Fim de uma era na Argélia

Hoje, depois da eliminação da Argélia na Copa de 2026 com uma derrota por 2 a 0 para a Suíça, o capitão Riyad Mahrez anunciou sua aposentadoria da seleção.

Em pouco mais de uma década, o ponta de 35 anos construiu um legado que o coloca entre os maiores - para muitos, o maior - da história do futebol argelino.

Um legado que atravessa gerações

Nascido em Clichy, na periferia de Paris, Mahrez tem mãe de origem argelina e marroquina e pai argelino. Em 2014, ele optou por defender a seleção da Argélia no cenário internacional.

Desde então, somou 119 partidas pelos “Guerreiros do Deserto”, se tornando o segundo jogador com mais jogos pela seleção, atrás apenas do zagueiro Aïssa Mandi, com 122.

Atualmente no Al-Ahli, da liga saudita, o atacante também é o segundo maior artilheiro da história da Argélia, com 40 gols, ficando atrás apenas de Islam Slimani, que tem 46.

Campeão continental

A maior conquista de Mahrez pela Argélia veio quando ele capitaneou a “geração de ouro” da seleção rumo ao título da Copa Africana de Nações de 2019 - apenas o segundo da história do país no torneio, quase 30 anos depois da primeira conquista, em 1990.

Mais do que um líder de bastidores, Mahrez foi peça central em campo e comandou a campanha histórica da equipe.

No fim de 2018, marcou dois gols na vitória por 4 a 1 fora de casa contra o Togo, resultado que garantiu a classificação para o torneio.

Já na estreia da Argélia na competição, deixou sua marca contra o Quênia, dando o tom da campanha desde o início.

Em um dos momentos mais memoráveis daquela trajetória, marcou o gol decisivo aos 96 minutos contra a Nigéria, que colocou a seleção na final.

Desde sua primeira participação na Copa Africana de Nações, em 2015, nenhum outro jogador argelino marcou mais gols do que ele no torneio (oito).

Decisivo até o fim

Já na Copa de 2026, Mahrez chegava com a expectativa de conduzir uma nova campanha de destaque - sua segunda Copa do Mundo e a quinta participação da Argélia na história da competição, depois de mais de uma década de ausência.

Assim como na classificação para a CAN de 2019, ele voltou a ser decisivo: marcou e teve grande atuação na vitória por 3 a 0 fora de casa contra a Somália, que confirmou a vaga da seleção.

Depois, brilhou novamente com dois gols e atuação de destaque - eleito melhor em campo - no empate por 3 a 3 contra a Áustria, resultado que garantiu a classificação para o mata-mata. Naquela partida, ele se tornou o jogador argelino mais velho a marcar em uma Copa do Mundo, aos 35 anos e 126 dias.

A despedida de um ídolo

Apesar da trajetória dos Guerreiros do Deserto no torneio - assim como a passagem de Mahrez pela seleção - ter chegado ao fim, ele encerra sua história empatado com Salah Assad, Abdelmoumene Djabou e Islam Slimani como maior artilheiro da Argélia em Copas do Mundo.

Sua carreira em clubes também é bastante impressionante, com 16 títulos conquistados em diferentes competições e países.

Entre os principais momentos, estão o papel decisivo na promoção do Leicester City à Premier League e, na temporada seguinte, a liderança na histórica conquista do título - o primeiro em 132 anos de história do clube. Com isso, ele também se tornou o primeiro jogador argelino a levantar o troféu.

Mais tarde, pelo Manchester City, conquistou mais quatro títulos da Premier League e fez parte do elenco campeão da primeira Liga dos Campeões da história do clube, em 2023.

Individualmente, foi eleito o Jogador Africano do Ano pela CAF em 2016 e, no mesmo ano, também entrou para a história como o primeiro jogador africano a vencer o prêmio de Jogador do Ano da PFA, eleito pelos próprios jogadores.

Ao longo da carreira por clubes, acumulou 669 partidas, com 198 gols e 156 assistências.

Mahrez segue sendo o único jogador que defendeu a seleção da Argélia já indicado ao Ballon d’Or, tendo terminado em 12º lugar na edição de 2022.