A posição que garante o jogo

Hoje é um dia especial para o futebol - e, por pura coincidência, para o Ballon d'Or também. É aniversário de dois dos melhores zagueiros do mundo: Marquinhos, capitão brasileiro do Paris Saint-Germain, completa 32 anos. Rúben Dias, o português do Manchester City, faz 29.

Os dois já foram indicados ao Ballon d'Or.

Marquinhos recebeu sua indicação em 2019, ano em que sua inteligência e qualidade técnica ajudaram o PSG a conquistar a Ligue 1 e o Trophée des Champions. Foi também em 2019 que ele ergueu a Copa América com a seleção brasileira - exibindo aquela liderança silenciosa e firme que se tornaria uma das suas marcas registradas. Em 13 temporadas e mais de 500 partidas pelo clube - um recorde -, o paulistano ajudou o PSG a ganhar 38 troféus. O mais especial deles veio no ano passado: a primeira Liga dos Campeões da história do clube, um momento que Paris não vai esquecer tão cedo. E já tem mais uma final pela frente, no fim do mês, contra o Arsenal.

Catherine Steenkeste (Presse Sports)

Rúben Dias, por sua vez, foi indicado três vezes - em 2021, 2023 e 2024. Defensor fisicamente dominante e taticamente sofisticado, construiu sua reputação no Manchester City, onde chegou em 2020 e desde então ajudou o clube a conquistar 11 títulos, incluindo 4 Premier Leagues consecutivas e a tão sonhada Liga dos Campeões de 2023. Pela seleção portuguesa, foi peça fundamental nas conquistas da Liga das Nações em 2019 e em 2025.

Simon Stacpoole (Presse Sports)

O Ballon d’Or e o reconhecimento de grandes defensores

Marquinhos e Dias fazem parte de um clube muito exclusivo.

Desde o primeiro Ballon d'Or em 1956, apenas 3 defensores venceram o prêmio. 

O primeiro foi Franz Beckenbauer - duas vezes: em 1972, depois de liderar a Alemanha Ocidental à glória na Eurocopa, e em 1976, como o motor do Bayern de Munique na conquista da Copa dos Campeões. 

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20 anos depois, em 1996, foi a vez de Matthias Sammer, premiado por suas atuações pelo Borussia Dortmund e por levar a Alemanha ao título da Eurocopa. 

E então, em 2006, Fabio Cannavaro - capitão, líder, muralha - levou a Itália ao seu 4º título mundial, com apenas 2 gols sofridos em todo o torneio.

Em suma, dos 69 Ballons d'Or entregues desde 1956, apenas 4 foram para defensores. Pouco mais de 5%.

E desde que jogadores brasileiros passaram a concorrer ao prêmio, em 1995, apenas 6 zagueiros do país foram indicados.

O primeiro foi Júlio César, em 1995, pelos seus grandes desempenhos defensivos pelo Borussia Dortmund, com quem conquistou títulos consecutivos da Bundesliga e da DFL-Supercup. 

Depois veio Lúcio, em 2002 - lenda da seleção, campeão mundial pelo Brasil e peça central na improvável campanha do Bayer Leverkusen até a final da Liga dos Campeões. Terminou em 19º lugar no Ballon d'Or, empatado com o vencedor de 2000, Luís Figo.

Martin (Presse Sports)

Em 2005 e 2006, foi Cris quem recebeu o reconhecimento. Apelidado de "Le Policier" (‘O Policial’), o defensor imponente e autoritário virou lenda do Lyon em 8 temporadas, conquistando 4 títulos da Ligue 1 seguidos e levando a Copa América com o Brasil em 2004. 

Thiago Silva foi indicado em 2013, após levar o PSG ao título da Ligue 1 e ao Trophée des Champions, e o Brasil à conquista da Copa das Confederações. O veterano continuou colecionando títulos durante toda a carreira - e só este mês acrescentou mais um: a Primeira Liga, com o Porto.

David Luiz chegou em 2014, depois de impressionar pelo Chelsea, pelo PSG e pela seleção brasileira na Copa do Mundo, onde sua dedicação e sua capacidade de finalização o colocaram no “Dream Team” do torneio.

E depois, Marquinhos, em 2019.

Outros jogadores que eventualmente atuaram como zagueiros também receberam indicações - como Edmílson e Fabinho -, assim como alguns laterais. Mas entre os zagueiros natos, esses são aqueles 6.

Quanto a Portugal, foram 4 os zagueiros natos indicados ao Ballon d'Or.

O primeiro foi o imponente Germano, em 1961, após ajudar o Benfica a conquistar a Primeira Liga e a Copa dos Campeões. Figura central da ‘era de ouro’ do clube, jogou ao lado de Eusébio - vencedor do Ballon d'Or de 1965 - por 5 temporadas gloriosas. 

Ricardo Carvalho veio em 2004, peça fundamental num dos períodos mais vitoriosos da história do Porto: Primeira Liga e Liga dos Campeões no mesmo ano.

Pepe recebeu duas indicações. A primeira em 2008, após uma temporada brilhante pelo Real Madrid e um 26º lugar no ranking, empatado com Karim Benzema, que venceria o prêmio 14 anos depois. A segunda em 2016, depois de ajudar o Real Madrid a conquistar a Liga dos Campeões e, talvez mais importante, depois de liderar Portugal ao seu primeiro grande título internacional - a Eurocopa. Um momento que ficou na história.

Tim Groothuis (Presse Sports)

E então Rúben Dias, três vezes: 2021, 2023, 2024.

Dois outros nomes merecem destaque - zagueiros brasileiros ou portugueses indicados na cerimônia do Ballon d'Or, mas em outras categorias. 

Em 2023, António Silva foi indicado ao Troféu Kopa. Com apenas 18 anos, o português entrou no time principal do Benfica e conduziu o clube ao título do campeonato na sua primeira temporada.

Em 2024, Tarciane foi indicada para o Ballon d'Or Feminino, depois de ser peça-chave na seleção brasileira que levou a medalha de prata nas Olimpíadas de Paris.

O valor que vai além das premiações

Hoje é um dia importante para refletir sobre o papel que os zagueiros sempre tiveram no futebol. Eles talvez não recebam o momento de destaque no fim da partida - uma honra quase sempre reservada aos atacantes implacáveis, aos meias geniais ou mesmo aos goleiros acrobáticos - mas são a muralha que se ergue entre os adversários e a área. Eles protegem, lideram, organizam. É através da sua força, da sua agilidade, do seu raciocínio rápido e da sua visão de jogo que tantas das conquistas mais importantes da história do futebol foram possíveis.

Marquinhos e Rúben Dias são dois jogadores que, mesmo ainda em atividade, já deixaram uma marca que poucos conseguem deixar - pelos clubes, pelas seleções, e para todos os zagueiros que vieram depois deles - mostrando que consistência, talento e amor pelo jogo podem construir carreiras longas e repletas de conquistas extraordinárias.

E agora uma nova geração surge, visando o mesmo sonho.

Zagueiros brasileiros ou portugueses indicados na cerimônia do Ballon d’Or

  • 1961 - Germano (Portugal, Benfica - indicado ao Ballon d'Or)

  • 1995 - Júlio César (Brasil, Borussia Dortmund - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2002 - Lúcio (Brasil, Bayer Leverkusen - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2004 - Ricardo Carvalho (Portugal, Porto / Chelsea - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2005 - Cris (Brasil, Olympique Lyon - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2006 - Cris (Brasil, Olympique Lyon - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2008 - Pepe (Portugal, Real Madrid - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2013 - Thiago Silva (Brasil, Paris Saint-Germain - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2014 - David Luiz (Brasil, Chelsea / Paris Saint-Germain - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2016 - Pepe (Portugal, Real Madrid - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2019 - Marquinhos (Brasil, Paris Saint-Germain - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2021 - Rúben Dias (Portugal, Manchester City - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2023 - Rúben Dias (Portugal, Manchester City - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2023 - António Silva (Portugal, Benfica - indicado ao Troféu Kopa)

  • 2024 - Rúben Dias (Portugal, Manchester City - indicado ao Ballon d'Or)

  • 2024 - Tarciane (Brasil, Houston Dash - indicado ao Ballon d'Or Feminino)