A trajetória de Lamine Yamal na Copa do Mundo de 2026 até a final:

  • Jogos disputados: 7

  • Minutos: 495

  • Gols: 1

  • Assistências: 1

  • Finalizações: 23 (5,1 por 90 minutos)

  • Finalizações no alvo: 2,2 por 90 minutos

  • Passes decisivos: 5 (1,1 por 90 minutos)

Dois verões atrás, Espanha e França se enfrentaram na semifinal da Euro.

Aos 21 minutos, Lamine Yamal recebeu um passe curto a cerca de 25 jardas do gol. Primeiro driblou para um lado, depois para o outro, antes de acertar um chute colocado, indefensável, que ainda tocou na trave antes de entrar.

Foi um gol que deixou a Europa em choque e serviu como confirmação - se é que ela ainda era necessária - de que o ponta era um talento muito especial.

Com apenas 16 anos, Yamal encerrou o torneio com cinco participações em gols. Quebrou diversos recordes e foi escolhido para a Seleção do Torneio da UEFA.

Ele chegou à Alemanha como um adolescente muito promissor, com 50 jogos pelo Barcelona no currículo. Saiu de lá como uma verdadeira superestrela.

Uma versão um pouco mais apagada do que a de dois verões atrás

Ontem, a Espanha voltou a enfrentar a França na semifinal de uma grande competição.

Por volta dos 15 do segundo tempo, o vencedor do Troféu Kopa do ano passado tabelou com um companheiro e invadiu a área. Depois de driblar o marcador, balançou as redes e ampliou a vantagem da Espanha.

Mas, desta vez, o gol foi anulado porque Yamal estava em posição de impedimento no início da jogada.

O jogador olhou para o céu, com a expressão refletindo toda a sua frustração.

É uma frustração compartilhada por muitos nas Américas, que consideram seu desempenho ao longo da Copa bom, mas não excepcional.

Entre esses dois grandes confrontos contra a França, Yamal foi indicado duas vezes ao Ballon d'Or, terminando em segundo lugar em 2025. Nesse período, acumulou 85 participações em gols pelo Barcelona ao longo de duas temporadas.

Pela seleção espanhola, marcou três gols na Liga das Nações e teve atuações tão impressionantes que seu técnico, Luis de la Fuente, adaptou o esquema da equipe para aproveitar ao máximo um jogador considerado por muitos um talento geracional.

Na última vez, ele chegou a um grande torneio como uma promessa. Agora, a expectativa é de que faça grandes feitos, e o consenso geral é que ainda não conseguiu corresponder a essas expectativas.

Respondendo a essa narrativa, de la Fuente afirmou antes da semifinal de ontem:

"Esse é um processo de amadurecimento e ganho de experiência. Mbappé, Haaland e outros passaram por isso alguns anos atrás. Lamine está passando por isso agora. Nós conversamos com ele sobre isso."

Condição física e outros fatores

É claro que existem alguns fatores que precisam ser levados em conta ao avaliar a campanha de Yamal na Copa até aqui.

No fim de abril, um problema nos isquiotibiais colocou sua participação na Copa em dúvida. Embora tenha se recuperado fisicamente, normalmente leva um tempo até recuperar totalmente a explosão e a agilidade.

Além disso, o impacto que causou na Euro de 2024 foi tão grande que os adversários agora passaram a marcá-lo em dobro, cientes do seu potencial.

Outro ponto importante é que outras grandes estrelas vêm brilhando ao longo do torneio. Mbappé, Messi e Bellingham estão em excelente fase e, por isso, Yamal acabou ficando em segundo plano.

Tudo isso resultou em atuações que o próprio companheiro de seleção, Rodri, atribuiu à "ansiedade", enquanto o próprio Yamal reconheceu as dúvidas em torno do seu desempenho.

"Todo mundo diz que eu não estou no meu melhor nível neste momento."

Esforço antes da criatividade, por enquanto

Mas o futebol é assim. E, com toda a análise que acompanha uma Copa do Mundo, é possível argumentar que se deu importância demais aos sete jogos de Yamal neste verão.

Antes de tudo, e mais importante, o adolescente teve papel fundamental para levar a Espanha a mais uma final de um grande torneio, o que por si só já é um feito impressionante.

Aliás, Yamal foi titular em 12 partidas da Espanha em grandes competições, e a seleção venceu todas elas.

Ao analisar suas estatísticas individuais nesta Copa, fica clara a importância que ele tem para as ambições da seleção espanhola.

Foram 135 conduções de bola, 54 sprints e 22 dribles certos, deixando sete laterais diferentes desnorteados e exaustos ao longo da competição.

Ele também sofreu sete faltas, mais do que qualquer outro companheiro de equipe.

Contra a Bélgica, nenhum jogador em campo venceu mais duelos do que ele.

Ou seja, dedicação e entrega não faltam, assim como os lampejos de criatividade. A forma inteligente como apareceu nas costas de Lucas Digne para sofrer o pênalti da Espanha na semifinal foi um lance digno de manual.

O que ainda falta, pelo menos por enquanto, são aqueles momentos decisivos e espetaculares, tanto no sentido literal quanto no figurado.

É justo imaginar, porém, que eles voltarão em breve, quando sua precisão estiver mais afiada.

Sobre isso, de la Fuente fica com a palavra final:

"Ele está tranquilo, mas motivado, porque vê os outros jogadores brilhando, e sabe que ainda não chegou lá. Mas vai chegar na próxima vez."