As opções ofensivas da França nesta Copa representam uma verdadeira abundância de talento. O elenco conta com três jogadores que levantaram o troféu da Liga dos Campeões no mês passado, outro que terminou como artilheiro da competição e um quinto que acumulou 53 participações em gols na temporada 2025-26.

Trata-se de um grupo de talentos excepcionais que já marcou três gols e deu três assistências contra Senegal e Iraque, criando, ao todo, nove grandes oportunidades e acertando o alvo em 13 finalizações.

Com a Noruega ainda pela frente, os Les Bleus já garantiram vaga na próxima fase, enquanto tentam se tornar apenas a terceira seleção a chegar a três finais consecutivas de Copa do Mundo.

A Copa até agora para o "Magie Cinq" da França

  • Kylian Mbappé: 180 minutos, 4 gols

  • Ousmane Dembélé: 148 minutos, 1 gol e 1 assistência

  • Michael Olise: 158 minutos, 3 assistências

  • Bradley Barcola: 93 minutos, 1 gol

  • Désiré Doué: 119 minutos

Diante da qualidade do elenco, isso não deveria surpreender. Ainda assim, à medida que o torneio se aproximava, surgiu uma narrativa que apontava uma possível desvantagem em ter tantas opções ofensivas.

Especulava-se que o técnico dos Les Bleus, Didier Deschamps, poderia ter dificuldades para manter todos os seus principais jogadores satisfeitos e para encontrar um sistema que tirasse o melhor de cada um deles. E, embora isso possa parecer injusto com um treinador de enorme sucesso no cenário internacional, é importante lembrar que existe um precedente.

Em 2006, uma Seleção Brasileira repleta de atacantes de elite não conseguiu corresponder às enormes expectativas que a cercavam. Você pode ler mais sobre isso aqui.

É claro que ainda tem um longo caminho pela frente na campanha da França nesta Copa - ou talvez não, dependendo de como as coisas se desenrolarem. Mas, após duas partidas, parece que essas preocupações eram infundadas. Mbappé e companhia têm sido impressionantes no ataque, perigosos nas transições, e os cinco integrantes desse arsenal ofensivo já tiveram seus momentos de destaque.

Isso é um reflexo da inteligência tática de Didier Deschamps tanto quanto das qualidades individuais de seus jogadores.

Resolver um dilema tático

Em seu último grande torneio antes de deixar o comando da seleção francesa, Deschamps soltou o proverbial freio de mão e deu mais liberdade de movimentação aos seus jogadores, algo que resultou em sequências de jogo fluidas raramente vistas sob o comando do treinador de 57 anos.

"Esta é uma equipe mais ofensiva do que em 2018 e 2022, uma equipe muito mais voltada para o ataque."

Essas foram as palavras de Kylian Mbappé depois da tranquila vitória de segunda-feira sobre o Iraque.

O técnico do Iraque, Graham Arnold, também fez um comentário após a derrota de sua equipe:

"Perguntei se podíamos escalar três goleiros, mas me disseram que não."

Ainda assim, embora esse tipo de discurso dê a impressão de que a França apostou tudo no ataque, sua formação mostra o contrário.

Sempre pragmático, Deschamps manteve o esquema 4-2-3-1 que levou suas equipes a três finais de grandes torneios. Trata-se de uma formação que preserva a disciplina defensiva, enquanto o ritmo com a bola parte de uma base sólida no meio-campo. O espaço também continua sendo compactado pelo duplo volante.

O mais importante, porém, é que, além dessa estrutura sólida, há menos rigidez do que antes. Se nos últimos anos a liberdade criativa e de movimentação era concedida a apenas um armador - geralmente Antoine Griezmann -, agora são vários jogadores que desfrutam dessa liberdade, como Michael Olise, Ousmane Dembélé, Désiré Doué e Bradley Barcola.

Até aqui, todos têm se complementado perfeitamente, permitindo que Mbappé brilhe como a principal referência ofensiva da França.

A magia dos cinco

É óbvio que cinco não cabem em quatro, mas, como mostram os números no topo da página, todo o quinteto ofensivo da França tem recebido muitos minutos em campo.

Mbappé, naturalmente, tem sido o grande destaque até aqui, tornando-se o maior artilheiro da história da seleção francesa antes de marcar mais dois gols alguns dias depois.

Depois de começar pela direita contra o Senegal e atuar mais centralizado na segunda-feira, Michael Olise também merece destaque pelas suas contribuições, com três assistências.

O recorde de assistências em uma única Copa do Mundo pertence a outro francês, Raymond Kopa, que distribuiu oito passes para gol em 1958.

Enquanto isso, Ousmane Dembélé marcou seu primeiro gol pela França em um grande torneio diante do Iraque. O atual vencedor do Ballon d'Or precisou de 19 partidas para alcançar essa marca e, sem dúvida, ficou aliviado por deixar essa curiosidade para trás.

A circulação de bola de Désiré Doué chamou especialmente a atenção na estreia da França, com 26 passes completados no campo adversário. Já Bradley Barcola fez várias incursões perigosas pela esquerda em sua única partida como titular até o momento. Dois dribles em velocidade se destacaram em uma atuação bastante consistente.

Embora Rayan Cherki, do Manchester City, mereça uma menção honrosa, é esse quinteto criativo que a França espera que conduza sua campanha ofensiva nesta Copa.

E os primeiros sinais, nesse sentido, têm sido mais do que animadores.

A temporada 2025-26 de Kylian Mbappé em números

  • Gols marcados: 42

  • Assistências: 7

  • Participação em gols por minuto: 73,8

A temporada 2025-26 de Ousmane Dembélé em números

  • Gols marcados: 20

  • Assistências: 11

  • Participação em gols por minuto: 70,9

A temporada 2025-26 de Michael Olise em números

  • Gols marcados: 22

  • Assistências: 31

  • Participação em gols por minuto: 75,7

A temporada 2025-26 de Bradley Barcola em números

  • Gols marcados: 13

  • Assistências: 7

  • Participação em gols por minuto: 148,5

A temporada 2025-26 de Désiré Doué em números

  • Gols marcados: 13

  • Assistências: 11

  • Participação em gols por minuto: 106,5