O penta na memória
Ontem, o Brasil venceu o Japão de virada em um jogo dramático e garantiu vaga nas oitavas de final da Copa de 2026.
O resultado foi duro para a seleção asiática, que dominou boa parte do primeiro tempo, mas acabou sendo castigada pela eficiência brasileira na etapa final.
Os torcedores japoneses já estão acostumados a ver o Brasil levar a melhor. Em 15 confrontos entre as duas seleções, o Japão venceu apenas uma vez - justamente no ano passado. A Amarelinha soma 12 vitórias, além de dois empates.
E a imagem da torcida brasileira comemorando certamente trouxe lembranças para muitos japoneses com idade suficiente para se lembrar da final da Copa de 2002. Há exatamente 24 anos, no dia 30 de junho, no Estádio Internacional de Yokohama, o Brasil de Luiz Felipe Scolari derrotou a Alemanha por 2 a 0 e levantou a taça.
E a imagem da torcida brasileira comemorando certamente trouxe lembranças para muitos japoneses com idade suficiente para se lembrar da final da Copa de 2002. Há exatamente 24 anos, no dia 30 de junho, no Estádio Internacional de Yokohama, o Brasil de Luiz Felipe Scolari derrotou a Alemanha por 2 a 0 e levantou a taça.
Foi o quinto título mundial da Seleção, um recorde que permanece até hoje. E também segue sendo a conquista mais recente do Brasil, que desde então persegue o tão sonhado hexa.
Depois de conquistar o tetracampeonato em 1994 e de bater na trave em 1998, quando perdeu a final para a França, o Brasil chegou a 2002 cheio de esperança de voltar ao topo do mundo.
O caminho de um campeão
Mas o caminho até a final não foi fácil.
Na estreia, contra a Turquia, foram os adversários que abriram o placar, com Hasan Şaş marcando pouco antes do intervalo.
Para buscar a reação, o Brasil contava com seu principal astro: Ronaldo. Vencedor do Ballon d'Or em 1997, o atacante tinha acabado de voltar aos gramados depois de um longo período afastado por graves lesões no joelho, e muita gente ainda se perguntava se ele estava realmente pronto para liderar a Seleção.
A resposta veio dentro de campo. Logo no início do segundo tempo, Ronaldo empatou a partida, e, já nos minutos finais, Rivaldo converteu um pênalti para garantir a virada brasileira.
O segundo compromisso na fase de grupos foi uma goleada por 4 a 0 sobre a estreante China. Roberto Carlos marcou um de seus famosos gols de falta, enquanto os outros três saíram dos pés dos "Três Rs": Ronaldo, Rivaldo e Ronaldinho.
Depois veio mais um festival de gols, desta vez na vitória por 5 a 2 sobre a Costa Rica. Ronaldo marcou os dois primeiros da Amarelinha, antes de Edmílson ampliar. Os centro-americanos ainda reagiram e diminuíram a desvantagem com dois gols, mas Rivaldo e Júnior acabaram com qualquer chance de empate e confirmaram a terceira vitória brasileira na fase de grupos.
Nas oitavas de final, Rivaldo e Ronaldo voltaram a balançar as redes e eliminaram a Bélgica.
Depois, nas quartas, veio uma virada dramática sobre a Inglaterra, com vitória por 2 a 1. O gol decisivo, marcado por Ronaldinho em uma cobrança de falta, é debatido até hoje: ele quis chutar direto para o gol ou tentou cruzar? Seja qual for a resposta, a bola entrou.
Nas semifinais, o Brasil reencontrou a Turquia. Dessa vez, os sul-americanos não sofreram gols, e Ronaldo marcou o único da partida na vitória por 1 a 0.
E, na grande final contra a Alemanha, Ronaldo voltou a ser decisivo. O atacante marcou duas vezes e garantiu o triunfo por 2 a 0, em uma atuação inesquecível diante de Oliver Kahn, eleito o melhor goleiro daquela Copa do Mundo.
Os protagonistas da conquista
Ronaldo não apenas calou os críticos, como também terminou a Copa como artilheiro, com oito gols. Os outros dois "Rs" também tiveram papel fundamental na campanha: Rivaldo marcou cinco vezes, enquanto Ronaldinho fez dois gols e ainda distribuiu três assistências decisivas ao longo do torneio.
Até hoje, Ronaldo é o maior artilheiro brasileiro da história das Copas do Mundo, com 15 gols no total.
O único brasileiro a marcar mais gols em uma única edição da Copa foi Ademir de Menezes, que fez nove em 1950.
Um time feito de craques
A equipe de 23 jogadores convocada por Scolari era recheada de talento. Nada menos que 12 atletas foram indicados ao Ballon d'Or em algum momento da carreira - mais da metade do grupo.
Quatro deles fazem parte do seleto grupo de brasileiros que conquistaram o prêmio: Ronaldo (1997 e 2002), Rivaldo (1999), Ronaldinho (2005) e Kaká (2007).
Kaká, aliás, teve participação discreta naquela campanha. Entrou em campo por apenas alguns minutos, saindo do banco de reservas, e só se tornaria uma das principais peças da Seleção nos anos seguintes. Até hoje, ele segue sendo o brasileiro mais recente a vencer o Ballon d'Or, quase duas décadas depois de sua conquista.
Outros também chegaram muito perto do prêmio, com destaque para Roberto Carlos, que terminou na segunda colocação em 2002.
Naquele mesmo ano, depois do título mundial, alguns jogadores do elenco receberam sua primeira indicação ao Ballon d'Or graças às grandes atuações na Copa - casos de Edmílson, Lúcio e Ronaldinho.
Jogadores do elenco do Brasil em 2002 que foram indicados ao Ballon d'Or ou conquistaram o prêmio:
Cafu - 2 indicações (2001 e 2002)
Denílson - 1 indicação (1998)
Dida - 2 indicações (2003 e 2005)
Edmílson - 1 indicação (2002)
Juninho Paulista - 1 indicação (1997)
Kaká - 6 indicações (2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009) e 1 vitória (2007)
Lúcio - 1 indicação (2002)
Rivaldo - 6 indicações (1997, 1998, 1999, 2000, 2001 e 2002) e 1 vitória (1999)
Roberto Carlos - 8 indicações (1997, 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 e 2005)
Rogério Ceni - 1 indicação (2007)
Ronaldinho - 6 indicações (2002, 2003, 2004, 2005, 2006 e 2007) e 1 vitória (2005)
Ronaldo - 9 indicações (1995, 1996, 1997, 1998, 1999, 2002, 2003, 2004 e 2005) e 2 vitórias (1997 e 2002)
Vale destacar que o meio-campista Emerson, cortado da seleção um dia antes do início do torneio por causa de uma lesão, também recebeu duas indicações ao prêmio (2004 e 2005).
O desafio de uma nova geração
O Brasil espera repetir o feito de 2002 em 2026. O elenco atual já conta com sete jogadores que receberam indicações ao Ballon d'Or ao longo da carreira, embora nenhum deles tenha conquistado o prêmio até aqui.
Jogadores do elenco do Brasil em 2026 que foram indicados ao Ballon d'Or ou conquistaram o prêmio:
Alisson - 2 indicações (2018 e 2019)
Casemiro - 1 indicação (2022)
Fabinho - 1 indicação (2022)
Marquinhos - 1 indicação (2019)
Neymar - 9 indicações (2011, 2012, 2013, 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 e 2021)
Raphinha - 1 indicação (2025)
Vinícius Júnior - 4 indicações (2022, 2023, 2024 e 2025)
Uma comparação interessante entre o elenco de Scolari em 2002 e o grupo de Carlo Ancelotti em 2026 está na faixa etária, que é bem mais ampla desta vez.
Na Copa de 2002, o jogador mais velho do Brasil era Cafu, com 31 anos. Já no elenco atual, dez atletas são mais velhos do que ele era naquela época. O mais experiente é Weverton, aos 38 anos, seguido por Alex Sandro, Neymar, Casemiro, Danilo, Ederson, Alisson, Fabinho, Marquinhos e Douglas Santos.
Na outra ponta, o caçula da Seleção em 2002 era Kaká, que tinha 20 anos. Em 2026, Rayan e Endrick superam essa marca, ambos com apenas 19 anos.
Resta saber se esse grupo, tão diverso em idade e experiência, mas que também reúne talento, ambição e vontade de fazer história, conseguirá escrever mais um capítulo glorioso para o futebol brasileiro.
Será que finalmente chegou a hora do tão sonhado hexa?
A resposta começa a ser escrita no domingo, quando o Brasil enfrenta Noruega ou Costa do Marfim pelas oitavas de final da Copa do Mundo.