Quando os craques viram técnicos
Há poucos dias, Zinedine Zidane foi anunciado como o novo técnico da seleção francesa.
Durante a coletiva de apresentação, ele afirmou que assumir o cargo representa a realização de um sonho: "Recebi propostas para assumir clubes durante quatro ou cinco anos, mas recusei todas porque queria esperar pela seleção francesa. Era a única coisa que eu queria fazer. Vou dar tudo de mim para que esta seleção continue vencendo. É isso que me motiva. Estou muito feliz e pronto para este desafio." (Lance!)
Aos 54 anos, o ex-meio-campista terá a missão de dar sequência ao trabalho de Didier Deschamps, que deixou uma marca histórica após 14 anos no comando de Les Bleus. O principal feito foi conquistar a segunda Copa da história da França em 2018, 20 anos depois do primeiro título.
Na campanha do título de 1998, Deschamps dividiu o elenco com Zidane, que acabaria conquistando o Ballon d'Or no fim daquele ano.
Depois, os dois construíram carreiras marcantes como técnicos.
Com isso em mente, fomos atrás dos números para descobrir: qual vencedor do Ballon d'Or teve a carreira mais bem-sucedida como treinador?
Zinedine Zidane - O mestre da Liga dos Campeões
Já que estamos falando de Zidane, seria impossível não destacar suas conquistas como técnico.
Embora seja lembrado principalmente pelo que fez dentro de campo - especialmente pela Juventus, pelo Real Madrid e pela seleção francesa -, "Zizou" também construiu uma das carreiras mais vitoriosas entre os vencedores do Ballon d'Or que seguiram o caminho da beira do campo.
"Gosto de passar adiante tudo o que aprendi no esporte." - Zinedine Zidane
O ex-meio-campista se aposentou aos 34 anos, após o vice-campeonato da França na Copa de 2006, e chegou a dizer que nunca seria treinador. Com o tempo, porém, mudou de ideia e passou a se aproximar da função, especialmente no Real Madrid, clube pelo qual conquistou seis títulos como jogador.
Ao relembrar essa mudança de rumo, Zidane resumiu sua motivação: "Quando me aposentei, dizia que nunca seria treinador. Mas adoro lidar com pessoas e gosto de passar adiante tudo o que aprendi no esporte." (SKWEEK)
No clube espanhol, começou como conselheiro e diretor esportivo, antes de trabalhar como auxiliar de Carlo Ancelotti e assumir o Real Madrid Castilla, em 2014. Os bons resultados fizeram com que fosse promovido ao time principal em janeiro de 2016.
Na época, a escolha foi vista como uma aposta arriscada. Apesar de ser um ídolo do clube, Zidane ainda tinha pouca experiência como treinador.
Mas a aposta deu muito certo.
Poucos meses depois de assumir o clube, Zidane conquistou a Liga dos Campeões.
Em sua primeira temporada completa à frente do time principal, Zizou levou o Real Madrid aos títulos da Supercopa da UEFA, do Mundial de Clubes e da La Liga, além de conquistar mais uma Liga dos Campeões e comandar uma sequência histórica de 40 jogos de invencibilidade.
Na temporada seguinte, fez ainda mais história: conquistou novamente o Mundial de Clubes e se tornou o primeiro técnico a vencer a Liga dos Campeões em três temporadas consecutivas.
Depois de um período tão vitorioso, Zizou decidiu deixar Los Blancos, mas retornou menos de um ano depois. O clube tinha passado por outros treinadores que não conseguiram manter o alto nível deixado pelo francês.
Em sua segunda passagem, entre 2019 e 2021, continuou acumulando troféus e comandou a melhor defesa do Real Madrid na liga em três décadas.
Ao todo, em quase cinco anos e mais de 260 partidas, o time de Zidane teve 66% de aproveitamento, com 174 vitórias e 605 gols marcados.
No total, Zidane conquistou 11 títulos como técnico do Real Madrid: dois Campeonatos Espanhóis, três Ligas dos Campeões, duas Supercopas da Espanha, duas Supercopas da UEFA e dois Mundiais de Clubes da FIFA.
Ou seja: apesar de já ter sido uma peça fundamental na história do clube como jogador, sua passagem como treinador foi ainda mais vitoriosa em número de títulos - quase o dobro das conquistas que teve dentro de campo pelo Madrid.
Agora, resta saber se ele conseguirá levar esse mesmo sucesso para a seleção francesa.
Números da carreira como treinador (apenas como técnico principal):
Início da carreira: 5 anos e 356 dias após a aposentadoria como jogador
Tempo de carreira: 7 anos e contando
Títulos: 11
Equipes comandadas: 5
Maior passagem: Real Madrid (4 anos e 290 dias)
Johan Cruyff - O homem que reinventou o Barcelona
Johan Cruyff é conhecido como um dos maiores e mais influentes jogadores da história do futebol.
Pelo Ajax, pelo Barcelona e pela seleção holandesa, o craque revolucionou o esporte com a filosofia conhecida como "Futebol Total" - a ideia de que qualquer jogador poderia assumir a função de outro dentro da equipe, valorizando adaptação, inteligência e versatilidade.
Como jogador, Cruyff conquistou mais de 20 troféus e três Ballons d'Or - sendo um dos únicos cinco jogadores da história a vencer o prêmio mais de duas vezes.
Mas seu impacto no futebol foi muito além do que fez dentro das quatro linhas.
Ao longo de uma carreira como treinador que durou mais de uma década, Cruyff continuou transformando a forma como o jogo era pensado.
Um ano após se aposentar, em 1984, voltou ao Ajax - dessa vez, como técnico. Com seu status de ídolo já consolidado, rapidamente construiu uma nova reputação no banco de reservas, conquistando duas Copas da Holanda e a Recopa Europeia em 1987.
No ano seguinte, assumiu o comando do Barcelona, outro clube pelo qual tinha brilhado como jogador.
E o desafio era enorme.
Desde sua saída, em 1978, o clube catalão atravessava um período de instabilidade. A equipe tinha perdido uma identidade de jogo clara, e cada novo treinador trazia uma abordagem diferente, afetando os resultados e afastando os torcedores.
Quando chegou ao Barça, Cruyff encontrou um clube em crise, dentro e fora de campo.
Como sempre fez ao longo da carreira, decidiu mudar completamente os rumos da instituição. Reformulou o elenco, alterou os métodos de treinamento - participando ativamente das sessões - e transformou as categorias de base, dando prioridade ao desenvolvimento de jovens talentos e acompanhando de perto o trabalho em La Masia.
"Quando alguém está para baixo, você ajuda essa pessoa a se reerguer. Quando alguém está confiante demais, você a traz de volta à realidade." - Johan Cruyff
Além disso, Cruyff aproximou o estilo do Barcelona aos princípios do seu amado "Futebol Total", implementando um jogo mais dinâmico, baseado na posse de bola, nos passes rápidos, na movimentação constante e na versatilidade dos jogadores.
Essa filosofia também chegou às categorias de base, preparando os jovens para uma transição mais natural ao time principal.
Com isso, o ambiente no Barça começou a mudar. Cruyff estava envolvido em todos os aspectos do clube e tinha uma visão clara de onde queria chegar - uma visão que se provou certeira.
Seu objetivo era criar uma equipe mais unida, coesa e eficiente. Como ele mesmo explicou: "Sou um treinador de pessoas. Tento fazer com que elas caminhem em uma determinada direção. Mas isso não significa que você não possa ser duro com elas. É preciso dizer exatamente o que está bom e o que não está. [...] Quando alguém está para baixo, você ajuda essa pessoa a se reerguer. Quando alguém está confiante demais, você a traz de volta à realidade." (Johan Cruyff Institute)
Ao longo de mais de sete anos e mais de 400 partidas no comando do clube, o Barcelona voltou a se estabelecer como potência nacional e continental. Sob sua liderança, conquistou 11 títulos, incluindo quatro La Ligas consecutivas e a primeira Copa dos Campeões da Europa da história do clube, em 1992.
Apesar do sucesso, Cruyff também ficou conhecido pelo temperamento forte e pela personalidade difícil.
Uma sequência ruim de resultados no fim de sua passagem aumentou os conflitos com o presidente Josep Lluís Núñez, e o treinador acabou demitido em 1996.
Após deixar o Barça, muitos jogadores holandeses queriam que Cruyff assumisse a seleção da Holanda, mas a KNVB escolheu Leo Beenhakker. Com isso, ele passou mais de uma década longe do cargo de treinador, atuando principalmente como conselheiro nos bastidores do Ajax e do Barcelona.
Entre 2009 e 2013, voltou ao banco de reservas para comandar a Catalunha. O destaque veio logo na estreia, quando a equipe venceu a Argentina em um amistoso.
Cruyff faleceu em 2016, aos 68 anos, mas seu legado continua vivo no futebol, tanto na formação de jogadores quanto nas filosofias de treinamento.
Pep Guardiola, descoberto por Cruyff nas categorias de base do Barcelona antes de se tornar um dos maiores seguidores de sua filosofia como treinador, já declarou: "Cruyff foi a pessoa que mais influenciou o futebol no mundo, primeiro como jogador e depois como técnico." (The Guardian)
Ao longo de sua carreira como treinador, Cruyff conquistou 14 troféus e se consolidou como uma das mentes mais importantes da história do futebol.
Números da carreira como treinador (apenas como técnico principal):
Início da carreira: 1 ano após a aposentadoria como jogador
Tempo de carreira: 13 anos e 30 dias
Títulos: 14
Equipes comandadas: 3
Maior passagem: Barcelona (7 anos e 322 dias)
Alfredo Di Stéfano - O arquiteto do Valencia
Primeiro jogador a conquistar o Ballon d'Or mais de uma vez, Alfredo Di Stéfano defendeu Argentina, Colômbia e Espanha ao longo da carreira e acumulou uma coleção impressionante de títulos como jogador. Seu período mais vitorioso foi no Real Madrid, onde conquistou 17 troféus oficiais entre 1953 e 1964.
Um ano depois de pendurar as chuteiras, em 1966, Di Stéfano iniciou sua trajetória como treinador, permanecendo no cargo por mais de 14 anos.
Em sua Argentina natal, teve passagens marcantes pelos dois lados da maior rivalidade do país - ajudando o Boca Juniors a vencer o Campeonato Argentino em 1969, antes de repetir o feito com o River Plate pouco mais de uma década depois.
Na Espanha, também comandou o clube que marcou sua história como jogador: o Real Madrid. À frente da equipe, conquistou a Supercopa da Espanha em 1990, aos 64 anos - seu último grande título como treinador. Depois disso, passou a atuar nos bastidores e, mais tarde, se tornou presidente honorário do clube, cargo que ocupou até sua morte, em 2014.
Seu trabalho mais marcante como técnico, porém, aconteceu em outro clube espanhol: o Valencia.
Ao todo, suas três passagens pelo clube somaram sete anos no comando da equipe, período em que Di Stéfano conquistou mais de 100 vitórias e levantou três títulos - um em cada passagem.
Na primeira, conquistou a primeira La Liga da história do Valencia. Na segunda, levou o clube ao seu primeiro título europeu. Já na terceira, venceu a Segunda Divisão Espanhola e garantiu o retorno da equipe à elite após o rebaixamento na temporada anterior.
Números da carreira como treinador (apenas como técnico principal):
Início da carreira: 1 ano após a aposentadoria como jogador
Tempo de carreira: 14 anos e 296 dias
Títulos: 7
Equipes comandadas: 8
Maior passagem: Valencia (7 anos e 52 dias)
Franz Beckenbauer - O gênio da Alemanha
Menos de um ano após se aposentar dos gramados, em 1983, o lendário zagueiro alemão Franz Beckenbauer iniciou sua trajetória como treinador.
E seu primeiro desafio já seria dos mais difíceis: assumir o comando da seleção alemã.
"Terminar em segundo lugar não é suficiente para mim." - Franz Beckenbauer
A contratação aconteceu antes da reunificação da Alemanha, o que significa que Beckenbauer esteve à frente da última seleção do país que não contava com nenhum jogador da Alemanha Oriental.
Apesar do tamanho da missão e da enorme pressão de comandar uma das maiores seleções do mundo, Beckenbauer mostrou que estava preparado para o desafio.
A Alemanha Ocidental tinha chegado à final da Copa de 1982 sob o comando de Jupp Derwall, mas acabou derrotada pela Itália. Com seu espírito extremamente competitivo, Beckenbauer assumiu a missão de buscar o título e deixou claro que chegar perto não bastava: "Chegamos à final há quatro anos, mas terminar em segundo lugar não é suficiente para mim." (The New York Times)
E ele cumpriu a própria promessa. Sob seu comando, a seleção alemã chegou a duas finais de Copa consecutivas - ambas contra a Argentina.
Depois da derrota em 1986, veio a revanche em 1990, quando a Alemanha venceu os argentinos e conquistou seu terceiro título mundial.
O feito colocou Beckenbauer - que também tinha levantado a Copa de 1974 como jogador - em um grupo extremamente seleto. Ele se tornou um dos três únicos homens da história, ao lado do brasileiro Mário Zagallo e do francês Didier Deschamps, a conquistar a Copa tanto como jogador quanto como treinador.
Após o título mundial, o bicampeão do Ballon d'Or teve uma passagem pelo Olympique de Marseille. Contratado no meio da temporada, comandou o clube na conquista da Ligue 1 em 1991.
Apesar de passagens igualmente curtas à frente do Bayern de Munique logo em seguida - clube pelo qual tinha brilhado por 14 anos como jogador -, ainda conquistou mais dois títulos: a Bundesliga em 1994 e a Copa da UEFA em 1996.
O fim dessa segunda passagem pelo Bayern marcou, na prática, o encerramento da carreira de Beckenbauer como treinador. Ainda assim, ele continuou exercendo grande influência no clube após assumir a presidência em 1994, cargo que ocuparia por 15 anos.
Números da carreira como treinador (apenas como técnico principal):
Início da carreira: 347 dias após a aposentadoria como jogador
Tempo de carreira: 6 anos e 257 dias
Títulos: 4
Equipes comandadas: 3
Maior passagem: Alemanha Ocidental (5 anos e 299 dias)
As outras histórias de liderança
Outros vencedores do Ballon d'Or tiveram carreiras como técnico que, embora menos vitoriosas do que as citadas acima, também merecem destaque.
Stanley Matthews, vencedor do primeiro Ballon d'Or da história, em 1956, começou a trabalhar como técnico apenas um mês após se aposentar dos gramados, em 1965. Teve uma passagem curta e conturbada pelo Port Vale, mas, no início da década de 1970, levou o clube maltês Hibernians à conquista de três títulos.
Luis Suárez, vencedor do Ballon d'Or de 1960, teve uma carreira de 14 anos como treinador, incluindo três passagens diferentes pelo Inter de Milão. Seu maior feito como técnico, porém, veio no comando da seleção espanhola sub-21, que conquistou o Campeonato Europeu da categoria em 1986.
Como jogador-treinador, o vencedor do Ballon d'Or de 1962, Josef Masopust, ajudou o clube belga Crossing Molenbeek a conquistar o acesso à primeira divisão do país em 1968. Embora tenha construído a maior parte de sua história como jogador no Dukla Praga, não conseguiu repetir o mesmo sucesso como técnico pelo clube - o único título nacional tcheco-eslovaco que conquistou como treinador foi com o Zbrojovka Brno (o primeiro da história do clube).
Oleg Blokhin, vencedor do Ballon d'Or de 1975, comandou diversos clubes gregos após encerrar a carreira como jogador, antes de assumir um papel de destaque na seleção da Ucrânia. Um dos principais nomes da história da equipe nacional após a independência do país, teve duas passagens no comando da seleção, somando mais de cinco anos à frente do time. Nesse período, levou a Ucrânia à classificação para a Copa de 2006 e comandou a equipe na Eurocopa de 2012, disputada em casa.
O bicampeão do Ballon d'Or Kevin Keegan, que faleceu neste ano, construiu uma trajetória marcante tanto como jogador quanto como treinador. À frente do Newcastle United, se tornou um dos maiores ídolos da história do clube - não apenas evitando o rebaixamento em duas oportunidades, mas também transformando a equipe em uma verdadeira candidata ao título inglês na década de 1990. Mais tarde, também conquistou o carinho das torcidas do Fulham e do Manchester City, ajudando ambos os clubes a subirem de divisão.
O meio-campista francês Michel Platini, um dos poucos jogadores da história a conquistar três Ballons d'Or, assumiu a seleção francesa entre 1988 e 1992, pouco depois de se aposentar como jogador. Sua campanha nas eliminatórias para a Eurocopa de 1992 foi impressionante: a França venceu todos os oito jogos do grupo e estabeleceu uma sequência recorde de 19 partidas de invencibilidade. O desempenho de Les Bleus no torneio, porém, foi uma grande decepção, e Platini decidiu abandonar definitivamente a carreira como treinador.
Curiosamente, a maior conquista de Ruud Gullit como técnico aconteceu enquanto ele ainda era jogador profissional. Mais de um ano antes de se aposentar, o vencedor do Ballon d'Or de 1987 assumiu a função de jogador-treinador do Chelsea após Glenn Hoddle deixar o cargo para comandar a seleção inglesa. E Gullit surpreendeu. Em sua primeira grande experiência como treinador, levou os Blues ao título da Copa da Inglaterra em 1997 - o primeiro grande troféu do clube em 26 anos. O feito também entrou para a história: ele se tornou o primeiro técnico de fora das Ilhas Britânicas a conquistar um grande título do futebol britânico. O restante de sua trajetória, porém, não teve o mesmo nível de sucesso.
Outro dos poucos jogadores a vencer o Ballon d'Or três vezes, Marco van Basten também seguiu a carreira de técnico após se aposentar. Além de comandar alguns clubes holandeses, ficou conhecido principalmente por sua passagem de mais de três anos à frente da seleção da Holanda, na década de 2000. Sob seu comando, a equipe fez uma campanha perfeita nas eliminatórias para a Copa de 2006, mas, assim como aconteceu com Platini e a França em 1992, decepcionou no torneio. A Holanda também não conseguiu conquistar a Eurocopa de 2008, apesar das vitórias marcantes sobre Itália e França na fase de grupos.
O lendário alemão Lothar Matthäus, vencedor do Ballon d'Or de 1990, iniciou sua trajetória como técnico no começo dos anos 2000. Entre seus trabalhos, esteve o comando das seleções da Hungria e da Bulgária, mas seu principal momento na carreira de treinador veio com o título da SuperLiga da Sérvia pelo Partizan, em 2003.
Jean-Pierre Papin, vencedor do Ballon d'Or de 1991, não teve uma carreira de grande destaque como treinador, mas acumulou alguns feitos interessantes. Ele levou o clube amador Bassin d'Arcachon à promoção na década de 2000 e, mais recentemente, obteve bons resultados no comando do time B do Olympique de Marseille.
Hristo Stoichkov consolidou seu legado como um dos maiores ídolos da história da seleção búlgara durante os tempos de jogador, mas frequentemente enfrentou dificuldades nos anos em que atuou como técnico da equipe. Ainda assim, teve bons momentos à frente do clube búlgaro Litex Lovech e do sul-africano Mamelodi Sundowns.
Matthias Sammer, vencedor do Ballon d'Or de 1996, já era uma lenda do Borussia Dortmund pelos anos como jogador. Pouco depois de pendurar as chuteiras, assumiu o comando da equipe e fortaleceu ainda mais sua ligação com o clube, levando o Dortmund ao título da Bundesliga em 2002.
Andriy Shevchenko, vencedor do Ballon d'Or de 2004, comandou a seleção ucraniana por cinco anos, entre 2016 e 2021. No cargo, ficou conhecido por liderar sua seleção a uma vitória surpreendente sobre a então campeã europeia Portugal, garantindo a classificação para a Eurocopa de 2020. Foi sob o comando de Shevchenko que a equipe alcançou, pela primeira vez na história do país, as quartas de final de uma Eurocopa. Depois de uma passagem breve e sem sucesso pelo Genoa, na Itália, Shevchenko assumiu a presidência da Federação de Futebol da Ucrânia.
Fabio Cannavaro é o vencedor do Ballon d'Or mais recente a seguir carreira como treinador. Premiado em 2006, construiu uma trajetória bastante diversificada à beira do campo, passando por diferentes países e continentes. Conquistou três títulos no futebol chinês, com seus maiores sucessos vindo durante suas duas passagens pelo Guangzhou Evergrande, que somaram quatro anos no comando da equipe. Atualmente, dirige a seleção do Uzbequistão, que recentemente participou de sua primeira Copa do Mundo da história.
Outros vencedores do Ballon d'Or também seguiram carreira como treinadores, mas tiveram trajetórias com conquistas menos expressivas: Omar Sívori, Bobby Charlton, Flórián Albert, Gerd Müller e Allan Simonsen.
O legado além dos gramados
E aí está: os vencedores do Ballon d'Or com as carreiras mais bem-sucedidas como técnicos.
Como se pode ver, são muitos os exemplos que mostram como a paixão pelo jogo dentro de campo muitas vezes se transforma naturalmente na capacidade de comandá-lo fora dele.
Com 11 títulos conquistados como treinador, Zidane é o segundo vencedor do Ballon d'Or com a carreira mais vitoriosa à beira do campo, atrás apenas de Johan Cruyff, que levantou 14 troféus.
Agora fica a pergunta: será que Zizou conseguirá superar Cruyff nos próximos anos, usando todo o seu talento para levar a seleção francesa a novas conquistas - assim como fez no Real Madrid?
Em breve, descobriremos.
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