Um feito histórico
Na vitória de ontem nas quartas de final da Copa do Mundo de 2026 contra Marrocos, os atacantes franceses Kylian Mbappé e Ousmane Dembélé entraram para a história. Eles se tornaram a primeira dupla de uma mesma seleção a marcar cinco ou mais gols cada em uma única edição da Copa do Mundo desde os brasileiros Ronaldo e Rivaldo, em 2002.
Os números, aliás, são exatamente os mesmos até agora.
Ronaldo marcou 8 gols na Copa de 2002, e Mbappé também já soma 8 nesta edição. Rivaldo balançou as redes 5 vezes em 2002, e Dembélé igualmente chegou aos 5 gols no torneio.
Mas o destaque está no "até agora". Como a Copa de 2026 ainda não acabou, a dupla francesa tem a chance de ultrapassar as marcas da histórica parceria brasileira antes do fim da competição.
Cada vez mais perto do topo
Mbappé, inclusive, já deixou Ronaldo para trás no ranking de maiores artilheiros da história das Copas do Mundo. O atacante de 27 anos, do Real Madrid, ocupa atualmente a segunda colocação, atrás apenas de Lionel Messi, vencedor de oito Ballons d’Or.
Maiores artilheiros da história das Copas do Mundo da FIFA:
Lionel Messi (Argentina) - 21 gols
Kylian Mbappé (França) - 20 gols
Miroslav Klose (Alemanha) - 16 gols
Ronaldo (Brasil) - 15 gols
Gerd Müller (Alemanha Ocidental) / Harry Kane (Inglaterra) - 14 gols
Mbappé também deixou Ronaldo para trás recentemente em outro quesito: o número de gols pela seleção. O Fenômeno encerrou sua trajetória com 62 gols pelo Brasil, enquanto o craque francês já chegou aos 64 pela França.
Curiosamente, porém, embora esse número faça de Mbappé o maior artilheiro da história da seleção francesa, ele ainda está longe do maior artilheiro da seleção brasileira, Neymar, que marcou 80 gols pelo país.
As comparações entre as duplas Ronaldo-Rivaldo e Mbappé-Dembélé têm sido inevitáveis - e não é por acaso. Assim como os brasileiros em 2002, os franceses vêm comandando um dos ataques mais letais desta Copa.
As peças por trás do sucesso
Mas eles não carregam esse peso sozinhos.
Mesmo sem marcar nenhum gol até agora, Michael Olise, do Bayern de Munique, tem sido um dos grandes destaques da campanha francesa, distribuindo 6 assistências e desempenhando um papel decisivo na criação das jogadas.
Esse perfil - o de garçom da equipe - também esteve presente em 2002, na figura de Ronaldinho, que deu 3 assistências importantes no torneio. Embora esse número seja metade do que Olise já registrou em 2026, Ronaldinho também balançou as redes duas vezes, algo que o francês ainda não fez.
O mesmo caminho?
Outro paralelo interessante entre Brasil e França está no contexto de suas campanhas em Copas do Mundo.
2002 foi a terceira final consecutiva do Brasil no torneio. A seleção tinha erguido a taça em 1994 (contra a Itália), chegado à final e perdido em 1998 (contra a França), e finalmente voltado a ser campeã em 2002 (contra a Alemanha).
A França vive um cenário muito parecido. Os franceses ergueram a taça em 2018 (contra a Croácia), chegaram à final mas não conseguiram vencer em 2022 (contra a Argentina), e agora tentam seguir os passos do Brasil, buscando chegar novamente à final este ano e conquistar o título mais uma vez.
Existe, porém, um detalhe que pode deixar os torcedores franceses um pouco apreensivos. Depois do título de 2002, o Brasil nunca mais voltou a disputar uma final de Copa do Mundo, sendo eliminado antes da decisão em todas as edições seguintes.
O legado no Ballon d'Or
De qualquer forma, aquela geração campeã de 2002 entrou para sempre na história do futebol. E dois dos principais nomes daquele time, Ronaldo e Rivaldo, também deixaram sua marca no Ballon d'Or.
Ronaldo e Rivaldo no Ballon d'Or:
Ronaldo - 9 indicações e 2 vitórias (1997 e 2002)
Rivaldo - 6 indicações e 1 vitória (1999)
Esses números mostram que os brasileiros ainda levam vantagem no Ballon d'Or, com um total de 15 indicações e 3 vitórias. Já os craques franceses de 2026 somam um total de 9 indicações e 1 vitória.
Mbappé e Dembélé no Ballon d'Or:
Kylian Mbappé - 8 indicações
Ousmane Dembélé - 1 indicação e 1 vitória (2025)
Ronaldinho e Olise também podem ser comparados sob essa ótica, em que o brasileiro novamente leva vantagem, com 6 indicações e 1 vitória (2005), enquanto Olise tem apenas 1 indicação até o momento.
É importante lembrar, porém, que existe uma diferença de contexto. Os números de Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho representam carreiras já encerradas, enquanto Mbappé, Dembélé e Olise ainda estão em plena atividade e têm tempo de sobra para aumentar suas marcas.
O último paralelo
Para quem acredita no destino, existe ainda um último sinal de que a dupla francesa de 2026 pode estar seguindo os passos da dupla brasileira de 2002.
Quando Ronaldo e Rivaldo conquistaram a Copa do Mundo em 2002, o Brasil disputava sua 17ª participação na história do torneio.
Por incrível que pareça, a Copa de 2026 também marca a 17ª participação da França na história do torneio.
Será, então, que os astros realmente estão se alinhando?
Serão Mbappé e Dembélé os novos Ronaldo e Rivaldo?
Conseguirão levantar a taça e eternizar seus nomes entre as maiores duplas da história das Copas?
Muito em breve, teremos a resposta.