Do Corinthians ao PSG

Nascido Marcos Aoás Corrêa, em São Paulo, em 14 de maio de 1994, Marquinhos começou sua trajetória no futebol nas categorias de base do Corinthians, onde entrou aos oito anos de idade.

Dez anos depois, em 2012, foi promovido ao time principal. Sua passagem pelo clube, porém, durou pouco. Poucos meses depois de estrear profissionalmente, o jovem zagueiro se transferiu para a Roma, onde começou a chamar a atenção do futebol europeu.

As boas atuações na Itália fizeram o PSG apostar em Marquinhos em 2013. O clube francês contratou o defensor quando ele tinha apenas 19 anos.

O que parecia ser o início de uma nova aventura rapidamente se transformou em uma das histórias mais marcantes da história do Paris Saint-Germain.

Desde então, Marquinhos se tornou sinônimo do clube.

Uma década de títulos em Paris

Marquinhos já passou mais de uma década vestindo a camisa do PSG e acompanhou algumas das fases mais importantes da história do clube.

Ao longo de sua trajetória em Paris, conquistou 40 títulos, tornando-se o primeiro jogador da história do futebol a alcançar essa marca por um único clube.

Sua coleção inclui:

  • 11x Ligue 1

  • 10x Supercopa da França

  • 8x Copa da França

  • 6x Copa da Liga Francesa

  • 2x Liga dos Campeões da UEFA

  • 2x Supercopa da UEFA

  • 1x Copa Intercontinental da FIFA

São números que ajudam a dimensionar a longevidade e a importância de Marquinhos para o PSG. Em mais de uma década, ele não apenas permaneceu no clube enquanto novos companheiros chegavam e saíam, como também se tornou uma das principais referências de uma equipe que passou a dominar o futebol francês e, posteriormente, alcançou o topo da Europa.

Até aqui, Marquinhos também soma mais de 500 partidas pelo PSG, tornando-se o jogador que mais vezes vestiu a camisa do clube.

De promessa a capitão

A evolução de Marquinhos não aconteceu apenas dentro de campo. Com o passar dos anos, ele assumiu cada vez mais responsabilidades dentro do vestiário.

Após a saída de Thiago Silva para o Chelsea, em 2020, Marquinhos assumiu de forma definitiva a braçadeira de capitão do PSG.

A partir daí, passou a representar ainda mais o clube. Sua liderança, maturidade e consistência fizeram dele uma referência para diferentes gerações de jogadores que passaram por Paris.

Quando Lucas Beraldo chegou ao PSG, vindo do São Paulo, em 2024, fez questão de destacar a influência de Marquinhos: "Tem muitos jogadores do Brasil que passaram por essa camisa e foram muito importantes, como Marquinhos, que hoje é o capitão. [...] Eu tinha um sonho de jogar do lado dele." (Paris Saint-Germain - YouTube)

A admiração que Marquinhos desperta vai além de sua qualidade técnica. Sua postura, profissionalismo e senso de responsabilidade fizeram dele uma inspiração para outros jogadores, especialmente para os brasileiros que chegaram ao clube depois dele.

O gesto que mostrou quem é Marquinhos

Entre tantos troféus, um dos momentos mais marcantes de sua carreira aconteceu longe da comemoração do título.

Depois que Gabriel Magalhães perdeu o pênalti decisivo na final da Liga dos Campeões de 2026, Marquinhos foi o primeiro jogador a correr para abraçar o compatriota.

Enquanto seus companheiros comemoravam a conquista, o capitão do PSG foi até o adversário para consolá-lo.

O gesto tinha um significado especial.

Quatro anos antes, nas quartas de final da Copa do Mundo de 2022, o próprio Marquinhos havia vivido uma situação semelhante. Ele perdeu uma das cobranças na disputa de pênaltis contra a Croácia, que acabou eliminando o Brasil.

Por isso, sabia exatamente o que Gabriel estava sentindo: "Eu pensei no momento que eu vivi também, que foi muito difícil, e queria simplesmente dar um abraço nele e falar que eu já passei por isso. Sei o quanto é difícil, que ele fez uma temporada incrível, merece muito grandes coisas, que já logo a gente está junto de novo. A gente precisa muito dele, é um jogador muito importante, então, que ele consiga desfrutar deste momento, campeão da Premier League, e digerir um pouco este momento do pênalti logo e pensar na seleção que vai ser muito importante." (TNT Sports)

A atitude foi elogiada por torcedores dos dois clubes e mostrou um lado de Marquinhos que vai além do jogador dentro de campo.

Sua liderança não se resume a levantar troféus. Também está na maneira como reage nos momentos difíceis e na forma como trata seus companheiros e adversários.

Um líder respeitado

A postura de Marquinhos também chamou a atenção de seus companheiros.

Vitinha, que já recebeu duas indicações ao Ballon d’Or, destacou a importância do brasileiro para o PSG: "Marquinhos merece isso mais do que todos. [...] Teve aqui muitos anos de sofrimento, e acho que é um verdadeiro líder e merece tudo isso." (TNT Sports)

Os "anos de sofrimento" mencionados por Vitinha fazem referência às várias campanhas frustrantes do PSG na Liga dos Campeões antes da conquista inédita.

Marquinhos esteve presente em boa parte delas.

Mesmo diante das decepções, continuou liderando o grupo, mantendo a postura e acreditando que o clube poderia finalmente chegar ao topo.

O técnico da Seleção Brasileira, Carlo Ancelotti, também elogiou o zagueiro depois da final e destacou especificamente o episódio com Gabriel Magalhães: "Foi um gesto muito bonito de um companheiro de seleção. A atuação de Marquinhos é a atuação de um profissional espetacular." (Terra Brasil)

Esse tipo de reconhecimento ajuda a explicar por que Marquinhos se tornou uma figura tão importante não apenas para o PSG, mas também para o futebol brasileiro.

Reconhecimento individual

Embora sua carreira seja fortemente associada aos títulos coletivos, Marquinhos também recebeu reconhecimento entre os melhores jogadores do mundo.

Em 2019, recebeu sua primeira indicação ao Ballon d’Or, depois de uma temporada em que ajudou o PSG a conquistar a Ligue 1 e a Supercopa da França, além de levantar a Copa América com o Brasil.

Agora, em 2026, ele recebeu sua segunda indicação ao prêmio.

As duas indicações, separadas por sete anos, refletem a longevidade de um jogador que conseguiu permanecer entre os melhores de sua posição durante diferentes fases da carreira.

Marquinhos também foi incluído na Seleção da Temporada da Liga dos Campeões da UEFA, tanto como Gabriel Magalhães, reforçando a presença brasileira entre os grandes protagonistas da competição.

Mais do que um capitão

Poucos jogadores se tornaram tão associados a um clube quanto Marquinhos se tornou ao PSG.

Ele chegou a Paris como uma jovem promessa e acompanhou a transformação do clube em uma potência do futebol francês e europeu. Viu grandes estrelas chegarem, diferentes treinadores passarem pelo comando da equipe e gerações inteiras de jogadores deixarem o vestiário.

Ele permaneceu.

E, ao longo desse processo, deixou de ser apenas mais um jovem zagueiro contratado pelo PSG para se tornar um dos grandes símbolos da história do clube.

Sua trajetória reúne quase tudo que define uma carreira de elite: longevidade, títulos, liderança, consistência e capacidade de superar momentos difíceis.

Aos 32 anos, Marquinhos já construiu um legado que poucos jogadores conseguem alcançar. E, com uma segunda indicação ao Ballon d’Or e uma coleção de 43 títulos, sua história ainda pode ganhar novos capítulos.