Quando se fala em irmãos na Copa, os primeiros nomes que costumam vir à mente são Jack e Bobby Charlton. Em termos de personalidade, eles não poderiam ser mais diferentes - Jack era extrovertido, enquanto Bobby, vencedor do Ballon d'Or, tinha um perfil mais reservado. Ainda assim, em 1966, os dois lutaram lado a lado para ajudar a Inglaterra a conquistar o título mundial em casa.

Os irmãos Charlton, porém, não foram os primeiros a alcançar esse feito. Doze anos antes, em Berna, na Suíça, Fritz e Ottmar Walter tiveram papéis fundamentais na campanha que levou a Alemanha Ocidental ao título mundial, com uma vitória histórica sobre a poderosa Hungria.

Curiosamente, naquela final, quem atuava pela seleção húngara era Mihály Tóth. Seu irmão mais novo, Jozsef Tóth, também fazia parte do elenco e acompanhou a decisão como integrante da equipe.

Na final da Copa de 1978, os gêmeos Willie e René van de Kerkhof disputaram os 120 minutos da decisão pela Holanda, que acabou derrotada pela Argentina.

Quatro anos depois, Karlheinz Förster e seu irmão mais novo, Bernd Förster, formaram a dupla de zaga da Alemanha Ocidental na final contra a Itália, vencida pelos italianos.

De tempos em tempos, esse fenômeno incomum acontece. Não é algo frequente - como seria de esperar -, mas faz parte da história da competição.

O que veremos neste verão, no entanto, é algo completamente diferente: um recorde prestes a ser quebrado, e talvez até com folga. Isso porque sete pares de irmãos estarão presentes na Copa de 2026.

Mais impressionante ainda é o fato de que apenas três desses pares defenderão a mesma seleção.

Caminhos diferentes, mas a família em primeiro lugar

Entre os sete pares de irmãos presentes na Copa, poucos chamam tanta atenção quanto Désiré e Guéla Doué.

Muito disso se deve ao sucesso e à reputação de Désiré, vice-campeão do Troféu Kopa no ano passado e peça importante nas campanhas do PSG que culminaram na conquista da Liga dos Campeões.

Com 24 participações em gols na temporada 2025/26, Désiré é um dos nomes de destaque do poderoso ataque da França, que também conta com Kylian Mbappé, Ousmane Dembélé e Michael Olise.

Com tantas opções ofensivas à disposição, não seria surpresa se o jogador de 21 anos terminasse julho com uma medalha de campeão da Copa no peito.

Na semana passada, porém, o jovem precisou dividir os holofotes com o irmão mais velho. Durante um amistoso de preparação para o torneio entre França e Costa do Marfim, Désiré acompanhou do banco de reservas o momento em que Guéla balançou as redes na vitória dos Elefantes. E não conseguiu esconder o sorriso.

A descontração continuou depois da partida e se estendeu até o dia seguinte, quando Guéla publicou no Instagram, de forma bem-humorada, uma foto sua lendo o jornal L'Équipe.

A relação próxima entre os dois vem de longa data. Ainda crianças, assinaram com o Rennes no mesmo dia. Guéla impressionou durante um período de testes, enquanto o clube também se encantou com o talento do irmão mais novo, que fazia embaixadinhas à beira do campo.

Desde então, suas carreiras seguiram caminhos diferentes - incluindo a decisão de representar seleções distintas. Ainda assim, acima de tudo, eles continuam sendo irmãos, algo que Désiré destacou recentemente:

“Temos uma ligação incrível, algo que muitas pessoas comentam há anos. Contamos tudo um ao outro e não temos segredos. Ele é um apoio enorme para mim no dia a dia.”

Se França e Costa do Marfim terminarem na liderança de seus grupos e avançarem além das oitavas de final, poderão se enfrentar na fase seguinte.

Curiosamente, apenas uma vez dois irmãos ficaram frente a frente em uma Copa. Isso aconteceu em 2010, quando Jérôme Boateng, pela Alemanha, enfrentou Kevin-Prince Boateng, que defendia Gana.

Caso o mesmo aconteça com os irmãos Doué, o carinho fraternal precisará ficar de lado por alguns minutos. Mas apenas até o apito final.