A indicação ao Ballon d’Or de 2026 veio depois de mais uma temporada de alto nível em 2025-26. Agora, Jude Bellingham soma quatro indicações ao prêmio e terminou em terceiro lugar em 2024. Mas o que foi preciso para chegar tão longe?
Desde cedo, ficou claro que Jude Bellingham estava destinado a chegar longe no futebol.
Do destaque no Stourbridge Juniors, onde já se sobressaía em relação aos companheiros, aos muitos gols marcados pelo time da escola, passando pela entrada na academia do Birmingham aos oito anos, o meia sempre esteve um passo à frente dos jogadores de sua idade.
Aos dez anos, já treinava com a equipe sub-14, divertindo os jogadores mais velhos ao passar a bola entre suas pernas ou por cima de suas cabeças e depois disparar pelo campo. Chegou a virar motivo de orgulho ser "enganado" por aquele garoto tão precoce. Aos 13 anos, já havia sido promovido para a equipe sub-16 do clube.
Com uma combinação extraordinária de talento e facilidade para fazer coisas difíceis parecerem simples, era evidente que o Birmingham tinha uma futura superestrela em suas mãos. Os treinadores sabiam. Seus companheiros sabiam. Parecia apenas uma questão de tempo.
Mas essa certeza esconde uma realidade ainda maior: todos os anos, em todo o país, muitos jovens como Bellingham chegam às academias. Eles também têm um talento natural enorme. Eles também parecem destinados à grandeza.
Quantos conseguem realmente atingir seu potencial, se destacar de forma consistente em todos os níveis e, anos depois, chegar ao Real Madrid por 133,9 milhões de euros e ser indicado ao Ballon d’Or por quatro anos consecutivos? Apenas um.
Para chegar ao nível mais alto, é preciso muito mais do que talento - mesmo quando ele é extraordinário. É necessário que a pessoa cresça junto com o jogador.
Uma lenda antes do tempo: como a expectativa aumentou
Antes de entrar nesse aspecto, vale reconhecer o enorme entusiasmo que acompanhou a ascensão de Bellingham. Aprender a lidar com tanta pressão e expectativas - absorvê-las e até transformá-las em combustível - ajuda muito a explicar o que tornou o inglês tão especial.
Em uma ocasião, quando já se destacava no Birmingham, o clube organizou uma entrevista coletiva simulada antes de um jogo importante das categorias de base contra o Liverpool. A atividade foi feita especialmente para o jovem, que respondeu a perguntas sobre a partida e sobre assuntos mais amplos relacionados ao seu futuro no futebol.
Um de seus antigos treinadores, Mike Dodds, participou da iniciativa e, em outras ocasiões, também procurava criar obstáculos para o jovem talento, desafiando-o a encontrar maneiras de superá-los.
Um exemplo foi justamente o trabalho para desenvolver a resiliência do garoto. Dodds organizava partidas em que Bellingham precisava jogar por uma equipe com apenas dez jogadores.
Quando Bellingham estreou no time principal do Birmingham, aos 16 anos e 38 dias, já havia passado por um enorme processo de preparação - tanto por parte do clube quanto do próprio jogador - para garantir que estivesse pronto. Pronto para se tornar um dos grandes nomes de sua geração.
Construindo um campeão: dedicação, foco e uma dose de ousadia
É interessante notar que antigos treinadores costumam descrever Bellingham como "atrevido" ao lembrar do garoto que surgiu nas categorias de base. Seu entusiasmo sem limites também já foi comparado ao do Tigrão, de "Winnie the Pooh".
Abraçar esse lado da personalidade do jogador foi importante por parte do Birmingham, porque um jovem não pode ser tão obcecado pelo futebol a ponto de deixar de lado a diversão nessa idade. Isso não costuma levar a nada bom. É preciso haver equilíbrio.
Mas, conforme o futebol de base foi dando lugar às exigências do time principal e o adolescente começou a apresentar atuações que rapidamente despertaram o interesse de grandes clubes, as brincadeiras precisaram dar espaço a uma dedicação cada vez maior à evolução - a mentalidade de um campeão.
"Ele nunca desperdiça um treino, nunca desperdiça um minuto na academia, nunca desperdiça uma oportunidade de rever seus vídeos." Mike Dodds lembra assim de Bellingham aos 16 anos, quando o jovem começava a deixar sua marca no Championship.
"Ele é extremamente focado em todas as áreas do seu programa. Se sente que existe uma lacuna no seu jogo, fica quase obcecado em corrigi-la."
O clube do 1%: buscando cada ganho extra
Neste verão, Jude Bellingham brilhou na Copa do Mundo, carregando com naturalidade as esperanças de uma nação e marcando sete gols. Em Madri, enquanto isso, se tornou um ídolo e uma peça fundamental de uma equipe acostumada a conquistar troféus.
Tudo isso é resultado de um talento extraordinário, mas também de incontáveis horas de trabalho, dedicação e sacrifícios feitos ao longo de sua evolução.
John Walker é analista de desempenho com Licença A da UEFA. A seguir, ele explica o que é necessário para chegar ao topo.
"A alimentação é extremamente importante nessa idade, porque você ainda está crescendo. Entender a importância do sono também é fundamental. Depois, existem as câmaras de oxigênio, os banhos de gelo e os dias de recuperação. Além do talento óbvio, é a dedicação para buscar aquele 1% extra que faz a diferença."
"O padrão de excelência são os jogadores que procuram análises individuais fora dos clubes. Durante o verão e nos fins de semana."
"Assistir a vídeos táticos uma vez por semana não vai transformar você em um jogador de nível mundial. Mas será que isso pode melhorar seu desempenho em 1% se você rever seus jogos, analisá-los tecnicamente e realmente se aprofundar em cada toque, em cada momento? Onde erramos um passe para frente e por quê? Onde perdemos um duelo e por quê? Todas essas pequenas coisas podem fazer uma enorme diferença."
"Posso garantir que Jude Bellingham sempre levou tudo isso muito a sério."