Hoje, Ousmane Dembélé é um dos melhores jogadores do mundo. Vivendo grande fase no PSG, o atacante francês conquistou o último Ballon d'Or e se consolidou de vez entre os principais nomes do futebol mundial.

Mas o caminho até o sucesso não foi rápido. Antes de alcançar a maturidade que o levou ao prêmio mais importante do futebol, o francês passou por um longo e necessário processo de aprendizado.

Esse período de formação aconteceu justamente no Barcelona. Dembélé chegou ao clube catalão em 2017. Ainda muito jovem, vinha da Alemanha e carregava a enorme pressão de ter sido contratado por mais de 100 milhões de euros.

Naquele vestiário, ele encontrou um dos mentores mais importantes da sua carreira. Foi ali que passou a conviver diariamente com Lionel Messi, capitão da equipe e principal liderança do clube. Desde o primeiro dia, o argentino acolheu o francês e o colocou sob sua proteção.

A proximidade no vestiário, onde os dois se sentavam lado a lado, facilitou uma conexão direta entre o veterano e o recém-chegado. Messi rapidamente percebeu o talento natural de Dembélé, mas também identificou o que ainda faltava para ele se tornar um jogador de elite.

Por isso, neste novo artigo do Ballon d'Or, vamos descobrir qual foi o conselho de Messi que marcou um antes e um depois na carreira de Dembélé e entender como essas palavras mudaram sua mentalidade para sempre.

Pressão da mídia e lesões: Messi como escudo protetor

Os primeiros meses de Dembélé em Barcelona não foram nada fáceis. Logo após chegar ao clube, o francês sofreu uma grave lesão muscular que o deixou vários meses afastado dos gramados. Sua adaptação física e futebolística acabou sendo muito mais complicada do que se imaginava.

Além das lesões, Dembélé também teve dificuldades para se adaptar à rotina exigente do clube. Seu estilo de vida, algumas questões extracampo e a pressão por ter custado mais de 100 milhões de euros fizeram com que ele se tornasse alvo constante da imprensa local. O ambiente era bastante hostil.

Mas, em meio a esse cenário, surgiu a proteção quase paternal de Messi. O capitão argentino decidiu agir como um escudo para aliviar a pressão sobre o jovem atacante. Ele sabia melhor do que ninguém que Dembélé precisava de tempo para alcançar seu potencial máximo.

Por isso, Messi não hesitou em defendê-lo publicamente. Fez isso no fim de 2018, durante uma longa entrevista concedida ao jornal esportivo espanhol MARCA. Na ocasião, o líder do Barcelona deixou clara sua opinião sobre o atacante francês, que tinha apenas 20 anos.

“Dentro de campo, Dembélé é um fenômeno, e depende dele o quão longe pode chegar. Ele tem todas as condições para fazer o que quiser. Pode se tornar um dos melhores”, afirmou o múltiplo vencedor do Ballon d'Or.

Para encerrar o assunto, Messi ainda pediu paciência da imprensa e dos torcedores: “Por outro lado, ele é um garoto jovem que ainda está se adaptando à cidade e ao clube. Quanto menos falarem dele, melhor. É preciso deixar ele em paz”.

Conexão tática e um conselho fundamental no vestiário

Além das declarações públicas, a sintonia entre os dois também era evidente dentro de campo. Messi aproveitava cada pausa do jogo para falar no ouvido de Dembélé. Orientava seus movimentos táticos, explicava como ocupar os espaços e como aproveitar melhor sua velocidade. Quando o francês marcava, o argentino normalmente era o primeiro a correr para abraçá-lo.

Essa conexão nasceu e se fortaleceu na convivência diária. Messi foi um escudo diante da imprensa, mas também atuou como um guia constante dentro do clube. Para Dembélé, a presença do capitão foi essencial para entender o que significava jogar em uma instituição tão exigente quanto o Barcelona.

O próprio atacante relembrou esse período com gratidão em entrevista à revista FourFourTwo: “Tive uma relação muito boa com Messi desde o primeiro dia. Meu armário ficava ao lado do dele, e ele me deu muitos conselhos. Era alguém que entendia instintivamente do que você precisava.”

Mas a mensagem mais importante veio quando Messi falou de forma direta sobre o que significa ser profissional. Foi um aviso claro para que o talento de Ousmane não fosse desperdiçado. “Messi me disse que eu precisava ser sério se quisesse alcançar meus sonhos”, confessou o francês.

A partir daquele momento, a postura de Dembélé mudou completamente. “Desde então, comecei a observá-lo e aprender com cada detalhe do seu jogo e da forma como ele se preparava”, explicou o atacante sobre seu amadurecimento ao lado do craque de Rosário.

Esse aprendizado acabou sendo o motor da transformação definitiva do francês. O conselho de Messi não passou despercebido. Foi a semente de uma mudança esportiva e mental que, depois de superar lesões, críticas e obstáculos, levou Dembélé ao topo do futebol mundial.

“Dembélé é um fenômeno, e depende dele se tornar um dos melhores.” - Lionel Messi

A conquista do Ballon d'Or e os parabéns do mestre

Os caminhos dos dois se separaram em meados de 2021, quando Messi deixou a Espanha para jogar no PSG. Enquanto isso, no Barcelona, Dembélé começou aos poucos a encontrar sua melhor versão física e técnica, impulsionado pela confiança total do treinador Xavi.

O alto nível apresentado pelo francês na Espanha chamou a atenção justamente do clube parisiense. Em 2023, o PSG decidiu contratar o atacante para incorporá-lo ao seu projeto esportivo. Sob o comando de Luis Enrique, Dembélé finalmente atingiu seu potencial máximo e alcançou o auge da carreira.

Essa maturidade definitiva o levou ao topo do futebol mundial. Depois de uma temporada brilhante na França, o atacante foi eleito o melhor jogador do planeta e conquistou seu primeiro Ballon d'Or.

Após a confirmação oficial do prêmio, o francês revelou um detalhe que mostrou como a conexão com Messi permaneceu intacta. Segundo contou ao jornal L'Équipe, o argentino foi a primeira pessoa a enviar uma mensagem privada para parabenizá-lo pela conquista.

Além disso, o respeito e a admiração entre os dois ficaram evidentes durante a cerimônia. Do palco, segurando o troféu dourado nas mãos, Dembélé fez questão de agradecer ao antigo capitão: “Também quero agradecer ao Messi, com quem joguei e de quem aprendi muito”.

O ciclo se fechou da melhor maneira possível. Aquele jovem criticado pela falta de disciplina nos tempos de Barcelona acabou se tornando o rei do futebol mundial. O aprendiz, enfim, colocou em prática o conselho do mestre.