Pau Cubarsí se consolidou como um dos grandes pilares defensivos do Barcelona e da seleção espanhola, com a qual acaba de se sagrar campeão do mundo em 2026.
Além disso, seu desempenho impecável por ambos os times lhe rendeu a oportunidade de estar entre os novos indicados ao Ballon d’Or de 2026.
No entanto, antes de brilhar na elite, os primeiros anos do zagueiro foram marcados pela tranquilidade de Estanyol, um pequeno município da província de Girona com menos de 200 habitantes.
Foi lá que cresceu, cercado por montanhas, tábuas de madeira e um ofício familiar que lhe deixou uma lição fundamental para sua carreira de sucesso no futebol: a importância do esforço diário.
A herança familiar que inspirou Pau Cubarsí
As raízes da família do jogador passam pela "Fusteria Cubarsí", uma oficina de carpintaria fundada em 1905 e que hoje está em sua quarta geração.
Atualmente, seu pai, Robert, e seu tio estão à frente da empresa. Foi ali que o zagueiro passou muitos verões, cercado por ferramentas e madeira.
O próprio jogador relembrou essa época em uma entrevista ao "El Periódico": "Começou com meu bisavô, depois meu avô e agora meu pai, junto com meu tio. É o negócio da família."
"Não tenho conhecimento propriamente dito, mas em alguns verões ajudei meu pai e, quando era criança, passava o verão por lá, mais atrapalhando do que ajudando, imagino", confessou.
Observar o esforço constante de sua família na oficina acabou sendo sua maior lição de vida. Em declarações compartilhadas pela agência "EFE", Cubarsí explicou como esse exemplo influenciou sua maneira de pensar.
"Quando você vê seus pais trabalhando tão duro para fazer a família seguir em frente, quando vê o esforço que fazem para que os filhos estejam bem, isso se torna uma referência para você", afirmou.
Da carpintaria ao campo: precisão e visão de jogo
Da mesma forma, é inegável que os ensinamentos adquiridos na oficina da família também se refletem na maneira como ele se comporta em campo.
No mundo da madeira, existe uma regra de ouro: medir duas vezes antes de fazer o corte final. Um erro de poucos milímetros pode estragar o material.
Dessa forma, o zagueiro aplica os princípios desse ofício ao seu estilo de jogo: capacidade de antecipação, precisão e, acima de tudo, muita paciência.
Em vez de buscar o confronto de maneira precipitada, o recém-coroado campeão do mundo se destaca por saber calcular o movimento do atacante, avaliar as distâncias, esperar o momento certo e intervir sem precisar cometer faltas.
Mesmo sob pressão dos atacantes, mantém a calma, ajusta seu posicionamento e distribui a bola com tranquilidade e precisão. Essa é a essência de Cubarsí.
A humildade e os princípios aprendidos em casa
Além de sua invejável qualidade técnica e de sua capacidade de ler o jogo, a verdadeira força de Pau Cubarsí está na educação que recebeu em Estanyol.
A oficina de carpintaria e o ambiente ao seu redor lhe transmitiram virtudes essenciais para lidar com a fama: humildade, trabalho duro e apreço pelas coisas simples.
Nesse sentido, Cubarsí mantém uma visão muito realista sobre o futebol e sabe que o negócio de seus antepassados é um dos pilares de sua identidade.
Durante uma entrevista à "TV3", explicou essa filosofia pensando no futuro: "Se um dia o futebol não der certo, a carpintaria estará sempre lá, isso é certo."
Por sua vez, o zagueiro de apenas 19 anos - que já foi indicado ao Troféu Kopa em três ocasiões - destacou a importância de seus pais em sua rotina.
Segundo ele, são os pais que cuidam de seu comportamento, tanto dentro quanto fora dos estádios. "Minha família me mantém com os pés no chão. Se eu não for humilde, levo uma palmada", admitiu aos microfones da "RAC1".
Em suma, Pau Cubarsí é a prova viva de que o valor de um jogador de elite não é medido apenas por sua capacidade física ou inteligência tática.
O talento natural abriu-lhe as portas da glória no desporto, mas são os seus valores humanos que lhe conferem a serenidade e a maturidade necessárias perante os desafios da elite.
Fiel às suas raízes e com a cabeça no lugar, o jovem zagueiro continua dando passos gigantescos aos 19 anos. Qual será o seu limite?