Sergio Ramos não é um zagueiro qualquer. Ao longo da carreira, recebeu seis indicações ao Ballon d’Or (2008, 2012, 2014, 2016, 2017 e 2018) e ainda entrou no top 10 em 2017. Nada disso é comum para um jogador da sua posição. Mas existe uma explicação.
Com o tempo, o espanhol precisou unir disciplina defensiva com uma mentalidade ofensiva rara. Seu sucesso não foi por acaso: foi resultado de uma evolução tática e técnica que o levou da lateral para o centro da defesa.
“Sergio era diferente”
Tudo começou no Sevilla, sob o comando de Joaquín Caparrós. Na temporada 2004-05, Ramos surgiu no futebol espanhol como lateral-direito. E já dava sinais de que não era um defensor comum: subia ao ataque o tempo todo e aparecia na área adversária com frequência.
“Sergio era diferente. Tinha personalidade e uma facilidade incomum para alguém da idade dele. Via o jogo com uma mentalidade ofensiva que poucos defensores têm”, disse Caparrós na época.
Seu destaque foi um gol de falta contra o Real Madrid. Foi justamente esse lance que abriu as portas do Santiago Bernabéu, já que o clube decidiu contratá-lo em setembro de 2005.
Depois de se tornar jogador do Real Madrid, suas qualidades ofensivas e defensivas também o levaram a conquistar um lugar como titular indiscutível na geração histórica da Seleção Espanhola entre 2008 e 2012.
A Copa de 2010: o passo rumo à elite
Aquela seleção espanhola dominava o mundo com o estilo baseado na posse de bola, conhecido como “tiki-taka”. Ainda assim, em meio a tanto talento, Sergio Ramos também se destacava - atuando como lateral-direito na Copa do Mundo de 2010.
Vicente del Bosque, técnico da Espanha campeã, confiava totalmente nele. E os números reforçam isso: Ramos terminou o Mundial com 31 incursões ofensivas e apresentou uma taxa de dribles superior à de muitos pontas.
“Sergio é um jogador com uma coragem extraordinária. Nos dá segurança atrás, mas o seu espírito o leva sempre para frente. É o coração da equipe”, destacou Del Bosque.
Esse capítulo marcante foi apenas o começo. Depois do Mundial, o caminho de Ramos cruzou com o de José Mourinho, treinador que mudaria completamente sua forma de interpretar o jogo.
O ponto de virada
Pouco depois de assumir o Real Madrid, Mourinho tomou uma decisão importante: tirou Sergio Ramos da lateral-direita e passou a utilizá-lo de forma definitiva como zagueiro. Foi uma mudança decisiva na carreira do andaluz.
Ramos evoluiu no aspecto tático, aprimorou sua agressividade e passou a combinar o melhor dos dois mundos: defender e atacar. Entendeu quando precisava ser firme na última linha e quando era o momento certo para aparecer na área adversária.
“Sergio Ramos é, quando está concentrado, um dos melhores defensores do mundo. Tem tudo: força, velocidade e antecipação”, disse Mourinho.
Mesmo assim, sua versão mais completa ainda estava por vir.
A tão desejada décima
Esse último passo veio com Carlo Ancelotti. O treinador italiano potencializou sua capacidade de fazer gols e deu liberdade para que ele avançasse ao ataque quando achasse necessário. E foi exatamente essa liberdade que fez surgir a melhor versão de Sergio Ramos.
Na primeira temporada com Ancelotti, ele marcou 7 gols em 51 jogos. O mais marcante foi na final da Champions League 2013-14 contra o Atlético de Madrid, quando marcou aos 92:48 - um gol decisivo que mudou a história da partida e garantiu a conquista da “Décima”.
“Maldini tinha personalidade, Cannavaro era fantástico na marcação, mas Sergio Ramos é o defensor mais completo que já tive. Tem personalidade, técnica e capacidade de decidir jogos importantes”, afirmou Ancelotti.
Ramos já era um jogador completo: sabia sair jogando sob pressão, conduzir a bola, defender com intensidade, liderar, ler o jogo, se desmarcar na área adversária e finalizar como um atacante.
Com mais de 130 gols oficiais entre clubes e seleção, ele marcou uma era no futebol moderno.
Posições do Ballon d'Or de 2017
Cristiano Ronaldo
Lionel Messi
Neymar
Gianluigi Buffon
Luka Modric
Sergio Ramos
Mais um na elite
Sergio Ramos não será lembrado só pelos títulos, mas por mudar a forma como se enxerga um zagueiro. Antes, a função principal era afastar a bola. Com Ramos, recuperar a posse virou o início do ataque. Escanteio a favor passou a ser quase um pênalti.
Ele mostrou que liderança não é só usar a braçadeira, mas assumir responsabilidade quando o time precisa - inclusive no ataque. Quando o jogo complicava, era comum ver o zagueiro resolvendo.
Sergio Ramos, o capitão de ouro
Indicações ao Ballon d’Or: 6 (2008, 2012, 2014, 2016, 2017 e 2018)
Melhor posição: 6º lugar em 2017
Zagueiro artilheiro: único defensor a marcar em duas finais de Champions League (2014 e 2016) na era moderna
Longevidade: mais de 15 anos no mais alto nível
Capitão histórico: liderou o Real Madrid no tricampeonato da Champions (2016–2018)
Campeão do mundo: Copa do Mundo de 2010 com a Espanha
Companheiro de gigantes: jogou ao lado de Cristiano Ronaldo (Real Madrid) e Lionel Messi (PSG)
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