Filho de pais marroquinos, Ayyoub Bouaddi optou por mudar sua nacionalidade esportiva para defender a seleção do Marrocos no início deste ano, com sua decisão sendo aprovada pelas autoridades do futebol em maio.
Isso deixou o jogador de 18 anos com pouco tempo para se integrar à seleção marroquina depois de ser convocado para representar o país na Copa do Mundo.
De fato, antes do torneio, sua experiência internacional se resumia a 180 minutos em jogos amistosos.
Esse detalhe importante torna suas atuações na Copa ainda mais impressionantes, especialmente pela maturidade e segurança que demonstrou.
Desde sua estreia profissional pelo Lille, no outono de 2023, o meia rapidamente se consolidou como um talento de elite. Sua ascensão meteórica foi coroada, primeiro, com uma indicação ao Troféu Kopa e, agora, com uma sequência de atuações dinâmicas no maior palco esportivo do mundo.
Não é surpresa que o jovem seja, neste momento, alvo de intensas especulações sobre uma possível transferência, com diversos grandes clubes disputando sua contratação.
A Copa do Mundo de Ayyoub Bouaddi em números:
Jogos: 5
Minutos: 384
Participações em gols: 0
Finalizações: 3
Duelos ganhos: 36
Passes precisos: 225
Sprints: 166
Conduções: 81
Elogios, entusiasmo e resultados à altura
A reação da imprensa à atuação do adolescente contra o Brasil, na estreia do Marrocos na Copa do Mundo, foi marcada por superlativos normalmente reservados para jogadores consagrados.
Diante de Casemiro, vencedor de várias edições da Liga dos Campeões e com quase o dobro de sua idade, o meia se mostrou "imperioso" e "completo", com sua atuação sendo descrita como uma "aula magistral".
Em entrevista após a partida, seu treinador, Mohamed Ouahbi, afirmou ter total confiança ao colocar o jovem diante de um desafio tão grande: enfrentar os pentacampeões mundiais em sua estreia internacional como titular.
"Estávamos certos e convictos de que ele faria um grande jogo, então não foi de forma alguma um risco."
Certamente, os números do jogador ao longo dos 90 minutos justificam os elogios e o entusiasmo.
Bouaddi percorreu 11,3 km, fez seis recuperações de bola e venceu nove dos seus 14 duelos. Ele conseguiu, em grande parte, neutralizar uma ameaça ofensiva que contava com Vinicius Júnior, várias vezes indicado ao Ballon d’Or, e o sempre perigoso Raphinha.
Contra a Escócia, seis dias depois, teve uma atuação mais discreta, principalmente porque os Leões do Atlas dominaram a maior parte da partida, exigindo menos de suas qualidades defensivas.
Isso mudou no confronto das oitavas de final contra a Holanda, com Bouaddi encarregado de neutralizar um meio-campo holandês repleto de jogadores com status de Ballon d’Or.
Seus passes curtos e inteligentes para manter a posse de bola, além da pressão intensa, ajudaram o Marrocos a conquistar uma vitória apertada nos pênaltis.
É justo concluir que o jovem do Lille teve dificuldades contra a França nas quartas de final, o que resultou em sua substituição no início do segundo tempo. No entanto, ele não foi o único jogador incapaz de parar o que parecia ser uma máquina de guerra francesa naquela fase da competição.
Em resumo
Não existem dúvidas sobre as qualidades defensivas e a inteligência de Bouaddi, que realizou 113 pressões defensivas e forçou 23 perdas de bola.
Além disso, sua capacidade de passe rapidamente se tornou um recurso valioso para o Marrocos. Nenhum companheiro de equipe conseguiu mais passes que quebraram linhas defensivas (100) ao longo do torneio.
O futuro parece muito promissor para o indicado ao Troféu Kopa do ano passado. O presente também impressiona.