O Brasil avança em primeiro
O Brasil venceu a Escócia por 3 a 0 ontem e encerrou sua campanha na fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.
Depois de também bater o Haiti por 3 a 0 e empatar em 1 a 1 com o Marrocos, a Seleção Brasileira - dona de cinco títulos mundiais - terminou na liderança do Grupo C e garantiu vaga na próxima fase, onde enfrentará o segundo colocado do Grupo F.
Neste momento, o adversário mais provável do Brasil na próxima fase, que será disputada na segunda-feira, é o Japão.
As duas seleções já se enfrentaram 14 vezes, com ampla vantagem brasileira: são 11 vitórias, dois empates e apenas uma derrota. Curiosamente, essa única vitória japonesa aconteceu justamente no encontro mais recente entre as equipes, em outubro do ano passado, quando o Japão virou o jogo e venceu por 3 a 2.
Ainda assim, o Brasil chega para o jogo com muita confiança. A equipe marcou sete gols em três partidas na fase de grupos e avançou em primeiro lugar na chave. E isso está longe de ser novidade: a Seleção Brasileira lidera seu grupo em todas as edições da Copa do Mundo desde 1982.
O retorno histórico de Neymar
Um dos nomes que entrou para a história na noite de ontem foi Neymar.
Aos 34 anos, o camisa 10 já é o maior artilheiro da história da Seleção Brasileira, com 79 gols. Mas ele não vestia a camisa do Brasil desde outubro de 2023, período marcado por uma série de lesões, e ainda não tinha entrado em campo pela equipe de Carlo Ancelotti nesta Copa.
Neymar foi acionado aos 31 minutos do segundo tempo e recebeu uma enorme ovação da torcida assim que pisou no gramado.
Mesmo com pouco tempo em campo, deixou sua marca no jogo. O craque do Santos criou três chances de gol - o maior número registrado em uma partida de Copa do Mundo por um jogador que entrou tão tarde quanto ele desde outro brasileiro, Ricardinho, que criou quatro chances após entrar aos 38 do segundo tempo contra Gana, em 2006. Neymar também finalizou uma vez no gol, mas o goleiro escocês Angus Gunn fez a defesa.
Os escoceses respiraram aliviados com a defesa de Gunn. Afinal, no último encontro entre as duas seleções, em 2011, um Neymar de apenas 19 anos marcou os dois gols da vitória por 2 a 0 do Brasil no Emirates Stadium, em Londres.
A participação de ontem também colocou o indicado nove vezes ao Ballon d'Or em um grupo bastante seleto: o dos brasileiros que jogaram em quatro Copas do Mundo.
Brasileiros que jogaram em quatro Copas do Mundo:
Djalma Santos (1954, 1958, 1962 e 1966)
Pelé (1958, 1962, 1966 e 1970)
Cafu (1994, 1998, 2002 e 2006)
Neymar (2014, 2018, 2022 e 2026)
O protagonismo de Vinícius
Mas, apesar da aparição histórica de Neymar, o grande nome da noite foi, mais uma vez, Vinícius Júnior.
O ponta do Real Madrid está voando com a Amarelinha nesta Copa e marcou dois dos gols do Brasil na vitória de ontem. Pela terceira partida seguida, foi eleito pela FIFA o Melhor em Campo.
E não foi só isso. Vinícius também se tornou apenas o quinto brasileiro da história a marcar nas três partidas da fase de grupos de uma Copa do Mundo masculina.
Brasileiros que marcaram nas três rodadas da fase de grupos de uma Copa do Mundo:
Jairzinho (1970)
Romário (1994)
Ronaldo (2002)
Rivaldo (2002)
Vinícius Júnior (2026)
Um sinal animador para a torcida brasileira ao olhar para os outros nomes da lista: nas três vezes anteriores em que isso aconteceu, o Brasil acabou levando a taça (1970, 1994 e 2002).
Vinícius agora soma cinco gols em Copas do Mundo - o mesmo número de lendas da Seleção como Garrincha, Zico e Romário.
O faro de gol de Cunha
Matheus Cunha marcou o terceiro gol da noite e entrou para a lista de jogadores do Manchester United com mais gols em uma única Copa do Mundo.
Jogadores do Manchester United com mais gols em uma única Copa do Mundo:
Robin van Persie (Holanda, 2014) - 4 gols
Romelu Lukaku (Bélgica, 2018) - 4 gols
Bobby Charlton (Inglaterra, 1966) - 3 gols
Jesper Olsen (Dinamarca, 1986) - 3 gols
Marcus Rashford (Inglaterra, 2022) - 3 gols
Matheus Cunha (Brasil, 2026) - 3 gols
Cunha também se tornou o primeiro brasileiro desde Philippe Coutinho, indicado ao Ballon d’Or em 2017, a marcar nas suas duas primeiras partidas como titular em uma Copa do Mundo.
A importância de Bruno
A assistência para o gol veio do meio-campista do Newcastle United, Bruno Guimarães, que também tinha dado o passe para o segundo gol de Vinícius na noite - o primeiro gol de cabeça da carreira do atacante do Real Madrid.
Com isso, Guimarães se tornou o primeiro brasileiro a somar três assistências nas três primeiras partidas da Seleção em uma Copa desde 1966. Ele também se tornou o primeiro brasileiro com mais de uma assistência em um único jogo de Copa desde Kaká, vencedor do Ballon d'Or de 2007, que deu duas contra a Costa do Marfim em 2010.
O impacto de Rayan
Outra atuação de destaque na noite de ontem foi a de Rayan, do Bournemouth.
O ponta de 19 anos entrou no time titular de Ancelotti no lugar do indicado ao Ballon d’Or Raphinha, que sofreu uma lesão muscular na coxa contra o Haiti.
Com isso, Rayan se tornou o primeiro adolescente a iniciar uma partida de Copa do Mundo pelo Brasil desde Marco Antônio, do Fluminense, em 1970.
O jovem, que se destacou no Vasco da Gama e ajudou o Bournemouth na campanha que levou o clube inglês a uma classificação inédita para competições europeias neste ano, teve uma atuação impressionante pela Amarelinha ontem.
Com apenas sete minutos de jogo, ele já foi decisivo: pressionou alto, forçou um erro grave do zagueiro Scott McKenna e deu a assistência para o primeiro gol de Vinícius na partida.
Do outro lado, cresce a expectativa da torcida por mais minutos para o jovem Endrick, de 19 anos, que ainda teve pouca participação no torneio - pouco mais de 30 minutos até aqui.
De olho no mata-mata
Ao fim da fase de grupos, o Brasil soma 41 finalizações, sendo 19 no alvo, com sete gols marcados e apenas um sofrido.
Tudo isso sem dominar a posse de bola - média de 54% nos três jogos - apostando em transições rápidas e letais que geraram grandes chances.
Com o resultado, o Brasil se classificou para o mata-mata pela 15ª Copa do Mundo consecutiva.
É a nona vitória brasileira por uma margem de pelo menos três gols em uma Copa no século XXI, o maior número entre todas as seleções.