O início em Krasnodar

Menos de um ano atrás, muita gente provavelmente não imaginaria ver Matvey Safonov como goleiro titular do Paris Saint-Germain.

O time de Luis Enrique já era a força dominante que conhecemos hoje, acumulando títulos dentro e fora da França, mas o russo ainda era visto, de modo geral, como um goleiro promissor que ficava no banco.

Ao longo da última temporada, porém, Safonov não só se firmou como uma peça importante nas grandes conquistas do PSG, como também passou a ser considerado um dos melhores goleiros do mundo.

Mas como ele chegou até aqui?

Safonov nasceu em 25 de fevereiro de 1992, na cidade de Stavropol, no sul da Rússia.

Embora sua família tenha se mudado algumas vezes durante sua infância, eles acabaram se estabelecendo em Krasnodar, onde Safonov começou a praticar diversos esportes. O futebol logo se tornou sua paixão e, graças à sua altura - uma característica que herdou do pai, Yevgeny, que era jogador de basquete -, ele acabou assumindo a posição de goleiro.

Pouco depois, entrou para as categorias de base do Krasnodar, clube local, e passou a morar no internato da equipe.

Em 2017, Safonov fez sua estreia pelo time principal do clube no Campeonato Russo e permaneceria ali pelos sete anos seguintes, tornando-se titular a partir de sua segunda temporada, em 2018-19.

A afirmação no futebol russo

No Krasnodar, ele se consolidou como um dos goleiros jovens mais promissores da Rússia.

Na temporada 2020-21, ajudou o clube a chegar pela primeira vez à fase de grupos da Liga dos Campeões. Mais tarde, reforçaria ainda mais sua reputação ao garantir a classificação do time para a fase de grupos, em um jogo contra o PAOK, da Grécia. Na ocasião, defendeu um pênalti cobrado por Dimitrios Pelkas e garantiu a vitória do Krasnodar.

Pouco depois, Safonov também assumiria a braçadeira de capitão do clube.

Ao terminar em terceiro lugar no grupo da Liga dos Campeões naquela temporada, o Krasnodar garantiu uma vaga nos playoffs da Liga Europa da UEFA.

Aquele período marcou o auge de Safonov pelo clube russo. Nas temporadas seguintes, porém, ele viveu momentos mais irregulares: em algumas partidas, foi o grande herói do time; em outras, um erro custoso acabou fazendo com que perdesse a posição de titular.

Ainda assim, sua última temporada no clube, em 2023-24, foi excelente. Safonov disputou todas as 30 partidas do Campeonato Russo e liderou o ranking de gols evitados. Em seu último jogo pelo Krasnodar, em maio de 2024, foi justamente ele quem garantiu que o time não sofresse gols na histórica vitória por 1 a 0 sobre o Dínamo de Moscou, resultado que deu ao clube a primeira medalha de prata de sua história no campeonato.

A chegada ao PSG

Um mês depois, em junho, Safonov foi contratado pelo então campeão da Ligue 1, o PSG.

Sua primeira temporada em Paris teve alguns momentos de destaque.

Em uma partida da Copa da França contra o Lens, Safonov defendeu dois pênaltis na disputa após o empate por 1 a 1, garantindo a classificação do PSG. Ele também foi titular na final, em maio de 2025, e não sofreu gols na vitória por 3 a 0 sobre o Reims, que garantiu o título ao clube.

Não havia como negar, porém, que Safonov era a segunda opção do PSG para o gol, atrás do italiano Gianluigi Donnarumma.

O PSG conquistou sua primeira Liga dos Campeões da história ao fim daquela temporada, goleando a Inter de Milão por 5 a 0 na final. Com isso, Safonov se tornou apenas o quinto russo a vencer a competição, juntando-se a Igor Dobrovolski (Olympique Marseille, 1992-93), Vladimir But (Borussia Dortmund, 1996-97), Dmitri Alenichev (Porto, 2003-04) e Denis Cheryshev (Real Madrid, 2015-16).

Do ponto de vista pessoal, no entanto, o título ainda parecia um pouco incompleto para Safonov. Afinal, ele continuava esperando por sua chance de assumir de vez a titularidade no gol do gigante francês.

A chance que parecia nunca chegar

Em agosto, Donnarumma deixou o PSG e foi para o Manchester City, da Premier League.

Seria essa, finalmente, a oportunidade que Safonov tanto esperava?

Aparentemente, não.

Pouco depois da saída de Donnarumma, o PSG contratou Lucas Chevalier, do Lille, para assumir a posição de titular.

Parecia que Safonov teria pela frente mais uma temporada inteira como uma opção de luxo no banco.

Mas o futebol é imprevisível.

Embora Chevalier viesse de uma temporada impressionante pelo Lille, ele teve dificuldades para se adaptar a Paris e começou a apresentar atuações irregulares.

Em novembro, sofreu uma lesão no tornozelo durante uma partida contra o Monaco, e Safonov foi chamado para assumir temporariamente a posição.

Ele não decepcionou.

O herói dos pênaltis

A final da Copa Intercontinental da FIFA veio logo depois, em dezembro, contra o Flamengo, do Brasil. A partida terminou empatada e foi para os pênaltis - e Safonov defendeu quatro das cinco cobranças, tornando-se o herói do PSG na conquista de seu primeiro título mundial, além de seu sexto troféu em 2025.

O feito fica ainda mais impressionante quando se considera que, segundo Luis Enrique, Safonov fraturou a mão na terceira cobrança. Mesmo assim, suportou a dor e conseguiu defender as duas últimas.

Ao longo do restante da temporada, mesmo depois do retorno de Chevalier, Safonov continuou brilhando e consolidou de vez seu lugar como titular do PSG.

Ele teve diversas atuações de destaque na campanha do clube na Liga dos Campeões, enfrentando alguns dos maiores times do mundo, como Chelsea, Liverpool e Bayern de Munique.

De reserva a campeão

Quando chegou à final de 2026, contra o Arsenal, Safonov já não era mais o reserva que assistia aos grandes jogos do banco. Ele era o goleiro titular do PSG, encarregado de ajudar o time a chegar ao fim da competição com o título pelo segundo ano consecutivo.

E foi exatamente isso que ele fez.

O PSG venceu o Arsenal nos pênaltis, e Safonov se tornou o primeiro jogador russo da história a conquistar a Liga dos Campeões duas vezes.

Dessa vez, a vitória parecia completa. Ele era o dono do gol - depois de muito trabalho e de se recusar a desistir, havia finalmente conquistado seu lugar na história do futebol.

"Quero ganhar tudo. Disputar todos os títulos." - Matvey Safonov

Em apenas duas temporadas, Safonov já conquistou nove títulos pelo PSG e agora foi indicado ao prêmio de Goleiro da Temporada no Ballon d’Or.

Mas ele está longe de estar satisfeito.

Competidor nato, seu objetivo é, e sempre será, continuar vencendo: vencer, vencer, vencer, sem nunca se contentar com nada menos do que a glória.

Nas palavras do próprio Safonov: “Na temporada passada, eu entendi uma coisa: nós conquistamos todos os títulos possíveis, menos a Copa da França. Quando percebi que não conseguiríamos vencê-la, foi uma sensação estranha. Pensei comigo mesmo: ‘Tem alguma coisa errada aqui.’ Foi então que percebi que queria ganhar tudo. Disputar todos os títulos. Hoje, acho que isso faz parte da mentalidade do Paris Saint-Germain: entrar em campo para vencer todas as partidas e tentar conquistar tudo.” (PSG)