Em 18 de dezembro de 1956, Stanley Matthews se tornou o primeiro vencedor do Ballon d'Or, superando por pouco o formidável Alfredo Di Stéfano. O argentino acabaria conquistando o prêmio doze meses depois.

Com 41 anos ao receber essa distinção prestigiada, Matthews continua sendo o vencedor mais velho do Ballon d'Or e, de forma impressionante, ainda tinha mais nove temporadas brilhantes pela frente. Para ter uma ideia da sua incrível longevidade, basta considerar o seguinte: ao longo de três décadas no topo do futebol inglês, o lendário ponta teve um companheiro de equipe que começou a jogar em 1912 e, muitos anos depois, outro que se aposentou em 1978.

Ainda assim, ao lembrar a vida e a carreira de um dos filhos mais queridos da Inglaterra, talvez o foco acabe ficando demais na sua longevidade, deixando em segundo plano quem ele era e tudo o que conquistou.

Matthews foi um primeiro vencedor do Ballon d'Or totalmente justo e merecido, porque encantava as multidões e, além do seu enorme talento, foi inovador - tanto na preparação para os jogos quanto na forma como brilhava dentro de campo.

A abordagem dele, da dieta ao treino, estava anos-luz à frente dos seus contemporâneos. Além disso, ao recuar para receber a bola e confiar na própria capacidade de passar pelo adversário, acabou revolucionando de vez o jogo pelos lados do campo.

Curiosidade - Matthews usava sapatos forrados a chumbo antes dos jogos para que suas chuteiras parecessem sapatilhas de bailarina em campo.

O mago do drible: uma técnica que nunca envelheceu

Gary James, fundador da International Football History Conference, concorda que a longevidade do craque no mais alto nível muitas vezes acaba ofuscando o reconhecimento justo dos seus feitos gigantes.

“Stanley Matthews é conhecido pela sua longevidade, jogando até os cinquenta anos, e isso é o que muita gente mais destaca, mas ele era muito mais do que isso.

Era um ponta-direita clássico, que driblava pela lateral com enorme habilidade. Levava muita emoção para o jogo e, sempre que sua equipe jogava na cidade dele, os torcedores apareciam em peso para vê-lo.

Os torcedores adoravam vê-lo driblar os defensores adversários. Sempre buscando evoluir e aprimorar suas próprias habilidades, tanto os torcedores quanto os rivais ficavam se perguntando qual seria o próximo truque que Matthews tinha na manga."

Vencedores mais velhos do Ballon d'Or pela primeira vez

Sir Stanley Matthews - 41 anos e 10 meses

Lionel Messi - 36 anos e 8 meses

Karim Benzema - 34 anos e 10 meses

Lev Yashin - 34 anos e 1 mês

Fabio Cannavaro - 33 anos e 2 meses

Nesse aspecto, Matthews foi um precursor direto de Lionel Messi e Cristiano Ronaldo, gênios modernos que somam juntos 13 Ballons d'Or.

E, assim como essa dupla lendária, o futuro cavaleiro da Ordem do Império Britânico também tinha seus próprios movimentos característicos - jogadas que os adversários já conheciam, mas simplesmente não conseguiam parar.

Muitos laterais sabiam exatamente o que vinha: o ponta do Stoke e do Blackpool tocava a bola para um lado com o peito do pé e, na sequência, empurrava para o outro com o mesmo pé. Mesmo assim, ninguém conseguia impedir.

A consolidação da lenda: 1956 e o nascimento de um ícone

A temporada antes de Matthews ganhar o Ballon d'Or o viu comandar o Blackpool rumo à melhor campanha do clube em 25 anos, terminando como vice-campeão do Manchester United dos “Busby Babes”.

Os “Tangerines” também tinham um time jovem naquele ano, com talentos em ascensão como Jimmy Armfield, que depois jogaria 43 vezes pela Inglaterra. Esses jovens olhavam para Matthews com admiração, inspirados por uma das primeiras superestrelas do futebol, tão icônica naquela época quanto continua sendo hoje.

Apesar de extremamente humilde, o ponta reconheceu mais tarde que a temporada 1955-56 foi uma das melhores da sua carreira. E os jovens ao seu redor seguiram esse exemplo.

Da mesma forma, a enorme influência de Matthews já tinha levado o Blackpool ao sucesso três anos antes, vencendo o Bolton Wanderers naquela que é considerada, até hoje, uma das finais de FA Cup mais marcantes da história.

Antes da partida, o país inteiro falava do desejo de ver Matthews finalmente conquistar um título, depois de duas finais perdidas.

Com milhões de pessoas ouvindo pelo rádio, o veterano fez uma atuação histórica, conduzindo sua equipe a uma vitória emocionante por 4 a 3.

Gary James destaca como era incomum ver um indivíduo receber tanto apoio, em vez de um time inteiro:

“Quando ele ganhou a FA Cup em 1953, parecia que o país inteiro estava torcendo por ele, desesperado para que alcançasse um grande feito. Isso mostrava que o apoio a ele ia além das rivalidades entre clubes.”

Dá para argumentar que foi esse momento que consolidou Matthews como uma lenda única. E o Ballon d'Or três anos depois só reforçou esse status, garantindo que o mundo jamais o esquecesse.