Já ouviu falar da chamada maldição do Ballon d’Or?
O nome parece uma contradição à primeira vista - afinal, como o prêmio mais valorizado e prestigiado do futebol poderia estar ligado, de alguma forma, a algo tão negativo?
Mas, por mais estranho que pareça, essa “maldição” realmente existe e, ao longo da história, só foi quebrada uma única vez.
Vamos entender melhor esse fenômeno.
O nascimento da maldição
O Ballon d'Or existe há 70 anos.
Desde a primeira cerimônia, em 1956, o prêmio é entregue ao melhor jogador do mundo na temporada anterior, levando em conta suas atuações tanto pelo clube quanto pela seleção.
Dois anos depois daquela primeira edição, aconteceu a Copa de 1958, na Suécia. Muitos torcedores estavam ansiosos para ver o vencedor do Ballon d’Or do ano anterior, Alfredo Di Stéfano, disputando o torneio e representando a Espanha no maior palco do futebol.
Mas esse desejo acabou não se realizando, já que a seleção espanhola sequer conseguiu se classificar para a competição.
Mais do que um caso isolado, a decepção de Di Stéfano - justamente no ano seguinte a ser eleito o melhor jogador do mundo - marcou o início de uma longa sequência de episódios semelhantes no futebol.
Foi assim que nasceu a chamada maldição do Ballon d’Or.
Em outras palavras, por mais improvável que pareça, jogadores que conquistam o Ballon d'Or em um ano nunca conseguem levantar a taça na Copa do ano seguinte.
Os motivos por trás dessa “maldição”, como acontece com tantas outras superstições do futebol, continuam sendo um mistério. Uma possível explicação está no peso das expectativas: a enorme pressão sobre o “melhor jogador do mundo” para provar que merece esse status pode acabar funcionando mais como um obstáculo do que como uma motivação.
Embora a maldição tenha se mostrado extremamente consistente ao longo dos anos, o caso de Di Stéfano é apenas um de dois em que um vencedor do Ballon d’Or sequer conseguiu se classificar para a Copa seguinte.
O outro foi o atacante Allan Simonsen, que conquistou o Ballon d’Or em 1977, antes de ver a Dinamarca ficar de fora da Copa de 1978.
Outros dois vencedores chegaram a disputar a Copa no ano seguinte ao prêmio, mas não conseguiram avançar além da fase de grupos: Omar Sívori, com a Itália, em 1962, e o pentacampeão do Ballon d’Or Cristiano Ronaldo, com Portugal, em 2014.
Por outro lado, vários vencedores do Ballon d’Or chegaram perto de conquistar a Copa seguinte ao prêmio, mas falharam no último passo. Cinco deles terminaram como vice-campeões: Gianni Rivera, pela Itália, em 1970; Johan Cruyff, pela Holanda, em 1974; Karl-Heinz Rummenigge, pela Alemanha Ocidental, em 1982; Roberto Baggio, pela Itália, em 1994; e Ronaldo, pelo Brasil, em 1998.
O fim da maldição?
Por 66 anos e 16 Copas, a maldição permaneceu intacta.
Toda vez que o torneio chegava, sem exceção, o vencedor do Ballon d’Or do ano anterior conseguia, no máximo, chegar perto do título - mas nunca levantava a taça de campeão mundial.
Até que, finalmente, essa história mudou.
Na Copa de 2022, Lionel Messi, vencedor do seu sétimo Ballon d’Or no ano anterior, finalmente quebrou essa tendência ao conquistar o título mundial com a Argentina.
Ao quebrar a maldição, Messi fez aquilo que marcou toda a sua carreira: superou expectativas e desafiou a lógica, consolidando seu legado como um dos maiores jogadores da história do futebol.
Existe, no entanto, uma ressalva sobre a ideia de que Messi encerrou completamente essa maldição.
Veja bem: a cerimônia do Ballon d'Or quase sempre acontece entre outubro e dezembro, premiando as atuações da temporada que se encerrou naquele mesmo ano.
Já a Copa é disputada no meio do ano, quando o vencedor do Ballon d'Or do ano anterior ainda ocupa o posto de melhor jogador do mundo.
A Copa de 2022, porém, fugiu completamente desse padrão.
Disputado no Catar, o torneio foi o primeiro da história realizado no fim do ano, uma mudança motivada pelas altas temperaturas do país durante os meses tradicionais da competição (junho e julho).
Ou seja - quando Messi conquistou a Copa com a Argentina em dezembro de 2022, o Ballon d’Or já tinha um novo vencedor: Karim Benzema, premiado em outubro daquele ano.
Se a referência para essa estatística for Benzema - e não Messi -, a maldição permanece intacta: a França perdeu a final para a Argentina, enquanto o próprio Benzema ficou fora da Copa por causa de uma lesão sofrida às vésperas do torneio.
Assim, existe a possibilidade de que a maldição nunca tenha sido realmente quebrada.
A Copa deste ano, inclusive, reforça essa ideia.
Ousmane Dembélé, vencedor do Ballon d’Or no ano passado, era uma das principais esperanças da França na busca pelo terceiro título mundial. O sonho, porém, terminou nas semifinais, com a eliminação para a Espanha.
Todos os vencedores do Ballon d’Or e o desempenho na Copa do ano seguinte:
Ballon d’Or de 1957: Alfredo Di Stéfano (Espanha)
Copa de 1958: Espanha não se classificou
Ballon d’Or de 1961: Omar Sívori (Itália)
Copa de 1962: Eliminado na fase de grupos
Ballon d’Or de 1965: Eusébio (Portugal)
Copa de 1966: Terceiro lugar
Ballon d’Or de 1969: Gianni Rivera (Itália)
Copa de 1970: Vice-campeão
Ballon d’Or de 1973: Johan Cruyff (Holanda)
Copa de 1974: Vice-campeão
Ballon d’Or de 1977: Allan Simonsen (Dinamarca)
Copa de 1978: Dinamarca não se classificou
Ballon d’Or de 1981: Karl-Heinz Rummenigge (Alemanha Ocidental)
Copa de 1982: Vice-campeão
Ballon d’Or de 1985: Michel Platini (França)
Copa de 1986: Terceiro lugar
Ballon d’Or de 1989: Marco van Basten (Holanda)
Copa de 1990: Eliminado nas oitavas de final
Ballon d’Or de 1993: Roberto Baggio (Itália)
Copa de 1994: Vice-campeão
Ballon d’Or de 1997: Ronaldo (Brasil)
Copa de 1998: Vice-campeão
Ballon d’Or de 2001: Michael Owen (Inglaterra)
Copa de 2002: Eliminado nas quartas de final
Ballon d’Or de 2005: Ronaldinho (Brasil)
Copa de 2006: Eliminado nas quartas de final
Ballon d’Or de 2009: Lionel Messi (Argentina)
Copa de 2010: Eliminado nas quartas de final
Ballon d’Or de 2013: Cristiano Ronaldo (Portugal)
Copa de 2014: Eliminado na fase de grupos
Ballon d’Or de 2017: Cristiano Ronaldo (Portugal)
Copa de 2018: Eliminado nas oitavas de final
Ballon d’Or de 2021: Lionel Messi (Argentina)
Copa de 2022: Campeão
Ballon d’Or de 2025: Ousmane Dembélé (França)
Copa de 2026: Quarto lugar
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