Em 22 de setembro de 2025, no Théâtre du Châtelet, em Paris, um atacante no auge da carreira subiu ao palco e recebeu com elegância o seu Ballon d'Or.

A premiação coroou um ano extraordinário para Ousmane Dembélé, em uma temporada na qual marcou 25 gols em competições nacionais enquanto o PSG dominava o futebol francês, conquistando o Campeonato Francês, a Copa da França e o Troféu dos Campeões.

No entanto, foi o seu desempenho brilhante - e o do próprio PSG - na Liga dos Campeões que levou muitos a considerá-lo o melhor jogador do mundo naquele momento.

O ex-astro do Barcelona marcou oito gols na principal competição da Europa em 2024-25, um número impressionante que incluiu um hat-trick na fase de grupos e gols decisivos contra Liverpool e Arsenal no mata-mata.

Depois de contribuir com duas assistências na final, quando o PSG goleou a Inter de Milão, ele foi eleito, com mérito, o melhor jogador da temporada da Liga dos Campeões.

Conquistando as maiores honras

Dembélé não foi o primeiro jogador a conquistar o Ballon d'Or poucos meses depois de levantar o troféu da Liga dos Campeões. Na verdade, nas últimas duas décadas, ele se tornou o 11º jogador de elite a unir o principal título de clubes e a maior premiação individual no mesmo ano.

Além disso, outros cinco vencedores do Ballon d'Or chegaram às semifinais da competição no ano em que se destacaram, enquanto apenas uma vez nos últimos 20 anos um jogador conquistou o Ballon d'Or após uma campanha decepcionante na Liga dos Campeões.

Foi o caso de Fabio Cannavaro em 2006, que, de forma simbólica, havia capitaneado sua seleção rumo ao título da Copa do Mundo naquele mesmo mês de julho.

Fica claro, portanto, que o desempenho na Liga dos Campeões tem um peso importante na definição de qual jogador mais brilhou em determinada temporada e, sendo assim, os olhares se voltam para Budapeste neste fim de semana para analisar tudo sob a perspectiva do Ballon d'Or.

Uma forte representação

Depois de superar o difícil desafio do Atlético de Madrid na semifinal, o Arsenal garantiu o seu primeiro título da Premier League em 22 anos, o que significa que dois campeões estarão em campo na Puskás Arena neste sábado à noite.

Também será uma das finais de Liga dos Campeões com maior concentração de indicados ao Ballon d'Or dos últimos tempos.

Se os dois treinadores evitarem surpresas nas escalações para a decisão na Hungria, é muito provável que dez jogadores indicados ao Ballon d'Or de 2025 estejam em campo. Em termos simples, isso representa quase metade dos atletas envolvidos na partida.

É um número impressionante e, quando comparado com finais anteriores, mostra o quanto a edição deste ano está repleta de indicados.

A final da temporada passada entre PSG e Inter contou com três jogadores indicados ao Ballon d'Or: Lautaro Martínez, Hakan Çalhanoğlu e Vitinha.

Em 2024, quando o Real Madrid venceu o Borussia Dortmund, havia apenas dois indicados em campo: Jude Bellingham e Vinicius Jr.

Já em 2023, quando o Manchester City derrotou a Inter, novamente eram dois - com Phil Foden começando no banco.

Vale destacar que não estamos falando de jogadores indicados em qualquer momento da carreira, mas sim de atletas que receberam a indicação naquele mesmo ano.

Quando os campeões da França e da Inglaterra entrarem em campo no principal palco do futebol europeu neste sábado, dez dos jogadores envolvidos tinham sido reconhecidos, ainda em outubro passado, como parte dos 30 melhores do mundo.

Por isso, é razoável esperar um nível técnico extremamente alto nesta final.

Núcleo de elite: os dez excepcionais

E certamente será assim, com Dembélé e Viktor Gyökeres liderando os ataques de suas equipes. O primeiro venceu o Ballon d'Or no ano passado, enquanto o segundo terminou em 15º lugar na votação após uma temporada repleta de gols pelo Sporting.

A transferência para o Arsenal trouxe dificuldades de adaptação no início para o imponente sueco, mas o cenário agora é bem diferente. Desde o fim de março, Gyökeres vem marcando um gol a cada 93 minutos na Premier League.

Logo atrás dele, comandando o meio-campo dos Gunners, estará Declan Rice, que recebeu 13 pontos na votação do Ballon d'Or no ano passado por suas atuações no setor. Sua precisão de passes de 92,17% na Liga dos Campeões nesta temporada chama atenção, especialmente considerando que 81% desses passes foram de média ou longa distância.

Do outro lado está o coletivo do PSG, com destaque para um meio-campo que combina inteligência e intensidade.

Enquanto o brilhante e explosivo Khvicha Kvaratskhelia (12º colocado no Ballon d'Or de 2025) e Désiré Doué (14º no ano passado) atraem os holofotes pelo talento ofensivo, grande parte do sucesso do PSG passa por um trio de meio-campo perfeitamente equilibrado.

Fabián Ruiz representa a elegância e a qualidade técnica, sendo especialista em conectar os setores do time. Já João Neves registrou o quarto maior número de passes progressivos da equipe nesta temporada e foi o jogador com mais desarmes. Em alguns momentos, atua como destruidor; em outros, como criador.

Complementando os dois está Vitinha, a joia portuguesa do elenco parisiense. Ninguém na Ligue 1 completou mais passes nesta temporada: foram 2.572, uma média de 109 por 90 minutos. Nenhum outro jogador chegou perto.

Por fim, aparecem os laterais ofensivos do PSG, Nuno Mendes e Achraf Hakimi. Os dois são referências em suas funções, e o 6º lugar de Hakimi no Ballon d'Or de 2025 representou a melhor colocação já alcançada por um jogador do mundo árabe.

A final da Liga dos Campeões costuma ser um dos grandes momentos do calendário do futebol europeu em maio.

Desta vez, ela chega com um claro clima de Ballon d'Or.