Um novo começo
A transferência de Lee Kang-in para o Atlético de Madrid, anunciada nesta semana, oferece ao jogador da seleção sul-coreana um novo e empolgante desafio, após três anos em Paris. Sua passagem pelo PSG rendeu muitos títulos, mas também trouxe uma boa dose de frustração.
Embora fosse presença frequente entre os titulares no Campeonato Francês, o jogador de 25 anos quase sempre começava no banco nos principais jogos da Liga dos Campeões, uma situação que parecia se agravar cada vez mais.
Dos jogos das oitavas de final até a decisão da temporada passada, Lee disputou apenas 50 minutos, enquanto o PSG conquistava a Europa pelo segundo ano consecutivo.
Já na Ligue 1, o cenário era bem diferente. Ele foi presença constante na equipe e começou como titular em 18 partidas ao longo da temporada 2025-26.
Para um jogador do seu nível - afinal, ele foi indicado ao Troféu Kopa em 2019 -, era natural esperar mais minutos em campo. Isso ajuda a explicar por que sua passagem pela capital francesa chegou ao fim.
Estatísticas de Lee Kang-in no PSG:
Jogos: 124
Minutos: 6.384
Participações em gols: 32
Finalizações: 2,07 por 90 minutos
Duelos vencidos: 9,86 por 90 minutos
Passes decisivos: 0,74 por 90 minutos
Títulos conquistados:
Ligue 1: 2023-24, 2024-25, 2025-26
Copa da França: 2023-24, 2024-25
Troféu dos Campeões: 2023, 2024, 2025
Liga dos Campeões da UEFA: 2024-25, 2025-26
Supercopa da UEFA: 2025
Copa Intercontinental da FIFA: 2025
Herdar o trono
Apesar do interesse de vários clubes da Premier League, o retorno à Espanha sempre pareceu o destino mais provável para o meia neste verão. Revelado nas categorias de base do Valencia, Lee disputou 66 partidas pelo Mallorca antes de ser contratado pelo PSG por € 22 milhões, em 2023.
Agora, no Atlético de Madrid, ele retorna como um jogador muito mais completo, dono de um currículo repleto de títulos e de 50 partidas pela seleção sul-coreana, marca histórica alcançada durante a Copa do Mundo.
Por isso, é justo que seu novo status tenha sido reconhecido pelo clube, que não hesitou em entregar ao jogador a icônica camisa 7, deixada vaga após a recente saída de Antoine Griezmann.
O simbolismo da escolha não passou despercebido. Para marcar a chegada do sul-coreano, o Atlético revelou nesta semana um enorme painel publicitário no centro de Seul, mostrando o número sendo estampado na nova camisa.
Ao longo de duas passagens pelos Rojiblancos, Griezmann marcou 212 gols e se tornou o maior artilheiro da história do clube. Ele deixou o Atlético rumo à MLS como uma verdadeira lenda.
Lee pode estar voltando à La Liga já consolidado como um talento de nível mundial. Mas também terá um enorme legado para honrar.
O prodígio de Incheon
Ser visto - com ou sem justiça - como o substituto direto de um ídolo que quebrou recordes dificilmente vai abalar Lee. Desde que despontou como um adolescente promissor, ele vem correspondendo às altas expectativas depositadas sobre seu futebol.
A excelente temporada de estreia pelo Valencia, em 2019, lhe rendeu uma indicação ao Troféu Kopa e o prêmio de Jovem Jogador Asiático do Ano. Depois disso, os reconhecimentos continuaram chegando.
Na mesma temporada, ele também foi convocado pela primeira vez para a seleção da Coreia do Sul e estreou em um amistoso contra a Geórgia.
Dono de um pé esquerdo refinado e de uma grande capacidade para encontrar espaços e criar jogadas, essas primeiras conquistas certamente tiveram um significado especial para Lee, depois da decisão corajosa que tomou aos dez anos de idade, quando atravessou o mundo para ingressar nas categorias de base do Valencia.
Para uma criança daquela idade, a cidade espanhola certamente parecia muito diferente do movimentado porto de Incheon, onde cresceu.
Quinze anos depois, Lee está prestes a voltar à La Liga mais maduro, mais experiente e diante de um novo conjunto de desafios.
Pelo que já mostrou ao mundo até aqui, há muitos motivos para acreditar que ele tem tudo para dar certo.