Ela saiu de Querência do Norte, cidade de 23 mil habitantes no interior do Paraná, para chegar ao Théâtre du Châtelet, em Paris, no dia 22 de setembro de 2025. Não como convidada, mas como concorrente.

Amanda Gutierres, a “Gutigol” do Palmeiras, foi uma das 30 finalistas ao Ballon d'Or Féminin 2025 da revista France Football - o prêmio mais cobiçado do futebol mundial. Terminou em 21º lugar, com 20 pontos.

É pouco? Depende do ponto de vista. Ela era a única atleta entre as 30 finalistas que não jogava na Europa nem nos Estados Unidos. A única representante do futebol sul-americano no ranking. Uma anomalia estatística que diz muito sobre o que ela fez em 2025.

O ano que Paris não pôde ignorar

Os números falam por si. No Brasileirão Feminino Série A1, Amanda foi artilheira pela terceira vez consecutiva - 17 gols, 8 a mais que a segunda colocada, Paulina Gramaglia, do Bragantino. Na Copa América 2025, no Equador, foi co-artilheira do torneio com 6 gols - incluindo um pênalti decisivo na final contra a Colômbia, que garantiu ao Brasil o nono título da competição. Ela foi eleita para a equipe do torneio.

Em 92 partidas pelo Palmeiras, marcou 68 gols, tornando-se a maior artilheira da história do clube. Pelo Prêmio ESPN Bola de Prata, levou o troféu de artilheira pelo terceiro ano seguido - igualando Romário, Túlio Maravilha e Fred como os maiores artilheiros premiados na história da competição, no masculino e no feminino juntos.

O preço do talento

Em outubro de 2025, o Palmeiras anunciou sua venda para o Boston Legacy FC, da NWSL, por US$ 1,1 milhão - a maior transferência da história do futebol feminino brasileiro e a quinta mais cara do mundo. O clube alviverde manteve 25% dos direitos econômicos.

“Montamos um projeto maravilhoso para a Guti. Ela chegou, foi artilheira várias vezes, chegou à Seleção e conquistou títulos. Ninguém fica feliz em perder uma atleta desse nível, mas faz parte do ciclo”, declarou Alberto Simão, diretor do futebol feminino do Palmeiras.

O que vem a seguir

Amanda Gutierres está desde janeiro de 2026 no Boston Legacy para a temporada inaugural da NWSL. A Copa do Mundo Feminina de 2027 será no Brasil. O Ballon d'Or 2026 ainda está em aberto. A jovem de 24 anos tem tudo para ser a principal brasileira na disputa - com a vantagem, desta vez, de jogar nos Estados Unidos, no radar permanente dos eleitores europeus.