Há muito tempo existe uma relação interessante entre o reconhecimento no Ballon d'Or e os vencedores da Chuteira de Ouro.
Em 1982, Paolo Rossi superou todos os concorrentes na Espanha e, seis meses depois, conquistou a maior honra individual do futebol.
Em 1986 e 1990, Gary Lineker e Salvatore "Toto" Schillaci marcaram, respectivamente, seis gols - marca que ninguém conseguiu igualar na Copa - e, mais tarde, ambos terminaram em segundo lugar na classificação do Ballon d'Or.
Essa correlação se manteve ao longo dos anos 2000 e, normalmente, como mostram os exemplos acima, existe uma lógica por trás disso.
Primeiro, um jogador brilha nos maiores palcos do futebol; depois, recebe o devido reconhecimento por isso.
Uma elite do futebol lidera a disputa
Exceto desta vez. Exceto nas Américas, neste verão.
Porque nunca antes vimos uma disputa pela Chuteira de Ouro tão envolvente, reunindo tantos jogadores que já marcaram seus nomes na história do Ballon d'Or.
Candidatos à Bota de Ouro em 7 de junho:
Lionel Messi - 7 gols, 320 minutos
Kylian Mbappé - 7 gols, 442 minutos
Erling Haaland - 7 gols, 360 minutos
Harry Kane - 6 gols, 446 minutos
Quando o assunto é histórico no Ballon d'Or, Lionel Messi lidera com folga, com um recorde de oito conquistas. O lendário argentino também terminou entre os três primeiros em outras seis oportunidades.
Kylian Mbappé, por sua vez, já foi indicado oito vezes, incluindo um terceiro lugar em 2023.
Graças à sua impressionante regularidade para marcar gols tanto por clubes quanto pela seleção, Erling Haaland recebeu cinco indicações ao Ballon d'Or e terminou em segundo lugar, atrás de Messi, em 2023.
Naquele mesmo ano, conquistou o Troféu Gerd Müller após marcar 56 gols em 57 partidas pelo Manchester City e pela Noruega.
Harry Kane também tem um Troféu Gerd Müller na coleção. Em 2024, dividiu a premiação com Mbappé depois que ambos atormentaram as melhores defesas da Europa.
O atacante do Bayern de Munique foi indicado seis vezes ao principal prêmio individual do futebol e terminou entre os dez primeiros em metade dessas ocasiões.
Um dos grandes temas deste verão tem sido o protagonismo dos jogadores decisivos, que vêm apresentando o seu melhor futebol. Em nenhum lugar isso fica tão evidente quanto na disputa pela Chuteira de Ouro, que, felizmente - e espera-se -, ainda promete muitas emoções.
Vencedores da Chuteira de Ouro (2010-2022)
Há quatro anos, no Catar, a disputa pela Chuteira de Ouro também reuniu grandes nomes do Ballon d'Or. A diferença é que, naquela edição, apenas dois jogadores permaneceram na briga, que se estendeu até a final.
Lionel Messi e Kylian Mbappé marcaram cinco gols cada um antes do emocionante duelo decisivo entre suas seleções. No fim, Messi teve uma atuação memorável em Lusail, marcando dois gols que ajudaram a Argentina a conquistar seu primeiro título da Copa desde 1986.
Curiosamente, Mbappé terminou do lado derrotado, mesmo após marcar o primeiro hat-trick em uma final de Copa em mais de meio século.
Ainda assim, ficou com o consolo de conquistar a Chuteira de Ouro.
Em 2018, Harry Kane abriu uma vantagem inalcançável na disputa pela Chuteira de Ouro ainda nas oitavas de final e não precisou aumentar sua contagem de gols dali em diante. Naquele momento da carreira, Kane tinha apenas uma indicação ao Ballon d'Or.
Quatro anos antes, no Brasil, James Rodríguez levou a melhor sobre Thomas Müller na disputa por esse prestigiado prêmio individual. Até então, nenhum dos dois havia sido indicado ao Ballon d'Or, mas isso mudou alguns meses depois.
Em 2010, um quarteto de jogadores dividiu a Chuteira de Ouro. Entre eles, apenas David Villa já havia sido indicado ao Ballon d'Or antes do início da Copa.