Quando o Manchester City perdia por 2 a 0 para o Barcelona em um amistoso de pré-temporada em 2026, a treinadora Andrée Jeglertz avançou Alex Greenwood para uma posição mais adiantada. A mudança tática surtiu efeito imediato: Greenwood avançou para receber um passe cruzado de Khadija "Bunny" Shaw e finalizou com calma para o fundo da rede, dando início a uma reação memorável que terminou em 2 a 2. Momentos como esse - seja acertando o travessão de longa distância contra a Fiorentina ou liderando viradas decisivas - ajudam a explicar por que a defensora de Liverpool é considerada uma das melhores jogadoras do futebol mundial, status coroado por sua indicação ao Ballon d'Or de 2026.

Uma trajetória construída com garra e excelência

Nascida em Bootle, a trajetória profissional de Greenwood é marcada por determinação e capacidade de adaptação. Revelada nas categorias de base do Everton, ela aprimorou seu jogo durante passagens por Notts County, Liverpool, Manchester United - onde capitaneou as Red Devils na conquista da Copa da Inglaterra Feminina em 2019 - e pelo gigante francês Olympique Lyonnais, conquistando o título da Division 1 e da Liga dos Campeões Feminina da UEFA. Ao retornar ao noroeste da Inglaterra para defender o Manchester City em 2020, Greenwood fez uma transição natural de lateral-esquerda de elite para uma zagueira de classe mundial.

Pela seleção, Greenwood soma mais de 111 partidas pela Inglaterra. A jogadora mais jovem do elenco inglês na Copa do Mundo de 2015, quando conquistou a medalha de bronze no Canadá, passou a desempenhar um papel fundamental na histórica conquista da Inglaterra na Euro Feminina da UEFA de 2022 e na campanha até a final da Copa do Mundo de 2023. Sua consistência também lhe rendeu reconhecimento mundial, com presenças consecutivas no FIFPRO Women’s World 11 em 2023 e 2024, além da condecoração como MBE na Lista de Honras de Ano Novo do Rei.

Inteligência tática e comparações com Van Dijk

O brilhantismo de Greenwood se apoia na qualidade de sua distribuição de bola, nos desarmes e na precisão nas bolas paradas. Com uma capacidade analítica diferenciada também fora de campo, ela ficou conhecida por utilizar um relatório estatístico detalhado da Analytics FC durante as negociações de seu contrato com o City. O estudo destacou seu impacto no jogo e mostrou que ela contribuiu com mais de +0,1 em Goal-Added (GDA) por partida ao longo de duas temporadas, enquanto Virgil van Dijk, do Liverpool, registrou uma contribuição inferior no futebol masculino - um dado que reforça a importância de Greenwood na construção das jogadas do City.

Liderança sob o comando de Andrée Jeglertz

Como capitã do City, que conquistou a dobradinha da WSL e da Copa da Inglaterra Feminina na primeira temporada da treinadora Andrée Jeglertz, em 2025-26, a liderança de Greenwood continua sendo fundamental enquanto o time busca defender seus títulos. Sem se acomodar com as conquistas do passado, sua personalidade e seu padrão de exigência mantêm a equipe focada. "Aprendemos a ser campeãs", afirmou Greenwood. "Nesta temporada, não vou dizer 'façam a mesma coisa de novo', porque não acho que isso nos dê o direito de ganhar o campeonato. As pessoas melhoram, as equipes melhoram e nós vamos melhorar." Com sua indicação ao Ballon d'Or de 2026 reforçando seu status entre a elite europeia, Greenwood continua sendo uma das principais forças no coração do Manchester City.