As raras exceções

Na maioria dos casos, os vencedores do Ballon d'Or são sinônimos não apenas dos clubes pelos quais se destacaram, mas também das seleções que representaram.

Lionel Messi pela Argentina, Cristiano Ronaldo por Portugal, Ronaldo Nazário pelo Brasil, Zinedine Zidane pela França…

A lista é extensa.

Existem, no entanto, alguns casos raros em que um vencedor do Ballon d'Or defendeu mais de uma seleção ao longo da carreira.

Na verdade, dos 47 vencedores diferentes do Ballon d'Or desde a primeira edição da premiação, em 1956, sete jogadores já representaram mais de uma seleção nacional.

Como isso é possível?

Vamos descobrir ao analisar mais de perto a trajetória desses sete jogadores.

Exemplo 1: Stanley Matthews

Vencedor do primeiro Ballon d'Or da história, em 1956, Stanley Matthews é lembrado principalmente como um dos grandes jogadores ingleses da primeira metade do século XX.

Afinal, o atacante, nascido na cidade de Stoke-on-Trent, em Staffordshire, marcou 11 gols em 54 partidas pela seleção inglesa e conquistou nove títulos do Campeonato das Nações Britânicas (British Home Championship) entre 1935 e 1957, três deles compartilhados com outras seleções.

Ele foi protagonista de vários momentos memoráveis com a seleção inglesa, como a famosa "Batalha de Highbury", em 1934 - quando a Inglaterra derrotou os então campeões mundiais italianos -, além da vitória por 6 a 3 sobre a Alemanha nazista, em Berlim, em 1938.

Matthews também disputou as Copas do Mundo de 1950 e 1954 pela Inglaterra, ajudando a construir uma vitória memorável por 3 a 1 sobre a então campeã Alemanha Ocidental em um amistoso disputado meses depois.

Em outubro de 1956, inclusive, ele se tornou o jogador mais velho da história da seleção inglesa a marcar um gol internacional, aos 41 anos e, no ano seguinte, o mais velho a jogar pela equipe nacional, aos 42.

Ele passou mais de 22 anos vestindo a camisa da seleção, entre 1934 e 1957.

Mas você sabia que, antes de estrear pela seleção inglesa, em 1934, Matthews já havia representado uma seleção alternativa chamada The Football League XI, formada por diferentes talentos que jogavam na liga inglesa da época?

Essa equipe costumava enfrentar a Scottish Football League XI e outras seleções formadas por jogadores de ligas nacionais entre 1891 e 1976.

Matthews também fez três partidas pela seleção representativa da Grã-Bretanha, formada por jogadores das quatro ‘Home Nations’, contra seleções representativas do "Resto da Europa".

A primeira aconteceu em Glasgow, em 1947, para celebrar o retorno das Home Nations à FIFA após mais de 25 anos afastadas. A segunda foi disputada em Belfast, em 1955, para celebrar os 75 anos da federação de futebol da Irlanda. A terceira aconteceu em 1965, quando uma seleção da Grã-Bretanha enfrentou uma seleção do Resto da Europa em uma partida de despedida em homenagem à carreira de Matthews, no ano em que ele se aposentou dos gramados.

Carreira internacional de Stanley Matthews:

  • 1929: Inglaterra (base)

  • 1934 - 1956: The Football League XI

  • 1934 - 1957: Inglaterra

  • 1947 - 1965: Grã-Bretanha

Exemplo 2: Alfredo Di Stéfano

Alfredo Di Stéfano venceu o segundo Ballon d'Or da história da premiação, em 1957, e se tornou o primeiro jogador a vencer o prêmio mais de uma vez ao repetir o feito em 1959.

Mas, quando se fala de Di Stéfano, é difícil dizer com qual seleção ele é mais associado, já que representou três equipes nacionais ou representativas diferentes ao longo da carreira.

Nascido em Buenos Aires, em 1926, Di Stéfano começou a jogar pela seleção da Argentina, seu país natal, no fim de 1947, período em que já fazia história pelo River Plate.

Ele marcou logo na estreia, em uma goleada por 7 a 0 sobre a Bolívia, no Campeonato Sul-Americano daquele ano. Ainda marcaria mais cinco gols ao longo do torneio, incluindo um hat-trick contra a Colômbia, ajudando a Argentina a defender o título conquistado no ano anterior.

No entanto, pouca gente sabia que aquelas seis partidas disputadas por Di Stéfano durante o torneio vitorioso seriam as únicas de toda a sua carreira pela seleção argentina.

Em meio às turbulências que afetaram o futebol argentino naquele período, a Argentina ficou de fora de várias competições em meados do século XX, entre elas os Campeonatos Sul-Americanos de 1949 e 1953 e as eliminatórias para a Copa do Mundo de 1950, no Brasil. 

Durante esse período, Di Stéfano se mudou para a Colômbia para jogar pelo Millonarios. Na época, o futebol colombiano vivia o período conhecido como "El Dorado", marcado pelo desligamento da División Mayor del Fútbol Profesional Colombiano da federação colombiana de futebol. Como consequência, a liga passou a operar fora da estrutura reconhecida pela FIFA e contratou diversos jogadores estrangeiros que ainda tinham vínculo com outros clubes.

Durante esse período, a liga organizou partidas de um combinado formado por jogadores de clubes colombianos contra outras seleções e equipes representativas, e Di Stéfano participou de quatro desses jogos em 1951. Essas partidas não foram reconhecidas como partidas oficiais da seleção colombiana pela FIFA.

A situação contribuiu para que Di Stéfano ficasse impedido de representar novamente a Argentina.

Di Stéfano assinou com o gigante espanhol Real Madrid em 1953 e teve uma epifania: já que não podia mais jogar pela Argentina, por que não jogar pela Espanha? Após se tornar cidadão espanhol em 1956, a possibilidade de defender a seleção espanhola foi finalmente viabilizada.

Depois de uma série de questões relacionadas à sua elegibilidade internacional, Di Stéfano recebeu autorização para representar a Espanha e fez sua estreia pela 'La Roja' em janeiro de 1957, marcando um hat-trick já na estreia, em uma vitória por 5 a 1 sobre a Holanda.

A Espanha de Di Stéfano era considerada uma das equipes mais fortes para a Copa do Mundo de 1958, mas teve uma campanha decepcionante nas eliminatórias e não se classificou para o torneio. E, embora tenha conseguido se classificar com a seleção para a edição de 1962, o craque do Real Madrid acabou não podendo jogar por causa de uma lesão sofrida antes da competição. Até hoje, é considerado um dos maiores jogadores da história a nunca ter disputado uma Copa do Mundo.

(Presse Sports)

Depois de não poder atuar na Copa de 1962, Di Stéfano nunca mais voltou a defender a seleção.

Apesar de suas 31 partidas e 23 gols pela Espanha, a única conquista de Di Stéfano por uma seleção permaneceu sendo aquele Campeonato Sul-Americano de 1947, pela Argentina.

Carreira internacional de Alfredo Di Stéfano:

  • 1947: Argentina

  • 1951: Colômbia

  • 1957-1961: Espanha

Exemplo 3: Omar Sívori

Assim como Di Stéfano, o também ídolo do River Plate Omar Sívori, vencedor do Ballon d'Or em 1961, começou sua carreira internacional defendendo sua Argentina natal.

Nascido na cidade de San Nicolás de los Arroyos, na província de Buenos Aires, o atacante jogou pela Albiceleste entre 1956 e 1957.

Na época, a seleção tinha um ataque poderoso, liderado pelo icônico trio conhecido como "Caras Sucias" (Rostos Sujos) - formado por Sívori, Humberto Maschio e Antonio Angelillo.

Depois de um ótimo torneio com a Argentina no Campeonato Panamericano de 1956, Sívori voltou a se destacar ao lado de seus companheiros de ataque e ajudou a seleção a conquistar o Campeonato Sul-Americano de 1957, uma década depois de Di Stéfano fazer o mesmo.

Os Caras Sucias dominaram todos os jogos do torneio, com resultados memoráveis, como a vitória por 8 a 2 sobre a Colômbia e o triunfo por 3 a 0 sobre o Brasil.

No total, Sívori marcou nove gols em 19 partidas pela seleção argentina.

Em 1957, a Juventus pagou uma quantia recorde na época para contratar Sívori do River Plate, e o atacante se mudou para a Europa. O valor recebido pelo River ajudou o clube a concluir a quarta arquibancada de seu icônico estádio, o El Monumental, hoje o maior da América do Sul.

Maschio e Angelillo também se transferiram para a Itália nesse período, e a federação argentina deixou de convocar o trio, o que efetivamente os tirou da disputa da Copa do Mundo de 1958.

Assim como Di Stéfano havia feito com a Espanha, Sívori obteve a cidadania italiana graças à sua ascendência italiana.

Sívori estreou pela seleção italiana em 1961, quatro anos depois de sua última partida pela Argentina. Sua passagem pela Azzurra se estendeu até 1962, período em que disputou a Copa do Mundo, mas a Itália acabou sendo eliminada de forma inesperada ainda na primeira fase.

Mesmo assim, Sívori marcou oito gols em apenas nove partidas pela seleção italiana.

Carreira internacional de Omar Sívori:

  • 1956 - 1957: Argentina

  • 1961 - 1962: Itália

Exemplo 4: Michel Platini

Este aqui, sem dúvida, vai surpreender muita gente.

Michel Platini, vencedor de três Ballons d'Or e considerado um dos maiores jogadores de todos os tempos, é tão conhecido por suas passagens de sucesso por Nancy, Saint-Étienne e Juventus quanto por sua incrível carreira pela seleção francesa.

Platini nasceu em 1955, na comuna de Jœuf, na região do Grande Leste da França, e começou a jogar pelas categorias de base da seleção francesa já em 1973. Estreou pela equipe principal três anos depois, e o resto é história.

O meia-atacante acabaria jogando por mais de uma década pela seleção francesa, marcando 41 gols em 72 partidas, feito que ainda o mantém como o quinto maior artilheiro da história do país.

Em 1984, Platini foi capitão da França na conquista da Eurocopa, em casa - o primeiro grande título internacional do país. Ele foi o grande destaque do torneio, marcando nove dos 14 gols da França em apenas cinco partidas, com direito a dois hat-tricks "perfeitos", contra Bélgica e Iugoslávia, além de um gol decisivo contra Portugal na semifinal e um gol de falta contra a Espanha na final.

No ano seguinte, ele ajudou a França a vencer o Troféu Artemio Franchi, precursor da atual Finalíssima, contra o Uruguai.

Ele disputou três Copas do Mundo pela França, com o melhor resultado sendo o terceiro lugar em 1986.

Platini também fortaleceu ainda mais seu vínculo com a seleção francesa ao assumir o cargo de técnico entre 1988 e 1992.

Por isso, pode ser surpreendente descobrir que, tecnicamente, ele também entrou em campo por outra seleção como jogador.

Alguma ideia de qual?

Não, não é a Itália, apesar de seus dois pais terem ascendência italiana.

A verdadeira resposta é bem mais curiosa.

Platini se aposentou dos gramados em 1987, aos 32 anos. 

Um ano depois, decidiu voltar para disputar uma única partida - não pela França, Nancy, Saint-Étienne ou Juventus… mas sim pelo Kuwait.

Isso mesmo: o Kuwait, o pequeno país do Oriente Médio que havia disputado sua primeira - e, até agora, única - Copa do Mundo poucos anos antes, em 1982. Na fase de grupos daquela edição, inclusive, a França de Platini havia derrotado a seleção estreante por 4 a 1.

A convite do emir do Kuwait, Platini entrou em campo pela seleção do país por 21 minutos naquele único amistoso, disputado em novembro de 1988, na derrota por 2 a 0 para a União Soviética. 

Lecoq (Presse Sports)

Apesar de parecer estranho hoje em dia, a participação não foi um choque tão grande na época. Platini já tinha relações com o futebol do Oriente Médio e estava na região em atividades promocionais ligadas à sua marca de roupas.

A partida contra a União Soviética acabou sendo a última vez que Platini entrou em campo como jogador, e ele deixou o campo sob uma ovação de pé diante de uma grande multidão.

Carreira internacional de Michel Platini:

  • 1975 - 1976: França (base)

  • 1976 - 1987: França

  • 1988: Kuwait

Exemplos 5 e 6: Lothar Matthäus e Matthias Sammer

O vencedor do Ballon d'Or de 1990, Lothar Matthäus, e o vencedor de 1996, Matthias Sammer, aparecem juntos nesta lista por um motivo histórico: ambos defenderam uma das duas Alemanhas antes de jogarem pela Alemanha reunificada.

Depois que a Alemanha nazista se rendeu às potências aliadas, em maio de 1945, encerrando a guerra na Europa, o país perdeu parte de seu território e foi dividido sob a autoridade conjunta dos Estados Unidos, da União Soviética, do Reino Unido e da França.

No entanto, com o início da Guerra Fria poucos anos depois, os soviéticos deixaram o Conselho de Controle Aliado em 1948, e dois novos estados alemães foram formados em 1949: a República Federal da Alemanha, alinhada às potências ocidentais - a Alemanha Ocidental -, e a República Democrática Alemã, alinhada à União Soviética - a Alemanha Oriental.

Os dois estados desenvolveram suas próprias seleções e federações de futebol após a divisão. 

A Alemanha Ocidental venceu, com destaque, três Copas do Mundo (1954, 1974 e 1990) e duas Eurocopas (1972 e 1980), enquanto o maior título internacional conquistado pela seleção principal masculina da Alemanha Oriental foi o ouro olímpico de 1976.

Em março de 1961, Lothar Matthäus nasceu em Erlangen, na Baviera, Alemanha Ocidental. Seu pai, Heinz, havia fugido do sul da Silésia na década de 1940, pelo rio Oder, para escapar do avanço soviético na região.

Alguns anos depois, em setembro de 1967, Matthias Sammer nasceu em Dresden, capital do estado da Saxônia, na Alemanha Oriental. Seu pai, Klaus, foi jogador e técnico, também natural da Saxônia - nascido na pequena cidade de Gröditz.

O que se segue são duas histórias que, por muitos anos, se desenrolaram separadamente.

Matthäus estreou pela seleção da Alemanha Ocidental em 1980, vencendo a Eurocopa naquele mesmo ano.

Nos anos seguintes, ele se tornaria sinônimo da seleção e, até hoje, detém o recorde de mais partidas disputadas pela Alemanha, com 150.

Sua conquista mais marcante foi capitanear o país à conquista da Copa do Mundo de 1990, sendo elogiado como uma liderança fundamental no título e um dos melhores jogadores do torneio.

Já Sammer defendeu a Alemanha Oriental, que conquistou o título da Eurocopa Sub-18 em 1986. Naquele mesmo ano, ele também estreou pela seleção principal.

No total, ele fez 23 partidas pela seleção e foi capitão na última partida da Alemanha Oriental como nação - uma vitória por 2 a 0 sobre a Bélgica, na qual marcou os dois gols.

É claro que tudo estava prestes a mudar.

Quando Matthäus levantou a taça da Copa do Mundo pela Alemanha Ocidental em 1990, o Muro de Berlim - que dividia os dois lados da cidade mais importante do país - já havia caído meses antes.

Pouco depois, em outubro de 1990, a Alemanha foi oficialmente reunificada, após o colapso do governo da Alemanha Oriental e a abertura de suas fronteiras.

No futebol, a reunificação ocorreu pouco depois: a federação da Alemanha Oriental foi dissolvida, e sua estrutura passou a fazer parte do sistema da federação da Alemanha Ocidental, dando origem a uma única estrutura do futebol alemão.

A seleção da Alemanha Ocidental também passou a representar a Alemanha reunificada, sendo gradualmente integrada por jogadores da antiga Alemanha Oriental.

No fim de 1990, a seleção alemã era composta majoritariamente pelos jogadores da Alemanha Ocidental que haviam conquistado a Copa do Mundo meses antes. Sammer, porém, também foi integrado ao grupo como uma de suas principais estrelas, fazendo sua estreia pela Alemanha reunificada em dezembro daquele ano.

Lecoq Andre (Presse Sports)

Matthäus e Sammer jogaram juntos pela Alemanha em dois grandes torneios: a Eurocopa de 1992, na qual a Alemanha terminou como vice-campeã, e a Copa do Mundo de 1994, na qual a Alemanha foi eliminada nas quartas de final.

Sammer também conquistou a Eurocopa com a Alemanha em 1996, embora Matthäus não fizesse parte do elenco naquela edição.

No ano seguinte, Sammer se aposentou da seleção, aos 29 anos, enquanto Matthäus só se aposentaria em 2000, aos 39.

Carreira internacional de Lothar Matthäus:

  • 1979 - 1981: Alemanha Ocidental (base)

  • 1980 - 1990: Alemanha Ocidental

  • 1990 - 2000: Alemanha

Carreira internacional de Matthias Sammer:

  • 1982 - 1988: Alemanha Oriental (base)

  • 1986 - 1990: Alemanha Oriental

  • 1990 - 1997: Alemanha

Exemplo 7: Pavel Nedvěd

A história geopolítica mundial também ajuda a explicar a trajetória internacional do vencedor do Ballon d'Or de 2003, Pavel Nedvěd.

O meio-campista tcheco nasceu em Cheb, em 1972. Na época, a cidade ficava no extremo oeste da então Tchecoslováquia. Nedvěd cresceu na vizinha Skalná, também localizada na mesma região.

Nedvěd começou a carreira nos clubes ainda criança, passando por times de base como Tatran Skalná e Rudá Hvězda Cheb, antes de assinar seu primeiro contrato profissional com o Škoda Plzeň, em 1990. Como parte do serviço militar naquele mesmo ano, foi emprestado ao Dukla Praga, clube sediado na capital do país e administrado pelo Exército.

Durante seu primeiro ano no clube, Nedvěd também jogou pelo VTJ Dukla Tábor, um time de divisão inferior igualmente operado pelo Exército. Ao concluir o serviço militar e o empréstimo ao Dukla, o meio-campista se transferiu para o Sparta Praga, em 1992, clube com o qual conquistou o título da Primeira Liga Tchecoslovaca.

Entre 1992 e 1993, Nedvěd fez sete partidas pela seleção Sub-21 da Tchecoslováquia.

No entanto, após a queda do governo comunista durante a Revolução de Veludo, em novembro de 1989, a Tchecoslováquia foi dissolvida pacificamente, com dois novos estados soberanos - a República Tcheca e a Eslováquia - surgindo oficialmente em janeiro de 1993.

A antiga seleção da Tchecoslováquia, campeã da Eurocopa em 1976 e das Olimpíadas em 1980, além de duas vezes vice-campeã mundial (em 1934 e 1962), disputou sua última partida em novembro de 1993. A partir de então, a República Tcheca e a Eslováquia passaram a ser representadas por suas próprias seleções nacionais.

Embora Nedvěd tenha defendido a Tchecoslováquia nas categorias de base, ele nunca chegou a atuar pela seleção principal do país. Em vez disso, recebeu sua primeira convocação para a seleção da República Tcheca em 1994.

Ele vestiria a camisa do país por mais de uma década, marcando 18 gols em 91 partidas.

O momento mais marcante de sua carreira foi ajudar a levar o país até a final da Eurocopa de 1996, o primeiro grande torneio internacional do qual participou. Nedvěd teve uma atuação impressionante na semifinal contra a França, mas os tchecos acabaram perdendo o título para a Alemanha na final.

Nedvěd também disputou as Eurocopas de 2000 e 2004, sendo incluído na Seleção do Torneio nesta última, além da Copa do Mundo de 2006 - a primeira participação do país na competição desde a dissolução da Tchecoslováquia.

A campanha foi decepcionante, marcada por uma eliminação precoce, e Nedvěd se aposentou da seleção após o torneio.

Carreira internacional de Pavel Nedvěd:

  • 1992 - 1993: Tchecoslováquia (base)

  • 1994 - 2006: República Tcheca

Isso pode acontecer novamente?

Então, aí está: os sete vencedores do Ballon d'Or que jogaram por mais de uma seleção ao longo da carreira.

Será que algo assim pode acontecer de novo?

Ou seja: será que um futuro vencedor do Ballon d'Or também pode vir a jogar por mais de uma seleção?

Bem… sim, mas apenas em circunstâncias bastante específicas.

Uma mudança nas regras de elegibilidade da FIFA, aprovada em 2020, permite que determinados jogadores troquem de associação e passem a defender outra seleção.

Para isso, entre outros requisitos, o jogador precisa ter disputado no máximo três partidas pela seleção principal, sejam elas oficiais ou não; ter feito sua última partida oficial pela seleção anterior antes dos 21 anos; e esperar pelo menos três anos desde sua última partida pela equipe principal.

Além disso, o jogador não pode ter disputado, pela seleção anterior, uma fase final de Copa do Mundo ou de uma competição organizada por uma confederação, como a Eurocopa ou a Copa América. Partidas de eliminatórias, por outro lado, não impedem necessariamente uma futura troca de associação.

Por fim, o jogador já precisa ter a nacionalidade da associação que deseja representar no momento em que disputar sua primeira partida em uma competição oficial pela seleção anterior.

Será, então, que um dia veremos outro vencedor do Ballon d'Or que tenha representado mais de uma seleção?

Só o tempo vai dizer.