Na segunda-feira, Carlo Ancelotti anunciou a lista dos 26 jogadores que representarão o Brasil na Copa do Mundo.
A convocação trouxe muitos nomes já consolidados na seleção e alguns que surpreenderam - escolhas que rapidamente viraram motivo de comemoração entre torcedores por todo o país.
Mas entre os convocados, quantos já foram indicados ao Ballon d'Or ou conquistaram outros prêmios na cerimônia?
Vamos olhar mais de perto.
Carlo Ancelotti (técnico)
Nada mais justo do que começar pelo próprio comandante.
Aos 66 anos, Carlo Ancelotti é amplamente considerado um dos maiores treinadores da história do futebol. Seu currículo reúne praticamente tudo o que um técnico pode conquistar - incluindo um recorde de cinco títulos da Liga dos Campeões.
Entre essas conquistas está o Troféu Johan Cruyff, entregue ao melhor treinador da temporada, que o italiano venceu na cerimônia de 2024 após comandar o Real Madrid aos títulos da La Liga, Supercopa da Espanha e Liga dos Campeões.
Falando em Madrid, Ancelotti deixou o clube no ano passado já consolidado como uma lenda dos ‘Blancos’, acumulando 15 títulos em duas passagens.
O elenco comandado por ele também foi indicado ao prêmio de Clube do Ano em 2022 e acabou levando a honraria em 2024.
Alisson (goleiro)
Desde que chegou ao Liverpool em 2018, Alisson se firmou como um dos pilares da equipe e um dos maiores goleiros de sua geração.
Ele recebeu indicações ao Ballon d'Or duas vezes - em 2018 e 2019 - e ao Troféu Yashin três vezes - em 2019, 2022 e 2025. Foi em 2019 que levantou o prêmio de melhor goleiro do mundo.
Nessa primeira edição do Yashin, Alisson foi reconhecido pelo papel decisivo na conquista da Copa América pelo Brasil e pela campanha do Liverpool rumo ao primeiro título da Liga dos Campeões em mais de uma década.
A equipe inglesa daquele período também apareceu entre os indicados ao prêmio de Clube do Ano em 2022 e voltou à lista em 2025.
Ederson (goleiro)
Assim como Alisson, Ederson também construiu sua reputação entre os grandes goleiros da geração.
O ex-titular do Manchester City apareceu entre os indicados ao Troféu Yashin em 2019, 2021 e 2023 - temporada em que foi peça importante na histórica conquista da primeira Liga dos Campeões do clube.
Conhecido pela qualidade com os pés e pela participação ativa na construção das jogadas, o brasileiro também integrou o elenco do City indicado ao prêmio de Clube do Ano em 2024, antes de se transferir para o Fenerbahçe no ano passado.
Marquinhos (defensor)
Entre os nove defensores convocados por Ancelotti, apenas um já apareceu entre os indicados ao Ballon d'Or: Marquinhos.
O zagueiro recebeu a indicação em 2019 após uma temporada sólida pelo Paris Saint-Germain e pela seleção brasileira, conquistando a Ligue 1 e a Copa América.
Nos anos seguintes, ele continuou consolidando seu status de pilar defensivo do PSG, capitaneando o clube ao seu primeiro título na Liga dos Campeões no ano passado. A campanha histórica também rendeu ao elenco parisiense o prêmio de Clube do Ano, com Marquinhos à frente do projeto.
Agora, ele terá a chance de ampliar ainda mais esse legado na final da Liga dos Campeões desta temporada, contra o Arsenal.
Casemiro (meio-campista)
Quando o assunto é volante, poucos nomes da geração atual carregam um currículo comparável ao de Casemiro.
O veterano duro e tenaz será um dos líderes do Brasil na Copa e chega respaldado por uma carreira repleta de títulos - especialmente no Real Madrid, onde trabalhou por anos com Ancelotti.
Sua indicação ao Ballon d'Or veio em 2022, temporada de despedida do clube espanhol, depois de ajudar o Madrid a conquistar a La Liga e a Liga dos Campeões.
Aquele elenco também figurou entre os indicados ao prêmio de Clube do Ano.
Danilo Santos (meio-campista)
Danilo tem a ligação mais indireta dessa lista com a cerimônia do Ballon d'Or.
O jovem meia chegou ao Botafogo vindo do Nottingham Forest em julho do ano passado, pouco antes do ‘Fogão’ ser indicado ao prêmio de Clube do Ano.
As duas histórias, porém, quase não se cruzam: a indicação foi impulsionada pela extraordinária campanha do Botafogo em 2024, da qual Danilo ainda não fazia parte.
Ainda assim, desde que chegou, Danilo vem mostrando ser um jogador extremamente valioso para a equipe. Até o momento, é o artilheiro do clube na temporada, com 10 gols.
Fabinho (meio-campista)
Fabinho é um dos dois convocados que atualmente atuam na Arábia Saudita, defendendo o Al-Ittihad desde 2023.
Pouco antes da mudança, porém, viveu uma das melhores fases da carreira no Liverpool.
Em 2022, foi indicado ao Ballon d'Or após participar das conquistas da Taça da Inglaterra e da Copa da Liga Inglesa, além de ajudar os Reds a alcançarem a final da Liga dos Campeões. Apesar da derrota para o Real Madrid, o volante integrou o Time da Temporada da UEFA na competição.
O Liverpool daquela campanha também apareceu entre os indicados ao prêmio de Clube do Ano.
Luiz Henrique (atacante)
Hoje no Zenit, Luiz Henrique ainda tem uma ligação recente com o futebol brasileiro.
Com velocidade, força física e habilidade no drible, o “Pantera Negra” foi uma das peças centrais do Botafogo que entrou para a história em 2024. A equipe conquistou a Série A do Brasileirão e a Libertadores, e acabou indicada ao prêmio de Clube do Ano na cerimônia seguinte. Na final continental contra o Atlético Mineiro, foi dele o primeiro gol da partida.
Desde então, Henrique também vem se firmando como opção importante pelo lado direito do ataque da seleção.
Neymar (atacante)
Quando o nome de Neymar foi anunciado por Ancelotti na segunda-feira, a reação foi imediata: comemoração.
Era a primeira convocação do camisa 10 em mais de um ano e sua estreia em listas comandadas pelo técnico italiano - um intervalo marcado por lesões e dificuldades físicas.
Maior artilheiro da história da seleção brasileira, com 79 gols, Neymar disputará sua quarta Copa do Mundo tentando adicionar o título que ainda falta à carreira.
Poucos jogadores têm uma relação tão longa com o Ballon d'Or.
Neymar soma 9 indicações - mais do que qualquer outro nome desta convocação.
A primeira veio em 2011, quando ainda tinha 19 anos e encantava o futebol brasileiro pelo Santos. Ele se tornou um dos raros atletas indicados atuando fora da Europa.
As atuações pelo ‘Peixe’ também lhe renderam indicações em 2012 e 2013 - e trouxeram inúmeros troféus para a Vila Belmiro. O principal deles, claro, foi o título da Libertadores de 2011 - a primeira do clube desde a era Pelé nos anos 1960.
Após deixar o Santos para jogar na Europa, Neymar continuou sendo indicado ao Ballon d'Or em sequência até 2018. Essas indicações estavam ligadas principalmente aos seus sucessos pelo Barcelona, com quem conquistou 2 títulos da La Liga e uma Liga dos Campeões, e pelo Paris Saint-Germain, com quem venceu 5 títulos consecutivos da Ligue 1.
Sua última indicação veio em 2021, quando ainda jogava em Paris, e os melhores resultados vieram em 2015 e 2017, quando terminou em terceiro lugar, atrás apenas do recordista Lionel Messi - vencedor por 8 vezes - e de Cristiano Ronaldo, vencedor por 5 vezes.
Agora, diante do que pode ser sua última Copa do Mundo, Neymar tentará adicionar mais um capítulo à carreira - e talvez voltar ao radar da premiação.
Raphinha (atacante)
Raphinha chegou ao Barcelona de Xavi em 2022, mas foi sob o comando de Hansi Flick que deu o salto definitivo. Com atuações de altíssimo nível, tornou-se uma das figuras mais importantes e queridas do elenco.
Na campanha do título espanhol no ano passado, somou 18 gols e 12 assistências, sendo eleito o Jogador da Temporada da La Liga. Também brilhou na Liga dos Campeões: seus 13 gols o colocaram na artilharia do torneio ao lado de Serhou Guirassy.
O desempenho lhe rendeu o quinto lugar no Ballon d'Or de 2025.
Vinícius Júnior (atacante)
Depois de Neymar, nenhum jogador desta convocação tem uma trajetória tão marcante na cerimônia quanto Vinícius Júnior.
Mesmo tendo apenas 25 anos, o atacante do Real Madrid já se consolidou entre os principais nomes do futebol mundial. Desde a chegada ao clube em 2018, conquistou três La Ligas e duas Ligas dos Campeões, sendo decisivo nas campanhas europeias de 2022 e 2024 e marcando gols nas duas finais.
Sua primeira aparição ligada à cerimônia veio em 2019, quando foi indicado ao Troféu Kopa após sua temporada de estreia na Espanha.
Depois disso, passou a figurar regularmente entre os candidatos ao Ballon d'Or, recebendo indicações consecutivas desde 2022.
O auge veio em 2024, quando terminou como vice-colocado, atrás apenas de Rodri.
Além dos feitos dentro de campo, Vini também recebeu o Prêmio Sócrates em 2023 por seu trabalho contra o racismo e pela criação do Instituto Vini Jr., iniciativa voltada para a educação e a inclusão social no Brasil.
Em resumo
Então, é isso - esses são os convocados de Ancelotti que, de alguma forma, já tiveram seus nomes ligados ao universo do Ballon d'Or.
Juntos, eles vão tentar transformar prestígio individual em conquista coletiva, buscando o primeiro título mundial do Brasil desde 2002.
Será que conseguem?