Os japoneses indicados na cerimônia do Ballon d’Or

A cerimônia do Ballon d’Or de 2026 marca um momento histórico para o futebol japonês.

Nesta edição, quatro jogadores japoneses foram indicados a prêmios, um recorde para o país - especialmente impressionante quando se considera que nenhum japonês foi indicado a qualquer prêmio na cerimônia do ano passado.

Com isso, o número total de japoneses indicados ao longo da história da cerimônia chega a 10.

Japoneses indicados a prêmios nas cerimônias do Ballon d’Or:

  1. Hidetoshi Nakata: indicado ao Ballon d’Or masculino em 1998, 1999 e 2001

  2. Junichi Inamoto: indicado ao Ballon d’Or masculino em 2002

  3. Shunsuke Nakamura: indicado ao Ballon d’Or masculino em 2007

  4. Saki Kumagai: indicada ao Ballon d’Or feminino em 2018

  5. Ritsu Dōan: indicado ao prêmio de Jovem Talento Masculino da Temporada em 2018

  6. Hinata Miyazawa: indicada ao Ballon d’Or feminino em 2023

  7. Yui Hasegawa: indicada ao Ballon d’Or feminino em 2023, 2024 e 2026

  8. Manaka Matsukubo: indicada ao Ballon d’Or feminino em 2026

  9. Momoko Tanikawa: indicada ao Ballon d’Or feminino em 2026

  10. Ayaka Yamashita: indicada ao prêmio de Goleira da Temporada em 2026

Mas como cada um desses jogadores chegou a esse reconhecimento? Vamos conhecer melhor suas trajetórias e os momentos que marcaram suas indicações.

Embora a primeira cerimônia do Ballon d’Or tenha acontecido em 1956, jogadores de fora da Europa só passaram a ser elegíveis ao prêmio em 1995.

Naquele ano, o atacante liberiano George Weah entrou para a história como o primeiro jogador a conquistar o Ballon d’Or sem defender uma seleção europeia.

Hidetoshi Nakata: sensação na Itália

Três anos depois, em 1998, foi a vez de Hidetoshi Nakata fazer história: ele se tornou o primeiro japonês indicado ao prêmio.

Aos 21 anos na época da cerimônia, o meio-campista também foi o primeiro jogador asiático a receber uma indicação ao Ballon d’Or.

O reconhecimento veio após Nakata desempenhar um papel fundamental na seleção japonesa que conquistou a Copa Dynasty e garantiu a classificação para a Copa do Mundo de 1998, na França. Pouco depois do torneio, ele foi contratado pelo Perugia, da Serie A italiana.

Nakata voltou a ser indicado em 1999, aos 22 anos, após sua primeira temporada no futebol italiano. Recém-chegado do Bellmare Hiratsuka, do Japão, o meio-campista rapidamente se destacou pelo Perugia: marcou 10 gols e ajudou a equipe a permanecer na elite do futebol italiano.

Papon (Presse Sports)
Papon (Presse Sports)

Embora não tenha recebido votos em 1998 nem em 1999, Nakata terminou na 28ª posição do ranking em sua terceira e última indicação, em 2001, aos 24 anos.

Dessa vez, o reconhecimento veio após sua segunda temporada na Roma, quando conquistou o Campeonato Italiano com o clube.

Um dos momentos mais marcantes de Nakata pela Roma aconteceu em maio daquele ano, contra a Juventus, no Stadio Delle Alpi. Com a equipe perdendo por dois gols de diferença, ele entrou no segundo tempo no lugar de Francesco Totti, ídolo da torcida, e mudou o rumo da partida. Primeiro, marcou um golaço de cerca de 30 metros, sem dar chances ao goleiro holandês Edwin van der Sar. Depois, deu assistência para Vincenzo Montella marcar o gol de empate. O 2 a 2 manteve a Roma com uma confortável vantagem de seis pontos na liderança do campeonato.

Naquele mesmo ano, Nakata também ajudou o Japão a chegar à final da Copa das Confederações e foi eleito para a Seleção do Torneio. Em seguida, transferiu-se para o Parma, em uma negociação que estabeleceu um recorde mundial para uma transferência envolvendo um jogador asiático.

Junichi Inamoto: destaque na Copa 

Em 2002, outro japonês entrou para a lista de indicados ao Ballon d’Or.

Dessa vez, o escolhido foi o meio-campista Junichi Inamoto, que chamou a atenção por suas atuações pela seleção japonesa na Copa do Mundo. Ele ajudou o país a alcançar as oitavas de final pela primeira vez na história.

Naquele ano, Inamoto também chegou ao Fulham por empréstimo. No clube inglês, conquistou a torcida e marcou quatro gols nos dois jogos da histórica final da Copa Intertoto da UEFA, vencida contra o Bologna.

Aos 22 anos, o meio-campista não recebeu votos na disputa pelo Ballon d’Or.

Shunsuke Nakamura: mestre das faltas

Cinco anos depois, em 2007, foi a vez de Shunsuke Nakamura receber uma indicação. Aos 29 anos, ele terminou na 36ª posição do ranking.

Em sua segunda temporada no Celtic, o meia-atacante já havia se consolidado como um dos principais jogadores do clube, se não o principal.

Logo em sua estreia na Liga dos Campeões, contra o Manchester United, em Old Trafford, no início da temporada, ele marcou um gol de falta que garantiu o empate para a equipe escocesa.

Em novembro de 2006, Nakamura voltou a balançar as redes em uma cobrança de falta contra o United, ajudando o Celtic a se classificar pela primeira vez para a fase eliminatória da competição.

E os golaços não pararam por aí. Em dezembro, ele marcou um belo gol por cobertura contra o Dundee United, eleito o Gol da Temporada do Campeonato Escocês.

Em abril de 2007, o Celtic conquistou o Campeonato Escocês pelo segundo ano consecutivo, com uma vitória dramática sobre o Kilmarnock. Nakamura marcou o gol decisivo em uma cobrança de falta nos acréscimos.

Naquele ano, o clube também levantou a Copa da Escócia.

Nakamura ainda foi eleito para a Seleção do Torneio do Campeonato Escocês e da Copa da Ásia de 2007, disputada pelo Japão.

Embora Nakamura tenha sido o último japonês indicado ao principal prêmio masculino do Ballon d’Or, outros jogadores do país asiático receberam indicações em diferentes categorias da cerimônia nos anos seguintes.

Saki Kumagai: campeã na Europa

Pouco mais de uma década depois, em 2018, Saki Kumagai se tornou a primeira japonesa indicada ao Ballon d’Or feminino. Aos 27 anos na época, ela terminou na 12ª posição do ranking.

A indicação veio após uma temporada de conquistas pelo Olympique de Lyon, com os títulos da Première Ligue e da Liga dos Campeões Feminina. Além disso, Kumagai levantou a taça da Copa da Ásia Feminina com a seleção japonesa.

Ritsu Dōan: promessa japonesa na Holanda

Naquele mesmo ano, o ponta-direita Ritsu Dōan foi indicado ao prêmio de Jovem Talento Masculino da Temporada, que na época se chamava Troféu Kopa. A indicação veio após sua primeira temporada no futebol europeu, emprestado pelo Gamba Osaka ao Groningen, da Eredivisie, a primeira divisão holandesa. Depois de marcar 10 gols na temporada, o clube decidiu contratá-lo em definitivo, em julho de 2018.

Foi também naquele ano que Dōan estreou pela seleção principal do Japão.

Aos 20 anos, ele terminou na 9ª posição do ranking.

Hinata Miyazawa: artilheira da Copa 

Em 2023, mais dois japoneses receberam indicações a prêmios do Ballon d’Or.

A primeira foi Hinata Miyazawa. A meio-campista, então com 23 anos, ganhou destaque principalmente por suas atuações pela seleção japonesa. Ela marcou cinco gols na Copa do Mundo Feminina, conquistou a Chuteira de Ouro do torneio e ajudou o Japão a chegar às quartas de final. Miyazawa terminou na 12ª posição do ranking.

Yui Hasegawa: pilar do City 

A segunda foi Yui Hasegawa. Depois de se transferir do West Ham United para o Manchester City no ano anterior, ela rapidamente conquistou uma vaga entre as titulares em sua primeira temporada pelo clube. Hasegawa também ajudou a equipe a emendar uma sequência de 16 jogos sem derrota em todas as competições. O City terminou o campeonato na quarta colocação e chegou às semifinais da Copa da Liga Feminina da Inglaterra.

Naquele mesmo ano, Hasegawa também teve papel importante na campanha do Japão na Copa do Mundo Feminina, ajudando a seleção a terminar na liderança do grupo e a avançar até as quartas de final.

Aos 26 anos, ela terminou na 27ª posição do ranking, em sua primeira de três indicações ao prêmio.

(Presse Sports)

Em 2024, aos 27 anos, Hasegawa voltou a ser indicada ao mesmo prêmio e terminou na 26ª posição. A indicação veio após uma temporada em que disputou os Jogos Olímpicos de Paris pelo Japão e ficou de fora de apenas uma partida do Manchester City.

O clube terminou o campeonato como vice-campeão e estabeleceu um recorde de 13 vitórias consecutivas na liga.

Em 2026, aos 29 anos, Hasegawa voltou a ser indicada ao prêmio, após aquela que talvez seja sua temporada mais vitoriosa pelo Manchester City até agora. Ela conquistou a Women’s Super League e a Copa da Inglaterra Feminina com o clube.

Ao longo da última temporada, Hasegawa também alcançou a marca de 100 jogos tanto pelo City quanto pela seleção japonesa. Com o Japão, ela conquistou a Copa da Ásia Feminina, vencendo todas as partidas do torneio.

Manaka Matsukubo: recordista nos Estados Unidos

Além de Hasegawa, outras duas japonesas receberam indicações ao Ballon d’Or feminino em 2026, ambas pela primeira vez.

Uma delas é Manaka Matsukubo, de 22 anos, que se destacou pelo North Carolina Courage na última temporada.

Em outubro de 2025, por exemplo, ela se tornou a jogadora mais jovem da história da National Women’s Soccer League (NWSL) a marcar um hat-trick, na vitória por 4 a 1 sobre o Bay FC.

Depois de marcar 11 gols pelo clube na temporada, Matsukubo também balançou as redes pela primeira vez com a seleção japonesa, em março de 2026, durante a campanha vitoriosa do país na Copa da Ásia Feminina. Em julho, ela se transferiu para o Chelsea.

Momoko Tanikawa: craque na Alemanha

A outra é a meio-campista Momoko Tanikawa, de 21 anos, que conquistou três títulos pelo Bayern de Munique em 2026: a Bundesliga, a DFB-Pokal e a DFB-Supercup. Ela também levantou a taça da Copa da Ásia Feminina com o Japão.

Ayaka Yamashita: destaque no gol

Por fim, Ayaka Yamashita, de 31 anos, foi indicada ao prêmio de Goleira da Temporada em 2026. Na última temporada, ela conquistou a Copa da Ásia Feminina com o Japão, sendo eleita a melhor goleira do torneio, e ajudou o Manchester City a vencer a Women’s Super League e a Copa da Inglaterra Feminina.

Japão lidera entre os países asiáticos

Ao todo, 21 jogadores asiáticos que representam seleções da AFC já foram indicados a prêmios na cerimônia do Ballon d’Or. Desses, 10 são japoneses, o equivalente a 48% do total. Com esse número, o Japão lidera entre os países asiáticos com mais indicados na história do prêmio.

Além disso, é o único país asiático com jogadores indicados a prêmios do Ballon d’Or em 2026.

Países da AFC por número de jogadores indicados a prêmios nas cerimônias do Ballon d’Or (desde 1995):

  1. Japão - 10 jogadores indicados

  2. Austrália / Coreia do Sul - 5 jogadores indicados cada

  3. Iraque - 1 jogador indicado

Com tantos nomes japoneses entre os indicados, fica a expectativa: será que algum deles vai levar o prêmio para casa na cerimônia do Ballon d’Or de 2026?

E será que essas indicações vão ajudar a abrir caminho para uma nova geração de estrelas asiáticas no futebol mundial?

A resposta vem em breve, no dia 26 de outubro, em Londres.