificuldades para se adaptar. Um bis logo no início, em casa, contra o Leeds, acabou dando lugar a chances perdidas e atuações praticamente apagadas.
No fim da sua primeira temporada na Premier League, o jogador de 28 anos acabou perdendo espaço e passou a ser mais utilizado como opção vinda do banco.
Além disso, pela seleção da Suécia, os gols também pararam de sair. Tendo chegado à Copa após ser levada diretamente para os playoffs graças ao desempenho na Liga das Nações, a Suécia surpreendentemente não venceu nenhum dos seus jogos de qualificação, e, acompanhando esse momento ruim, Gyökeres não marcou nenhuma vez durante toda a campanha.
Isso ainda abriu outra discussão: um debate no país sobre se ele conseguiria funcionar em sintonia no ataque ao lado de Alexander Isak, a outra grande estrela sueca da Premier League.
É verdade que Isak poderia atuar em uma das pontas do trio ofensivo - como já fez em alguns momentos no Newcastle -, mas até ali os sinais não eram muito animadores.
Por isso, a goleada por 5 a 1 da Suécia sobre a Tunísia, nesta semana, teve tanta importância para um país que sediou a Copa lá em 1958. Gyökeres marcou logo de cara e, no começo do jogo, ainda deu uma assistência para o companheiro de ataque, Isak.
"Juntos, podem ser uma ameaça real. Acho que vão ficar cada vez melhores com o tempo; eles se complementam muito bem."
Essa foi a leitura do técnico da Suécia, Graham Potter, sobre o que viu no domingo e, se estiver certo, Japão e Holanda podem ter problemas nos próximos dias.
Em maio, Gyökeres conquistou a medalha de campeão da Premier League. Agora, está atuando no mais alto nível no maior palco do futebol.
Se esse renascimento continuar, ainda pode ter um retorno à fase mais goleadora de um atacante que, há pouco tempo, ofuscava grandes nomes do futebol.