O retorno da Noruega à Copa

Ontem, no MetLife Stadium, em Nova Jersey, a Noruega venceu o Senegal por 3 a 2 pela fase de grupos da Copa do Mundo de 2026.

O jogo foi emocionante do início ao fim, mas o grande nome da noite foi Erling Haaland, autor de dois dos três gols noruegueses.

O atacante do Manchester City já tinha marcado dois gols na estreia da Noruega no torneio deste ano, na goleada por 4 a 1 sobre o Iraque.

Com os quatro gols anotados até aqui, Haaland se tornou o maior artilheiro da história da Noruega em Copas do Mundo. Todos os outros jogadores noruegueses que marcaram no torneio fizeram apenas um gol, com exceção de Kjetil André Rekdal, que balançou as redes duas vezes.

No total, a Noruega soma agora 14 gols em 10 partidas disputadas ao longo de quatro edições da Copa do Mundo.

A última participação do país tinha sido há quase três décadas, em 1998. Naquela edição, apesar da eliminação nas oitavas de final, a seleção conquistou uma vitória histórica por 2 a 1 sobre o Brasil na fase de grupos - um resultado ainda mais impressionante por ter sido contra a maior campeã da história do torneio, com cinco títulos.

Depois de uma espera de 28 anos para voltar à Copa, os noruegueses parecem estar aproveitando o retorno: a equipe começou a campanha de forma avassaladora, com sete gols marcados em apenas dois jogos.

O impacto imediato de Haaland

Como já mencionado, quatro desses gols foram marcados por Haaland - um jogador que se tornou praticamente sinônimo de balançar as redes.

Isso ficou evidente em 2023, quando ele conquistou o Troféu Gerd Müller na cerimônia do Ballon d’Or, prêmio dado ao maior artilheiro do ano. Naquela temporada, Haaland levou o prêmio depois de marcar 56 gols. No ano passado, voltou a ser indicado e terminou em quarto lugar, com 45 gols.

No total, o "viking" norueguês já soma 299 gols em 385 partidas como profissional.

Uma sequência histórica com a seleção

Pela seleção da Noruega, seus números são ainda mais impressionantes: são 59 gols em apenas 52 jogos - ou seja, ele tem mais gols do que partidas disputadas pelo país.

Com apenas 25 anos, Haaland já é o maior artilheiro da história da seleção norueguesa. Ele tem 26 gols a mais que o segundo colocado, Jørgen Juve, que marcou 33 vezes em 45 partidas, principalmente durante a década de 1930.

Indicado ao Ballon d’Or quatro vezes, Haaland marcou nas últimas 12 partidas da Noruega e é apenas o sexto jogador da história a marcar mais de um gol em cada uma de suas duas primeiras partidas em uma Copa do Mundo.

E talvez o dado mais impressionante seja este: desde sua estreia pela seleção, em setembro de 2019, nenhum jogador europeu marcou mais gols por seu país do que ele.

O jovem artilheiro está vivendo um sonho e levando sua nação - e sua família - junto nessa jornada. Nas costas de sua camisa está escrito "Braut Haaland", uma homenagem aos sobrenomes de sua mãe, Gry Marita Braut, e de seu pai, o ex-jogador Alf-Inge Haaland.

Será que ele conseguirá conduzir a Noruega à glória?

Títulos, pelo menos, não são novidade para ele. Apesar de ter chegado ao Manchester City apenas em 2022, Haaland já se consolidou como a grande estrela do clube inglês, com 162 gols em 198 partidas e oito troféus conquistados, entre eles duas Premier Leagues e a primeira Liga dos Campeões da história do City.

Ødegaard como eixo criativo

Outro nome de peso no elenco da Noruega para a Copa de 2026 é Martin Ødegaard, de 27 anos, capitão da seleção.

O meia já foi indicado duas vezes ao Ballon d’Or e, nesta temporada, também brilhou no futebol de clubes, ajudando o Arsenal a conquistar seu primeiro título da Premier League em mais de 20 anos. Nesta Copa, ele já deu duas assistências e segue sendo o cérebro e a principal força criativa da equipe. Ao todo, soma 20 assistências em 70 partidas pela seleção norueguesa.

Haaland e Ødegaard são dois dos apenas cinco jogadores noruegueses que já receberam uma indicação ao Ballon d’Or. Os outros foram: Rune Bratseth, em 1992 e 1993, Brent Skammelsrud, em 1997, e Tore André Flo, em 1998. Entre todos eles, Haaland chegou mais perto de vencer o prêmio, terminando em segundo lugar na edição de 2023.

Senegal não se entrega

Do outro lado, o Senegal lutou até o fim, mas não conseguiu arrancar o empate, apesar dos dois gols do atacante Ismaïla Sarr. A assistência para o primeiro deles veio de ninguém menos que Sadio Mané.

Aos 34 anos, a lenda senegalesa foi indicada ao Ballon d’Or em 2022 e, naquela mesma edição da cerimônia, conquistou o Prêmio Sócrates. Embora seja o único indicado ao Ballon d’Or no atual elenco do Senegal, o goleiro Édouard Mendy também recebeu uma indicação ao Troféu Yashin naquele ano.

Além de Mané, que conduziu os "Leões de Teranga" ao primeiro título da Copa Africana de Nações da história do país em 2021, outros dois senegaleses já figuraram entre os indicados ao Ballon d’Or: El Hadji Diouf e Papa Bouba Diop.

As duas indicações vieram em 2002, ano em que o Senegal estreou em Copas do Mundo e surpreendeu o planeta ao derrotar a então campeã França logo em seu primeiro jogo na história do torneio.

A edição de 2026 marca a quarta participação do país em uma Copa do Mundo.

O cenário do grupo e o próximo passo

Com a vitória, a Noruega divide a liderança do Grupo I com a França, bicampeã mundial. As duas seleções se enfrentam na sexta-feira em um duelo que valerá a primeira colocação da chave.

Já o Senegal chega a essa rodada decisiva com cenário mais complicado. Um bom resultado na partida contra o Iraque - também na sexta-feira - é a única chance real de manter vivo o sonho da classificação para a próxima fase.